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Dilma não mentiu, ela mudou de estratégia, diz ex-presidente do Ipea

Márcio Pochmann diz em entrevista ao Estado que o ajuste fiscal é responsável pela recessão e que o impeachment é uma ameaça à democracia

Marcio Pochmann, economista
(Elza Fiúza/ABr)

SÃO PAULO - O presidente da fundação Perseu Abramo e ex-presidente do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), Márcio Pochmann, disse em entrevista ao Estado de S. Paulo, que o ajuste fiscal é a causa da recessão, deve ser abandonado e a presidente Dilma Rousseff precisa de uma política de longo prazo para governar e recuperar o crescimento. "As pessoas vão defender Dilma em nome de quê?", pergunta. 

Pochmann defendeu a publicação do documento 'Por um Brasil Justo e Democrático', que foi duramente criticado por economistas por defender o abandono da austeridade. "O ministro [da Fazenda, Joaquim Levy] vem dizendo que só há crescimento se houver ajuste fiscal. Nós temos uma outra forma de ver. Estamos vivendo o caos. O ministro da Fazenda, ao anunciar as primeiras medidas, disse que teríamos uma recessão de três meses. Avançamos para a recessão mais grave desde os anos 90, que se prolongará em 2016 e 2017", diz o presidente da instituição ligada ao PT.

Para ele, o equilíbrio das contas públicas é importante, mas deve ser atingido quando há crescimento da economia. Apesar disso, ele concorda com a tese de que a política anticíclica conduzida pelo ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, foi usada por tempo demais e acabou provocando este desajuste. 

Segundo ele, "Dilma não mentiu na campanha de 2014, mas mudou de estratégia". Neste contexto, ela vinha implementando desde 2013 medidas graduais e apenas acelerou o processo. "Não sei se ela foi convencida ou convenceu-se de que as ações de gradualismo teriam se esgotado e adotou a estratégia de choque", disse.

Por fim, Pochmann disse que a saída para a crise não é econômica, e sim poítica. "Estamos em 2015 com ameaças à democracia, sem crescimento econômico e piora no quadro social", diz, citando como exemplo de ameaça à democracia as articulações da oposição pelo impeachment. "A oposição não deixa governar. É um quadro estranho. Por que não tem golpe, não tem impeachment? Porque se tiver a situação vai piorar dramaticamente", avalia.

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