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Berlusconi acusa Merkel de usar o mercado de títulos para prejudicá-lo

Ex-primeiro-ministro da Itália diz que paridade entre rendimentos italianos e alemães foi estratégia da Alemanha para derrubá-lo; críticas sobraram até para seu sucessor, Mario Monti

Berlusconi zoom
(Alessandro Bianchi/Reuters)

SÃO PAULO - Silvio Berlusconi disparou nesta terça-feira (11) contra duas grandes autoridades da Europa. O ex-primeiro-ministro da Itália declarou que é descabido usar a Alemanha, de Angela Merkel, como referência para calcular o rendimento a ser pago pelos títulos de dívida italianos e ainda atacou as políticas do atual primeiro-ministro de seu país, Mario Monti.

Os papéis da Itália rendiam 4,71%, com uma diferença de 3,4 pontos percentuais em relação ao rendimento dos títulos alemães. 

"O governo de Monti tem seguido as políticas da Alemanha, que a Europa tem tentado impôr a outros países, e isso tem produzido uma crise muito maior do que quando a gente estava no poder", disse o bilionário, em entrevista ao canal de televisão Canale 5, controlado pela empresa dele, Mediaset SpA.

Para Berlusconi, o "excessivo" foco na paridade entre os papéis de dívida italianos com os alemães foi usado para derrubar o seu governo, há um ano. "A gente deve parar de usar esse método; por que isso é importante?", indagou o bilionário. "Isso tem sido usado para acabar com um governo eleito pela maioria dos italianos. Tirando a crise, isso tem sido uma estratégia da Alemanha."

Saída de Monti
No último sábado (8), Monti afirmou que pretende deixar o cargo logo que o parlamento aprove a legislação orçamental para 2013, o que deve ocorrer até o fim do ano. Esta decisão surgiu no mesmo dia em que Silvio Berlusconi anunciou que vai tentar governar o país novamente. Os anúncios causaram uma reviravolta no cenário político italiano e abriram espaço para eleições antecipadas.

O país tem um leilão de dívida programado para esta semana, o que, na opinião de analistas, pode ser um teste decisivo sobre o apetite dos investidores por bônus italianos, diante da possibilidade de Berlusconi voltar ao poder. 

Os efeitos da iminente saída do primeiro-ministro italiano se alastraram à Espanha, confirmando os receios levantados pelo ministro das Finanças espanhol, Luis de Guindos, que afirmou também nesta segunda-feira que temia um “contágio imediato” da instabilidade política italiana.

A Itália tem gasto cerca de 5% de seu PIB (Produto Interno Bruto)  para pagar suas dívidas - atuais em uma faixa de 126% do total produzido pelo país, conforme dados da Bloomberg. Segundo a agência, o Tesouro precisará vender mais € 400 bilhões em títulos para pagar dívida.

 

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