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Após forte alta em 2003, diversos fatores prejudicam ações da Eletrobrás no ano

Créditos compulsórios, novo modelo e política seguem pressionando as ações da holding em 2004

SÃO PAULO - Contrariando seu desempenho em 2003, quando registraram valorização acumulada de 114,25%, as ações preferenciais da Eletrobrás, as mais líquidas da empresa, seguem em forte neste início de 2004, pressionadas pelas más notícias em relação à empresa que têm sido veiculadas neste período.

Assim, além da realização de lucros em função da forte valorização destes papéis no ano passado, outros motivos vêm sendo importantes para esta tendência de queda, com destaque para a relutância dos detentores de créditos compulsórios da empresa em convertê-los em ações da companhia, as críticas de importantes analistas ao novo modelo e os rumores de que a holding poderá sofrer em breve mudanças em sua cúpula.

Detentores de créditos pressionam as ações da empresa
Nas primeiras sessões do ano, após veiculação em diversos meios de comunicação, os detentores de créditos compulsórios da Eletrobrás mostraram que não concordam com a política proposta pela empresa de substituir estes papéis por ações preferenciais classe B da estatal.

Estes créditos, vale destacar, se referem a empréstimos que a holding tomou de grandes consumidores entre 1962 até o início da década passada, quando a empresa precisava de grandes financiamentos para a construção de seus empreendimentos. Um elevado volume de papéis referentes aos créditos passou a ser comercializado informalmente no mercado secundário e oferecem grande rentabilidade aos investidores, já que têm baixo valor de face e pagam juros periodicamente.

Com a proposta de substituir estes créditos, a Eletrobrás se livraria de uma alta despesa com pagamento de juros e elevaria a liquidez de seus papéis ao preço de gastar relativamente pouco com o pagamento de dividendos, o que impulsionou as ações da empresa no mercado quando do anúncio da proposta. Assim, neste início de ano, com a relutância destes detentores de créditos da empresa em aderir à conversão, as ações da empresa tiveram forte queda.

Mercado passa a criticar novo modelo
Após o anúncio do novo modelo do setor elétrico, a maior parte das ações do setor mostrou forte alta na Bovespa, impulsionada pela melhor perspectiva em relação ao funcionamento do setor no futuro, já que a área de eletricidade apresenta sérias ineficiências no país.

As ações de geradoras, como a Eletrobrás, tiveram impulso extra, já que a proposta visa ampliar a oferta de energia e os investimentos na área. No entanto, nas últimas sessões, sobretudo após uma nota da agência de classificação de risco Standard & Poor´s, que afirma que os risco regulatórios no país ainda são grandes na área de energia e que o novo modelo apresenta várias carências, a percepção em relação à proposta tem sido outra no mercado.

Os investidores têm criticado fortemente a maior concentração de poder em torno do Ministério das Minas e Energia que a proposta traz, o que poderá elevar o risco político do setor segundo a opinião do mercado. Com isto, várias ações do setor elétrico caíram, sobretudo as da Eletrobrás, que foram fortemente impulsionadas pelo novo modelo.

Reforma Ministerial prejudica as ações
As projeções em torno da Reforma Ministerial, que deverá ser concluída nos próximos dias pelo governo, também prejudicam o desempenho dos papéis da Eletrobrás neste mês de janeiro de 2004.

Não que a holding que controla o setor elétrico federal seja um ministério, mas são fortes os rumores de que o governo possa oferecer ao PMDB, novo partido da base aliada e principal responsável pela reforma, a presidência da Eletrobrás, destituindo o atual presidente Luiz Pinguelli Rosa.

Além disto, outro fator que está trazendo pessimismo ao mercado em relação à empresa é o fato que o postulante peemedebista ao cargo poderia ser indicado pelo governador paranaense Roberto Requião, cujo governo segue promovendo uma série de rompimento de contratos no Paraná, com destaque para a desapropriação de cinco concessões rodoviárias no estado.

Ações da empresa fecham em forte queda
Assim, com os investidores influenciados pelos fatos relatados acima e seguindo o fraco desempenho da Bovespa nesta sessão, as ações preferenciais classe B da Eletrobrás (ELET6) operam nesta quinta-feira cotadas a R$ 38,06, representando uma queda de 3,86% em relação ao fechamento anterior.

A desvalorização acumulada em 2004 atinge 15,80%, frente à alta de 3,29% do Ibovespa no mesmo período.

 

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