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Fator risco-político não deve prejudicar resultado do Banco do Brasil

Criação da nova subsidiária, Lei de Responsabilidade Fiscal e Estatuto Social devem proteger instituição financeira

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SÃO PAULO - O anúncio da nova política de concessão de microcrédito do governo, visando atender às necessidades da população mais carente, associado ao temor de risco político, vem penalizando os papéis do Banco do Brasil. Tal fato decorre da apreensão do mercado quanto à possibilidade da instituição financeira ser utilizada como "palanque eleitoral".

Ampliar acesso da população carente
De acordo com o projeto inicial de microcrédito, as instituições financeiras, lideradas pelo BB e Caixa Econômica Federal, seriam obrigadas a destinar cerca de 2% dos depósitos à vista para os programas de financiamento das pessoas de baixa renda, com empréstimos de até R$ 600 e taxa de juro de 2% ao mês.

Com essa medida, o governo pretende ampliar o acesso da população carente ao sistema financeiro nacional, contudo, na opinião dos analistas do Unibanco, em estudo publicado esta semana, essa medida poderia trazer prejuízos aos bancos, principalmente, diante do elevado risco de inadimplência.

Além disso, a concessão dos créditos às classes de baixa renda pode colocar em risco a rentabilidade das instituições financeiras, que atualmente tem remuneração garantida, ao investirem uma parcela dos recursos obtidos nos depósitos à vista em títulos públicos atrelados à taxa Selic.

Criação da subsidiária visa expandir base de clientes
Por sua vez, o Banco do Brasil anunciou recentemente a criação de uma subsidiária especializada na atuação de microfinanças, com intuito de ampliar a base de clientes através da venda de produtos e serviços específicos, além de estar em linha com os programas sociais do governo.

Assim, essa nova subsidiária deve buscar fornecer serviços como pagamento de contas e serviços, onde a mesma será remunerada pela empresa, e de serviços financeiros, como a venda de seguros, cartões de crédito e financiamentos.

Além disso, a instituição financeira estaria estudando a possibilidade de vender produtos associados a outros, semelhante a "venda casada", onde um produto de seguro pode ser atrelado a um plano de financiamento. A maior parte dos serviços deve ser feita via correspondente bancário, o que deve permitir que a instituição tenha uma estrutura de custos bastante enxuta.

Desse modo, a ampliação da base de clientes, juntamente com incremento das receitas com serviços, poderia compensar eventuais perdas com a concessão de financiamentos aos clientes de baixa renda. Vale destacar que essa nova subsidiária deve iniciar as operações somente em 2004, o que não deve afetar os resultados do BB no ano corrente.

Risco político existe, mas não deve afetar BB
Quanto ao temor de risco político, o fato da instituição estar amparada pela Lei de Responsabilidade fiscal, por ser uma instituição estatal, e pelo Estatuto Social, não devem colocar em risco a situação financeira do Banco do Brasil, segundo a análise do Unibanco. Existem rumores sinalizando que o governo pretende forçar as demais instituições financeiras a reduzirem os spreads bancários através dos bancos federais.

Contudo, com base na Lei de Responsabilidade Fiscal e Estatuto Social, os acionistas minoritários podem contestar políticas que impliquem perdas à instituição, o que deve limitar a utilização do Banco do Brasil como instrumento "social".

Finalmente, desconsiderando-se eventuais crenças e aspectos jurídicos, os números do Banco do Brasil são positivos e mostram uma evolução constante a cada trimestre. O risco político existe, porém, segundo a análise divulgada, não deve afetar o resultado da instituição.

Papéis do BB seguem em leve queda
Num dia de fraco desempenho da bolsa paulista, as ações ordinárias do Banco do Brasil (BBAS3) seguem em leve baixa de 0,20% cotadas a R$ 14,28 nessa sessão. Em 2003, os papéis da instituição acumulam valorização de 51,60% frente à alta de 14,64% do índice InfoMoney do setor financeiro (SETFIN) e da alta de 21,57% do (Ibovespa)no mesmo período.

 

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