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Enquanto não define questão de dividendos, Eletrobrás demite seu presidente

Pinguelli é retirado do cargo para acomodar indicado pelo PMDB; pagamento de dividendos das ações ON segue indefinido

Bovespa
(Shutterstock)

SÃO PAULO - Como já era esperado pelo mercado nos últimos meses, a Eletrobrás confirmou na tarde desta segunda-feira, dia 19 de abril, a saída de Luiz Pinguelli Rosa do comando da holding, em decisão tomada por motivos de ordem política.

Após reunião entre José Dirceu, ministro-chefe da Casa Civil, e Dilma Rousseff, Ministra das Minas e Energia, a decisão foi anunciada a Pinguelli. Enquanto isto, o fato mais esperado pelos acionistas da Eletrobrás, a questão dos dividendos atrasados das ações ON, segue indefinida.

Indicação de aliado de Sarney divide o mercado
Considerando que a saída de Pinguelli foi realizada para passar o cargo de presidente da holding estatal para o PMDB, o principal candidato para ocupar o posto é Silas Rondeau, correligionário do presidente do Senado, José Sarney, e atual presidente da Eletronorte.

Nesta segunda-feira, o fato trouxe pessimismo e derrubou os papéis da empresa, pois elevou a percepção de risco político relacionado à Eletrobrás, utilizada claramente como um instrumento para consolidação da base aliada governista. Apesar deste fato, alguns analistas acreditam que a indicação de Silas pode ser uma opção viável, já que o mesmo já preside uma importante subsidiária da Eletrobrás.

Segundo Rafael Quintanilha, analista para o setor elétrico do Banco Espírito Santo (BES), há uma leitura positiva da indicação de Silas Rondeau para a presidência da Eletrobrás, já que, ao contrário do acadêmico Pinguelli, este já possui grande conhecimento da área e está relacionado diretamente à holding, como chefe da Eletronorte.

No entanto, Quintanilha analisa que a retirada do Diretor Financeiro da Eletrobrás, Alexandre Magalhães, ocorrida recentemente, como muito importante, já que este executivo prezou a importância do mercado de capitais para a Eletrobrás, visando apresentar a empresa com transparência ao mercado. Atualmente, José Drummond Saraiva segue no cargo interinamente.

Eletrobrás não define pagamento de dividendos das ON's
Enquanto redefine sua diretoria, a Eletrobrás ainda estuda como pagará os R$ 3,8 bilhões em dividendos atrasados aos seus acionistas ordinários, que, desde o ano 2000, não recebem integralmente a quantia devida referente a estes dividendos. Desde o ano de 2001, vale destacar, a Eletrobrás aponta em seus resultados anuais o compromisso em saldar esta dívida com seus acionistas, sem, porém, apontar os fundos necessários para este pagamento.

Dentre os principais credores da empresa, destaque para o governo federal, que detém 58,41% das ações ordinárias e para a BNDESPAR, ligada ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que possui 14,98% destes papéis. Com os dividendos que eram de direito dos acionistas e que foram retidos pela holding, a Eletrobrás justificou que faria importantes investimentos, os quais nem todos foram realizados.

Deste modo, a empresa ainda não se definiu a respeito desta questão, bastante cobrada pelos detentores de seus papéis ordinários, já que não possui dinheiro em caixa para honrar este compromisso e tem a intenção de pagá-lo de maneira parcelada. A Eletrobrás, vale ressaltar, teve um lucro líquido 70,63% inferior em 2003 na comparação com o exercício de 2002, quando o resultado da holding já havia sido 66% inferior ao reportado em 2001.

Ações ON fecharam em nova queda
Seguindo o pessimismo da bolsa paulista e pressionados pela alteração na cúpula da empresa para atender motivos políticos, os papéis ordinários da Eletrobrás (ELET3) fecharam em queda de 3,12% nesta segunda-feira, cotados a R$ 37,25. Com mais esta desvalorização, a queda acumulada no ano atinge 23,20%, contra uma baixa de 2,74% do Ibovespa no mesmo período.

 

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