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Três motivos para Cunha "não ter dúvidas" de que o governo não cumprirá nova meta

"A meta de superávit de 0,15% não será atingida. Não há dúvidas quanto a isso", afirmou o presidente da Câmara

Eduardo Cunha
(Gustavo Lima/ Câmara dos Deputados)

SÃO PAULO - Em mais um discurso repleto de críticas contra a presidente Dilma Rousseff e ao governo, o presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ) destacou considerar nula a possibilidade do Brasil conseguir atingir a nova meta (reduzida na semana passada) de superávit primário de 0,15% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2015.

E há três motivos principais para isso, que se tratam de condicionantes estabelecidas pelo governo para conseguir atingir a meta, e que são pouco prováveis de serem atingidas. As declarações foram concedidas em evento realizado pelo Lide, realizado na capital paulista. 

Em primeiro lugar, está o projeto de repatriação de capitais, apresentador por Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) e que, segundo Cunha, precisa ser apresentado pelo próprio governo para que tramite no Congresso. "O governo precisa parar de se esconder. Tem que assumir o que quer", afirmou, ressaltando que "não dá para o governo terceirizar a sua pauta pelo PSOL ou por qualquer outro partido".

Outras medidas que sofrem condicionantes são o pacote de concessões anunciados pelo governo, sendo que não há garantia de que o governo conseguirá adquirir o previsto. "A receita de R$ 5 bilhões de concessões é uma meta difícil de garantir", afirmou.

Por fim, em terceiro lugar, está a Medida Provisória do governo para a Reabertura do Refis, programa de refinanciamento de dívidas tributárias. Porém, segundo ele, a meta de arrecadar R$ 10 bilhões desta fonte é irrealista. 

"Dado esse quadro, a meta de superávit de 0,15% não será atingida. Não há dúvidas quanto a isso", afirmou. Ele ainda classificou como pífias as propostas de ajuste fiscal e afirmou que o ambiente de crise política e econômica ameaça o grau de investimento brasileiro. "O pior desastre para o Brasil é perder o grau de investimento", destacou. 

Além disso, o parlamentar reiterou a responsabilidade do governo federal pela instabilidade política em meio aos erros de articulação política, exemplificando com a tentativa de criar novos partidos. 

 

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