Política de dividendos é principal atrativo da Eletropaulo

A despeito de ser boa pagadora de proventos, analistas comentam que empresa não tem muitos drivers de crescimento

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SÃO PAULO – A política de dividendos da Eletropaulo (ELPL6) é o principal diferencial da companhia, na visão de analistas. Com o crescimento da demanda de energia elétrica, a empresa ganha também perspectivas otimistas para seus resultados.

Segundo Rosângela Ribeiro, analista da SLW Corretora, a empresa é uma opção de compra para investidores que procurem uma companhia com situação financeira equilibrada e bons dividendos.

“A Eletropaulo tem a vantagem de estar com seus investimentos maturados, podendo oferecer aos acionistas o retorno desses investimentos”, fala a analista. Para Rosângela, outro ponto positivo da empresa é sua margem de rentabilidade.

A analista explica que por ter seus principais mercados no setor residencial e comercial, a empresa não sentiu tanto o impacto da crise financeira e da forte queda de demanda do setor industrial.

“O forte dela é o segmento comercial e residencial, que vem apresentando crescimento da demanda e pode contribuir para uma performance melhor em 2010”. Por conta destes fatores, o papel EPLE6 está na carteira de recomendações da semana, com um preço-alvo de R$ 39,90, potencial de valorização de 11,14% ante a última cotação (R$ 35,90).

Dividendos
A despeito dos pontos positivos da companhia, o analista Osmar Camilo, da Socopa, alerta que a Eletropaulo possui um limitado terreno para expansão, devido a sua atuação apenas na distribuição de energia elétrica no estado de São Paulo, mercado já bem explorado.

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“Ela cresce de acordo com volume de energia. Como as distribuidoras, ela é prestadora de serviços, entrega energia elétrica nos mercados cativo e livre”, fala Camilo ao destacar que seu papel não possui muitos drivers de efeito.

Para o analista, o grande atrativo da Eletropaulo está em sua política de pagamento de dividendos. “Desde quando ela foi reestruturada, entre 2005 e 2006, começou a apresentar ganhos ao invés de prejuízos e transferir seus lucros na forma de dividendos”, lembra.

Atualmente, a Eletropaulo é considerada por alguns analistas a principal pagadora de dividendos a seus investidores entre as empresas do setor de energia elétrica, com uma taxa de repasse de 95% de seus lucros, conforme explica Camilo, da Socopa.

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Por conta disso, a corretora recomenda compra para os papéis da distribuidora e projeta um preço-justo de R$ 40,50 para suas ações em julho de 2010, com potencial de valorização de 12,8%.

Atratividade
Já para a equipe do Itaú, o fato de a Eletropaulo ser uma boa pagadora de dividendos – considerada por eles a melhor do setor – reflete a ocorrência de alguns eventos, como a adesão ao programa de parcelamento de débitos do governo, o Refis, e o acordo feito com o município de São Paulo para quitação de dívidas antigas.

No caso do Refis, adotado em novembro de 2009, a Eletropaulo estima que sua adesão terá um efeito de R$ 250 milhões nos resultados do quarto trimestre. Aliado a isso, a distribuidora vai receber R$ 76 milhões da prefeitura paulista, dinheiro referente ao pagamento de débitos antigos.

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“Com exceção do acordo com a prefeitura de São Paulo, não vemos outros fatos não-recorrentes que possam afetar os ganhos da Eletropaulo em 2010. Contudo, projetamos fortes resultados porque 2010 é o último ano antes da revisão tarifária planejada para 2011”, comenta o Itaú.

Os analistas da corretora estimam que a Eletropaulo pague R$ 659 milhões em dividendos referente ao segundo semestre de 2009, o que resulta em um dividend yield de 10,9%.

Já em termos de crescimento da demanda de distribuição, os analistas da corretora do banco Itaú esperam que a performance da Eletropaulo no mercado seja um pouco melhor no quarto trimestre em relação ao anterior, quando o volume total cresceu 1,2% ante 2008.

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“Nossas projeções apontam um aumento de 2,2% no volume de energia distribuída para o quarto trimestre, ajudado pelo crescimento industrial”, falam. A estimativa do banco para a receita líquida do quarto trimestre é de R$ 2,14 bilhões e Ebitda (geração operacional de caixa) de R$ 541 milhões.

Baseando-se nestas premissas, o Itaú elevou no último dia 26 de janeiro o preço-alvo das ações da Eletropaulo para R$ 45,00 por papel, um potencial de valorização de 25,34%, mas manteve a recomendação de marketperform (desempenho em linha com o mercado).

Riscos
Segundo Rosângela Ribeiro, da SLW, o único risco pertinente ao case Eletropaulo é a incerteza quanto à possível mudança de seu quadro de acionistas controladores.

“Como o BNDES já manifestou sua intenção de vender a participação que tem na Brasiliana, que por sua vez participa do controle da Eletropaulo, pode ser que uma incerteza quanto à essa mudança traga alguma desvalorização”, explica.

Fora isso, Rosângela acredita que a empresa não tem outros drivers de incertezas ou negativos.