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“Chegou a hora de trocar de monstro”, diz Danilo Gentili sobre as eleições

O comediante Danilo Gentili concedeu uma entrevista exclusiva ao InfoMoney na última quarta-feira (01)

Danilo Gentili 2
(SBT)

SÃO PAULO – Nesta quarta-feira, o InfoMoney conversou com o comediante Danilo Gentili, que, recentemente, começou a chamar a atenção não por suas piadas ou entrevistas, como de costume, mas sim por se aliar a outros ícones liberais, como o cantor Roger, do Ultraje a Rigor, o músico Lobão e os jornalistas Reinaldo Azevedo e Rodrigo Constantino, em uma luta contra a perpetuidade no poder do partido da situação, que, segundo eles, representa uma ameaça bolivariana ao país, por meio do chamado Foro de São Paulo. Para Gentili, o PT está totalmente alinhado para transformar o Brasil em uma Venezuela.

O apresentador do programa The Noite, do SBT, afirmou que se tornou mais politizado e entrou de cabeça neste mundo depois que ele começou a ter a sua liberdade de expressão cerceada. “Eu não sou militante, não sou professor... Eu sou um comediante que anseia pela liberdade para fazer minhas piadas. Só isso”, explicou. “O PT está a todo instante tentando cercear a liberdade de expressão, de pensamento, de debate e da economia. Isso é muito preocupante”, completou.

Gentili e todos os nomes citados anteriormente estão na chamada “lista negra do PT”, divulgada no site do próprio partido. “Foi um orgulho enorme entrar nesta lista. Significa que eu estou no caminho certo”, afirmou.

Confira a entrevista completa com Danilo Gentili:

INFOMONEY: Visto que você é um comediante, como caiu na política? É visível que você está bem engajado em uma luta contra o PT. Como isso começou?
DANILO GENTILI: Quando comecei a fazer comédia, uns anos atrás, a minha ambição era simplesmente ser um comediante. Mas, depois de um tempo, percebi que as pessoas começaram a me pegar para espantalho. Começaram a me pendurar no poste e bater. Uns quatro ou cinco anos atrás, começaram uma vigilância comigo, que é bem peculiar deles, ou seja, eles pegam alguém que está com o megafone na mão e ganhando uma certa visibilidade e tentam ou recrutar ela para a causa deles ou usar essa pessoa como exemplo do mau. A hegemonia deles no meio cultural e nos meios de comunicação está tão grande que poucas vozes hoje são destoantes, afinal, nem isso eles toleram. Não pode ter um ou dois jornalistas que vão contra o que eles falam que eles já colocam na máquina de moer reputações. Então, resumindo, a princípio eu era somente um comediante que fazia piadas e precisava da liberdade para trabalhar, mas eu comecei a perceber que me pegavam de exemplo, porque me deram um, dois, três avisos de que certos assuntos são proibidos, mas eu não parei de falar sobre eles, porque eu defendo a liberdade de expressão. O problema é que a militância petista tenta se transvestir de opinião pública. É a primeira coisa que eles fazem. Eu sempre fiz piada sobre mim, sobre minha mãe, meus amigos e coisas do cotidiano. Isso somado engloba 90% de minhas piadas, mas, mesmo assim, sempre que eu fazia uma única piada sobre algo que vai contra a cartilha do marxismo cultural, já me taxavam de fascista, nazista, racista, homofóbico... Então, começou a sair nos meios de comunicação que a sociedade me odeia, a população me odeia, só que meus shows começaram a lotar cada vez mais, minha audiência começou a dobrar, triplicar, quintuplicar. Então, como as pessoas me odeiam e abominam minhas piadas? Assim, comecei a correr atrás para entender quem, de verdade, odiava as minhas piadas e descobri que é uma militância muito pequena, mas muito organizada, que hoje detêm uma porcentagem gigantesca dos megafones do Brasil e que se transvestem de opinião pública. Assim, quando eu vi, entrei na lista negra do PT. Eu não sou militante, não sou professor... Eu sou um comediante que anseia pela liberdade para fazer minhas piadas. Só isso.

IM: Qual foi a sua reação quando viu seu nome na lista negra do PT?
DG: De verdade... Foi um orgulho enorme (risos). Assim como quando eu faço uma entrevista no meu programa e no dia seguinte sai uma matéria na Carta Capital tacando pau em mim, eu comemoro e penso: fiz direitinho... Estou no caminho certo.

IM: O seu interesse por política veio desde cedo? No CQC você já cobria política em Brasília. Você já tinha essa posição desde aquela época ou isso começou mais recentemente?
DG: Sempre gostei. Porém, na época do CQC eu tinha uma visão mais desfocada do que é hoje. Naquele tempo, em Brasília, eu não fazia perguntas de uma pessoa adepta de uma ideologia, mas sim perguntas de uma pessoa normal para os políticos que eu pago o salário. Na real é isso que eu sou até hoje, afinal, eu não milito por ideologia nenhuma, eu milito apenas pela liberdade, que é um valor humano, sem o qual não se tem nada.

