“Pode Entrar” destrava e é boa notícia para construtoras de baixa renda: quais ações são mais beneficiadas?

Plano&Plano, Direcional e Tenda estão entre as mais citadas

Lara Rizério

Reprodução / Direcional

Publicidade

Quase no apagar das luzes de 2023, a prefeitura de São Paulo assinou memorandos de entendimento com incorporadoras para a primeira fase do programa habitacional popular do município de São Paulo Pode Entrar.

Esta primeira fase envolveu construtoras listadas na Bolsa voltadas para a baixa renda: (i) a Plano&Plano (PLPL3) vendeu quatro empreendimentos com 3.640 unidades no valor de R$ 692 milhões; (ii) Direcional (DIRR3) vendeu dois empreendimentos com 990 unidades no valor de R$ 206 milhões; e (iii) Tenda (TEND3) vendeu um empreendimento com 216 unidades no valor de cerca de R$ 45 milhões.

A prefeitura de SP autorizou o programa habitacional Pode Entrar em 2021 (para impulsionar o desenvolvimento de residências populares e combater o déficit habitacional), com o objetivo de adquirir cerca de 40 mil casas de baixa renda (oferecendo condições de compra/aluguel subsidiadas) e pagar aos incorporadores à medida que a construção avance (semelhante ao programa MCMV). As construtoras submeteram projetos por meio de leilão e a “lista de vencedores” final foi divulgada na primeira metade de 2023, com empresas aguardando para assinar contratos de venda desde então.

Masterclass

As Ações mais Promissoras da Bolsa

Baixe uma lista de 10 ações de Small Caps que, na opinião dos especialistas, possuem potencial de valorização para os próximos meses e anos, e assista a uma aula gratuita

E-mail inválido!

Ao informar os dados, você concorda com a nossa Política de Privacidade.

De acordo com verificações dos analistas do BTG, o governo de SP (COHAB) deverá comprar unidades adicionais nas próximas semanas – a Plano&Plano tem 1.907 unidades no valor de R$ 371 milhões selecionadas e disponíveis para venda, Direcional tem um projeto com 655 unidades no valor de cerca de R$ 135 milhões, Tenda tem outras 2.639 unidades no valor de R$ 532 milhões, e a MRV (MRVE3) tem cerca de 6.200 unidades no valor de R$ 1,1 bilhão. A Cury (CURY3) optou por não participar do programa Pode Entrar.

Para os analistas do banco, no geral, esta é uma notícia positiva para os desenvolvedores de baixa renda. Embora a seleção final das unidades elegíveis para o programa Pode Entrar tenha sido anunciada em meados de 2023, atrasos na implementação levaram os analistas e os investidores a deixar o Valor Presente Líquido (VPL) dessas unidades como “opcionalidade” nos modelos de avaliação das construtoras.

Até o momento, o VPL desses projetos como porcentagem do valor de mercado é de 4,6% para PLPL3, 0,8% para DIRR3 e 0,4% para TEND3.

Continua depois da publicidade

Dito isso, os analistas estão otimistas de que mais unidades serão vendidas em breve, representando potencialmente um adicional de 2,5% de valor de mercado para PLPL3, 0,5% para DIRR3, 4,6% para TEND3 e 2,8% para MRVE3.

“Além disso, à medida que a COHAB-SP transfere antecipadamente 15% do valor do projeto, esperamos que esses players se desalavanquem ainda mais no 1T24: (i) PLPL3 (dívida líquida/patrimônio líquido de 20% no 3T23 para -5%), DIRR3 (de 10% para 8%), TEND3 (de 56% para 46%) e MRVE3 (de 66% para 64%)”, avaliam. Os analistas seguem otimistas em relação às construtoras de casas de baixa renda, à luz da sólida dinâmica de lucros e dos valuations atraentes.

Para o Bradesco BBI, o anúncio da Direcional e da Plano & Plano de unidades oficialmente vendidas por meio do programa “Pode Entrar” também é uma notícia positiva para outras companhias, já que agora espera que o programa seja finalmente desbloqueado.

“Embora ainda existam algumas questões pendentes sobre o tratamento contábil, esperamos que essas unidades do ‘Pode Entrar’ tenham uma margem bruta menor (20 a 25%), que deve ser compensada pela ausência de despesas comerciais, apresentando, assim, um impacto líquido positivo no resultado final – e é nesse ponto que nosso foco deve estar”, afirma a equipe do BBI.

O impacto no 4T23 provavelmente será limitado (cerca de 15% de reconhecimento), mas espera-se que ganhe relevância ao longo de 2024, avaliam os analistas.

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.