[podcast]Ibovespa cede ao mau humor externo e encerra com desvalorização de 0,23%

Vale e imobiliárias deram fôlego ao índice, mas produtoras de alimentos trouxeram cautela aos negócios

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SÃO PAULO – Um pregão no qual a instabilidade verificada em Wall Street falou mais alto. Na cena externa, fracos indicadores e tensões envolvendo o segmento de cartões de crédito ofuscaram o ânimo com bancos.

No Brasil, o Ibovespa não resistiu ao mau humor externo e fechou no campo negativo após o rali da véspera. Vale e imobiliárias deram fôlego ao índice, mas companhias produtoras de alimentos trouxeram cautela, com as atenções voltadas à fusão de Sadia e Perdigão.

Mercado internacional


O Senado dos Estados Unidos aprovou medidas objetivando proteger os consumidores de taxas elevadas e de penalidades por atrasos no pagamento das faturas de cartões de crédito.
O setor financeiro foi destaque desde cedo, em meio à notícia que Goldman Sachs, Morgan Stanley e JPMorgan Chase pretendem devolver cerca de US$ 45 bilhões ao Tesouro dos EUA. As três instituições afirmaram que almejam pagar o quanto antes os empréstimos obtidos com o governo.

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E após uma abertura de perdas e uma tarde com leves altas, os principais índices em Wall Street perderam força no fim do dia e encerraram instáveis nesta terça-feira, com Dow Jones e S&P 500 no vermelho.

As bolsas europeias fecharam a terça-feira em alta. As ações do setor financeiro voltaram a apresentar fortes ganhos, assim como os papéis de seguradoras e mineradoras.
Um dos fatores que contribuiu para o bom humor no mercado europeu foi o forte crescimento no índice de confiança do consumidor alemão que, em maio, atingiu seu maior patamar em três anos.

Na Ásia, o índice Nikkei fechou com valorização nesta terça-feira (19), impulsionado por exportadoras e bancos. Na China, a bolsa de Hong Kong também encerrou em alta. A bolsa de Xangai também registrou ganhos e foi influenciada por instituições financeiras e companhias petrolíferas.

A agenda internacional do dia mostrou que o Housing Starts, indicador que mede o número de casas em início de construção nos EUA, veio abaixo do esperado no anualizado de abril, ao registrar 458 mil casas, enquanto a expectativa do mercado indicava 520 mil. Em março, o indicador anualizado revisado registrou 525 mil casas.

O Building Permits para o mês de abril, que mede o número de autorizações para construção de novas casas nos EUA e serve como indicador do nível de atividade econômica do país, mostrou que foram computadas 494 mil permissões. O Número representa um recuo em relação ao indicador revisado de março, que foi de 511 mil. As expectativas do mercado apontavam 530 mil permissões.

Brasil

A despeito dos ganhos da véspera, o Ibovespa acompanhou a instabilidade verificada em Wall Street e fechou no campo negativo. Hoje o mercado repercutiu bastante o anúncio de união entre Sadia e Perdigão, que resultará uma gigante da indústria de alimentos, denominada Brasil Foods.

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Nesta terça-feira os papéis da CPFL Energia lideraram o volume de negócios do benchmark. Especula-se no mercado que a queda das ações de hoje estaria relacionada à venda direta de uma fatia da participação da Bradespar na companhia, a qual não foi confirmada por nenhuma das partes.

O Ibovespa encerrou a sessão em baixa de 0,23%, nos 51.346 pontos. O volume financeiro do índice totalizou R$ 5,63 bilhões.

Na ponta positiva, destaque para as ações da Gafisa, que encontraram espaço para estender os ganhos da véspera. A disparada dos papéis de incorporadoras imobiliárias surgiu após as perspectivas otimistas do Credit Suisse. O banco suíço afirmou que as empresas do setor irão se beneficiar dos incentivos do governo ao segmento e também da queda na taxa de juros.
E apesar da confirmação da fusão entre Sadia e Perdigão, os papéis de ambas figuraram entre as maiores perdas do índice, destaque para a Perdigão, que assumiu a ponta negativa.

As ações preferenciais classe A da Vale e preferenciais da Petrobras, estiveram entre as mais negociadas.

A agenda doméstica desta terça-feira trouxe o IPC-Fipe referente à segunda prévia de maio, que apontou inflação de 0,34%, taxa idêntica à registrada no acumulado da primeira quadrissemana. De acordo com o relatório Focus, o mercado projeta taxa de 0,32% para o resultado mensal.

Câmbio

Indicadores econômicos ruins nos EUA e uma nova intervenção do Banco Central brasileiro no mercado cambial se contrapuseram à predominante trajetória de baixa da moeda norte-americana.
 
O dólar comercial fechou cotado a R$ 2,033 na compra e R$ 2,035 na venda, forte baixa de 1,98% em relação ao fechamento anterior. Trata-se do menor patamar desde o dia 2 de outubro do ano passado. Com esta queda, o dólar acumula desvalorização de 6,78% em maio, frente à baixa de 5,58% registrada no mês passado.