Resumo da Bolsa

Política abate Ibovespa, que tem a quarta queda semanal seguida de olho em denúncias contra Temer

Índice volta a recuar nesta sexta com investidores de olho no futuro do presidente e nas novidades políticas da próxima semana

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SÃO PAULO – Com o mercado ainda tenso diante de um cenário político bastante incerto, o Ibovespa voltou a recuar nesta sexta-feira (23) após leve recuperação nos últimos dias. A queda dos bancos e da Petrobras acabou definindo o rumo do mercado em uma sessão de volume fraco com os investidores evitando muitos movimentos aguardando o desenrolar da política.

O benchmark da bolsa brasileira fechou com perdas de 0,30%, aos 61.087 pontos, em dia com volume de R$ 5,813 bilhões. Com isso, o índice registra sua quarta queda semanal seguida, recuando 0,88%, sem uma grande variação ante o início da semana e com um clima mais pessimista, principalmente após o governo sofrer uma derrota na Comissão de Assuntos Sociais do Senado em relação à reforma trabalhista na terça-feira.

Para Pablo Spyer, diretor da mesa de operações da Mirae Asset, está claro que otimistas seguem em falta no mercado. “Ontem, a bolsa subiu no vazio, sem volume. Por mais que tenha subido quase 1%, o giro foi fraco”, observou.

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Na avaliação dele, pesam sobre o movimento do índice nesses dias o noticiário corporativo, os movimentos do petróleo no mercado internacional e a percepção maior de que o presidente Michel Temer deverá concluir o mandato, a despeito da ameaça que representam as denúncias a serem apresentadas pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

O especialista lembra que as apostas do mercado para um novo corte de 100 pontos-base na Selic na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), em julho, e o cenário de dificuldades para o Federal Reserve elevar os juros nos Estados Unidos contribuem para dar maior atratividade para o mercado acionário brasileiro — o que não tem sido suficiente para animar os investidores na sessão volátil desta sexta.

Ontem, o relatório trimestral de inflação mostrou que o Banco Central reduziu as projeções para a inflação deste ano para 3,8% para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo). Em entrevista ao jornal Valor Econômico, o presidente da autoridade monetária Ilan Goldfajn disse que conseguiram “quebrar a espinha dorsal da inflação”. Na visão dele, o movimento dos juros futuros na véspera sinalizaram a percepção do mercado de que a Selic vai cair 100 pontos — e não mais 75 pontos, como se acreditava.

Os contratos de juros futuros com vencimento em janeiro de 2018 fecharam estáveis a 8,99%, ao passo que os DIs com vencimento em janeiro de 2021 tiveram alta de 2 pontos-base, a 10,23%. Nesta manhã, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) informou que o IPCA-15 registrou alta de 0,16% em junho, levemente acima da mediana das projeções dos analistas de mercado, que esperavam por alta de 0,11%. Apesar disso, o dado foi menor do que o registrado em maio, quando a inflação atingiu 0,24%. No acumulado de 12 meses, o IPCA-15 ficou em 3,52%.

Os contratos de dólar futuro com vencimento em julho recuaram 0,09%, sinalizando cotação de R$ 3,344. O dólar comercial, por sua vez, fechou com leve alta de 0,11% ante o real, cotado a R$ 3,3391 na venda.

Destaques da Bolsa

Do lado acionário, os papéis dos frigoríficos se destacaram na ponta de baixo do índice com o anúncio de suspensão de toda a importação de carne bovina “in natura” brasileira pelos Estados Unidos. Segundo o departamento de agricultura norte-americano, 11% de todo o produto dessa categoria foi barrada por “preocupações com a saúde pública, condições sanitárias e problemas com a saúde dos animais”.

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A Marfrig (MRFG3) disse que está tomando providências para atender os Estados Unidos, ao passo que JBS (JBSS3) disse que não iria comentar. O ministro da Agricultura Blairo Maggi disse que o governo buscará reverter a decisão tomada pelos norte-americanos. No comunicado, os EUA reconhecem que as autoridades brasileiras já começaram a lidar com o problema.

Ainda no noticiário do setor, fontes ouvidas pela Bloomberg disseram que a JBS está perto de assinar um acordo de renegociação de dívida com seus bancos credores no Brasil incluindo cerca de R$ 22 bilhões de sua dívida total. Nele, a companhia aceitaria fazer um pagamento antecipado em média de 10% da dívida renegociada em troca do alongamento por 12 meses do vencimento da dívida, que tem duração média de 18 meses, disseram as pessoas, que pediram para não ser identificadas porque as discussões são privadas.