IM: Então você não se considera da direita liberal, como lhe taxam?
DG: Eu tenho um pouco de medo de me taxar de qualquer coisa, pois, quando as pessoas colocam a ideologia acima da realidade, fica perigoso, afinal, as pessoas começam a moldar o cenário real para ele caber na ideologia. É a mesma coisa que vender um terno cumprido demais e fazer os ajustes no cliente, porque você acredita naquele terno. Está errado, tem que acreditar no cliente. Ou seja, se for ajustar alguma coisa, tem que ajustar a ideologia para ela caber no cenário apresentado, e não o contrário. Toda ideologia tem defeitos, mas o maior defeito da esquerda é o autoritarismo, afinal, eles fazem exatamente isso, o possível e o impossível para o cenário caber na ideologia deles, enquanto isso não é presente na direita liberal. Por isso eu me identifico mais com a direita liberal, ela é menos ideológica, enquanto a esquerda é totalmente o oposto.

IM: O que você espera dessa eleição?
DG: A primeira coisa que me desagrada é a falta de opção. A gente tem que ir mais ao que se assemelha a um contraponto e não ao que de fato é um contraponto. Se você pegar o debate político hoje, ele não é ideológico, mas sim uma briga por cargos. É um debate administrativo. Ninguém quer entrar lá para fazer diferente. Sendo assim, não tem como ser muito otimista. No entanto, a balança do debate está totalmente desequilibrada há muito tempo. São 12 anos deste partido e ele pode vir a ficar mais quatro. Isso não é saudável para a democracia. Então, apesar de a oposição hoje não ser a salvação, ela representa um grande alívio. É um monstro mais raquítico que a gente vai começar a alimentar, enquanto o outro monstro está forte e perigoso. Chegou a hora de trocar de monstro.

IM: Você costuma comentar sempre sobre o Foro de São Paulo. Você acredita que, com uma vitória da situação, nós podemos caminhar para algo mais grave, visto a situação dos nossos países vizinhos? Ou a população brasileira nunca deixaria isso ocorrer?
DG: Se você pegar as medidas do PT, da Dilma, do Lula, você vai ver que elas sempre estão tentando cercear a liberdade de expressão, de pensamento, de debate e da economia. As medidas sempre foram assim. Ideologicamente, eles estão alinhados para dar um passo que a Argentina deu, a Venezuela deu... No entanto, tem um ponto a nosso favor: o Brasil é muito maior que qualquer um desses países. Por isso talvez seja um pouco mais difícil de fazer isso por aqui. Na Venezuela, por exemplo, o Chávez veio do exército, enquanto aqui já vemos que o exército não é simpatizante do negócio. Agora, se você me perguntar se é a intenção do partido, vou dizer que nitidamente sim. Eles trabalham e trabalharão para isso, mas geograficamente é muito complicado.

IM: Qual pode ser o fator determinante para mudar essa atual situação, visto que você disse que a oposição hoje não é o ideal?
DG: O fator existe, mas é a longo prazo. A primeira coisa que precisa acontecer é o outro lado adquirir também uma massa de manobra, como o lado da situação tem. Se você for aos EUA, os dois lados têm a massa de manobra, tanto os democratas quanto os republicanos, mas aqui não tem isso, só o PT tem a massa de manobra. Está tudo deturpado, o que eles chamam de direita, não é direita, o que eles chamam de oposição, não é oposição. A primeira coisa seria esclarecer as pessoas para depois elas se posicionarem, porque se o outro lado entra lá amanhã, ele não terá respaldo e nem massa de manobra para fazer nada. Você vai ficar lá sozinho falando e os caras do outro lado irão te demonizar e te tirar de lá. A direita liberal hoje não tem militância, não tem voz. O liberalismo não está popularizado para o povo, então se você chegar lá, irá tomar um coro dos caras, pois não tem quem você representar. Esse é um problema grave e que só será resolvido a longo prazo e com muito trabalho.

IM: Agora que você está mais politizado, pretende usar o seu programa para expor suas ideias? Por exemplo, você levou a Luciana Genro em seu programa e, no meu entender, isso foi feito para você mostrar que a ideologia dela é ruim. O seu objetivo é esse? Expor e disseminar seus ideais por meio do programa ou ele continuará sendo voltado só para o humor?
DG: O programa é voltado para o humor e entretenimento de fato. Talvez futuramente eu possa ter um programa de rádio para fazer assumidamente isso, mas o The Noite é um talk show e acredito que se eu começar a usá-lo para fazer isso, ele irá ser desvirtuado. Eu levei a Luciana Genro lá não para provar que ela está errada e eu certo, mas sim para promover um debate. E esse objetivo foi totalmente alcançado. As pessoas na internet hoje só falam isso. Eu toquei em um tabu, afinal, quando que você viu um programa de TV aberta alguém questionar o sacrossanto socialismo? Nunca foi feito. Dos anos 60 para cá isso desapareceu. E se você olhar na internet, o resultado foi positivo, pois somente as manifestações orquestradas estão do lado dela, enquanto todas as manifestações espontâneas estão do meu lado. O debate foi levantado e é isso que importa. Eu levanto a bola e, por meio disso, as pessoas vão procurar se informar e estudar sobre o assunto. É isso que importa.

 

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