Além disso, segundo o jornal O Estado de S. Paulo, o BNDESpar, braço de participações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, pediu a convocação de assembleia de acionistas da JBS na qual pedirá o afastamento definitivo da família Batista da direção e do conselho de administração da empresa, disseram à Reuters duas fontes com conhecimento direto do assunto. Os minoritários na empresa também pretendem cobrar uma indenização da controladora J&F, holding da família que controla a JBS, por prejuízos causados pelos Batista à empresa.

As ações das empresas do setor educacional especulam sobre a entrada de Alexandre Barreto na presidência do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), e com o ingresso do conselheiro Maurício Maia. Acredita-se que esses dois nomes novos possam ter decisão distinta à dos outros membros, que devem vetar a fusão por conta de concentração de mercado.

Por fim, a diretoria da Petrobras espera apresentar em julho ao conselho de administração da companhia proposta de estudos para a abertura de capital da BR Distribuidora, disse nesta quinta-feira o presidente da estatal, Pedro Parente, acrescentando que essa seria, na avaliação dele, a melhor forma de proporcionar mais valor à companhia. “Achamos que temos condições de mercado que são extremamente favoráveis, com múltiplos que são atraentes, para que a empresa considere esta medida”, disse Parente a jornalistas.

Ainda no radar da estatal, o diretor da ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) Aurélio Amaral, disse que o governo federal está estudando uma maneira de retirar da Petrobras a responsabilidade de incentivar o consumo residencial de Gás Liquefeito de Petróleo.

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o índice Bovespa, foram:

 C?d.AtivoCot R$% Dia% AnoVol1
 ELET3 ELETROBRAS ON11,99-4,92-43,2237,11M
 FIBR3 FIBRIA ON34,05-3,57+9,3982,61M
 CMIG4 CEMIG PN7,69-2,66+2,46125,01M
 KLBN11 KLABIN S/A UNT N216,48-2,08-5,4339,79M
 BBAS3 BRASIL ON EJ25,48-2,00-8,14124,78M

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% AnoVol1
 USIM5 USIMINAS PNA4,20+4,22+2,4474,44M
 GGBR4 GERDAU PN9,70+3,63-10,1986,41M
 ESTC3 ESTACIO PARTON15,68+3,43+0,9663,48M
 CSAN3 COSAN ON31,80+3,28-14,5085,28M
 GOAU4 GERDAU MET PN4,66+3,10-2,9258,87M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 CódigoAtivoCot R$Var %Vol1Vol 30d1Neg 
 VALE5 VALE PNA25,37+0,28651,84M522,33M24.136 
 PETR4 PETROBRAS PN11,93-0,91371,51M558,65M24.388 
 ITUB4 ITAUUNIBANCOPN35,49-0,34233,02M424,52M16.755 
 CIEL3 CIELO ON24,67+1,52214,38M145,42M16.982 
 KROT3 KROTON ON14,03+2,63204,61M136,58M19.938 
 CMIG4 CEMIG PN7,69-2,66125,01M53,24M11.855 
 BBAS3 BRASIL ON EJ25,48-2,00124,78M229,17M11.566 
 BBSE3 BBSEGURIDADEON28,30-1,22118,74M126,30M6.759 
 VALE3 VALE ON27,24+0,81118,13M140,29M10.509 
 JBSS3 JBS ON6,26-1,26113,55M231,02M21.631 

* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)
IBOVESPA

Denúncias contra Temer
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, encaminhará na semana que vem uma série de denúncias contra Michel Temer. Janot tem até terça-feira (27) para apresentar os fatos ou arquivar a investigação contra o presidente após na última quinta-feira (22) o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, ter enviado à PGR (Procuradoria-Geral da República) cópia do inquérito contra o presidente.

A primeira denúncia está programada para a próxima segunda-feira (26) e deve ser envolvendo corrupção passiva, acusação que foi apresentada pela Polícia Federal na última terça-feira (20). As outras duas serão por obstrução à Justiça e organização criminosa, tendo como base o depoimento de Lúcio Funaro à Polícia Federal.

Em entrevista ao jornal Valor Econômico, Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, responsável pela defesa do presidente na investigação, trabalha com a possibilidade de Temer se tornar réu. Ele acha que a confiança do Palácio do Planalto de que a Câmara não autorizará a abertura do processo é “contraproducente”. Como se não bastassem as preocupações do governo, olhares de aliados do presidente também acompanham atentos o ex-assessor especial da presidência da República Rodrigo Rocha Loures, preso que pode fechar acordo de delação premiada.