PMIs, Focus, Opep, falas do Fed, BC e Haddad e mais destaques desta segunda-feira

As principais notícias que devem movimentar os bastidores da política, do mundo e dos mercados hoje

Murilo Melo Felipe Moreira

Ativos mencionados na matéria

Fábrica em Dezhou, na China (Foto: Siyi Liu/Reuters)
Fábrica em Dezhou, na China (Foto: Siyi Liu/Reuters)

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Os mercados começam esta segunda-feira (3) atentos à agenda econômica brasileira, que traz como destaque o Boletim Focus, às 8h25. O documento semanal do Banco Central reúne as projeções do mercado para inflação, crescimento e taxa de juros, e será acompanhado com mais atenção depois de uma sequência de indicadores positivos no mercado de trabalho divulgados na semana passada.

Na quinta-feira (31), o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostrou a criação de 213 mil vagas formais em setembro, acima da expectativa de 170 mil. Já na sexta-feira (30), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a taxa de desemprego recuou para 5,6% no trimestre encerrado em setembro, voltando ao menor nível desde o início da série histórica, em 2012. Os números devem influenciar as novas estimativas do Focus sobre crescimento e inflação, especialmente pela tendência de melhora na renda e no consumo das famílias.

Ainda pela manhã, a Fundação Getulio Vargas (FGV) divulga o Índice de Preços ao Consumidor – Semanal (IPC-S) e o Índice de Confiança Empresarial, ambos às 8h. Os resultados ajudarão a medir o humor de empresários e consumidores diante do ritmo da economia.

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A agenda corporativa também ganha espaço. O mercado aguarda a nova leva de balanços do terceiro trimestre (3T25), com resultados de BB Seguridade (BBSE3), Pague Menos (PGMN3), Tegma (TGMA3) e TIM (TIMS3), que divulgam números ao longo do dia.

Nos Estados Unidos, o foco segue na paralisação parcial do governo federal, o shutdown, que completa, nesta segunda, 34 dias. A falta de acordo entre democratas e republicanos sobre o novo pacote orçamentário mantém suspensas as divulgações de indicadores importantes, como o relatório de empregos (payroll), os pedidos semanais de seguro-desemprego e os índices de preços ao consumidor (CPI) e ao produtor (PPI).

A leitura de setembro do Personal Consumption Expenditures (PCE), indicador de inflação preferido do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), também segue sem nova data para divulgação. O atraso dos dados deixa os investidores sem referências sobre o rumo da política monetária americana.

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Mesmo com as limitações causadas pelo shutdown, a segunda-feira traz alguns números privados. Às 11h45, será divulgado o Purchasing Managers’ Index (PMI) da indústria, calculado pela S&P Global. Em seguida, às 12h, sai o Índice ISM da indústria de transformação, e, no fim da tarde, estão previstos discursos de Mary Daly, integrante do Federal Open Market Committee (Fomc), e de Lisa Cook, governadora do Fed.

Já a Opep+ decidiu aumentar produção de petróleo para 137 mil barris por dia em dezembro. Além de dezembro, devido à sazonalidade, os oito países também decidiram suspender os aumentos de produção em janeiro, fevereiro e março de 2026.

O que vai mexer com o mercado nesta segunda

O diretor de Regulação do Banco Central, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, concede entrevista coletiva em Brasília das 10h às 11h30. O evento é aberto à imprensa.

Às 13h30, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, participa de evento da Bloomberg sobre finanças climáticas

Agenda

INTERNACIONAL

Opep+

Os oito países da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e Aliados (Opep+) concordaram em aumentar a produção de petróleo em dezembro em 137 mil barris por dia. O acordo veio em reunião realizada virtualmente neste domingo, 2, para analisar as condições e perspectivas do mercado global. Além de dezembro, devido à sazonalidade, os oito países também decidiram suspender os aumentos de produção em janeiro, fevereiro e março de 2026.

Risco de guerra nuclear

A Organização das Nações Unidas (ONU) e a Organização do Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares (CTBTO) condenaram a intenção dos Estados Unidos de retomar testes de armas nucleares após mais de 30 anos. O porta-voz da ONU, Farhan Haq, alertou que o risco de guerra nuclear “já está alarmantemente alto”. Em Viena, o secretário-executivo da CTBTO, Robert Floyd, afirmou que qualquer teste explosivo “seria prejudicial e desestabilizador para a paz e a segurança internacionais”.

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Sem ataques

O presidente Donald Trump negou na sexta-feira (31) que esteja considerando ataques dentro da Venezuela, após rumores de que os Estados Unidos poderiam ampliar sua campanha antidrogas no Caribe. Nas últimas semanas, Washington reforçou sua presença militar na região com caças, navios e milhares de soldados. O contingente deve crescer ainda mais com a chegada do grupo de ataque do porta-aviões Gerald Ford.

COP30 e EUA

Os Estados Unidos não enviarão autoridades de alto nível para a cúpula climática COP30 no Brasil, informou a Casa Branca à Reuters. A decisão reduz temores de que Washington tente interferir nas negociações da ONU sobre o clima, que ocorrerão em Belém. Segundo o governo americano, o presidente Donald Trump já deixou claro seu posicionamento ao chamar a mudança climática de “o maior golpe do mundo”.

ECONOMIA

Dívida bruta

A dívida bruta do Brasil subiu para 78,1% do PIB em setembro, ante 77,5% em agosto, segundo o Banco Central. A dívida líquida passou de 64,2% para 64,8% no mesmo período. O setor público consolidado teve déficit primário de R$ 17,45 bilhões, resultado próximo das projeções do mercado.

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Leilão de transmissão de energia

A Aneel arrecadou R$ 5,5 bilhões em novos investimentos ao leiloar 1.081 km de linhas de transmissão na B3, na sexta-feira (31), em São Paulo. O FIP Warehouse, do BTG (BPAC11), venceu o maior lote, com deságio de 47,3%. Outros vencedores incluem CPFL Energia (CPFE3), EDP Brasil e Axia Energia (ex-Eletrobras), que arremataram projetos em 12 estados.

Programação normal

A B3 passará a operar em novo horário a partir de segunda-feira (3), após o fim do horário de verão nos EUA e na Europa. O pregão de ações funcionará das 10h às 17h55, seguido de um leilão de fechamento que define o preço final dos papéis até as 18h. O período extra de negociações após o pregão regular, chamado after market, será extinto, exceto em dias de vencimento de opções.

POLÍTICA

Lei antifacção

O governo enviou ao Congresso o projeto de lei antifacção, voltado a conter a expansão do crime organizado. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que dará prioridade à votação da proposta, que mira facções como Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC). A medida foi assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na sexta-feira (31), após reunião com ministros, na mesma semana em que uma megaoperação deixou 121 mortos nos complexos da Penha e do Alemão.

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Consórcio da paz

A ministra Gleisi Hoffmann (PT) criticou o “consórcio da paz” criado por governadores de direita para combater o crime organizado, afirmando que a iniciativa busca causar divisão política e expor o Brasil ao intervencionismo militar dos Estados Unidos. Ela comparou a postura de líderes como Ronaldo Caiado (GO) à de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), acusando-os de agir em favor de interesses estrangeiros. Gleisi afirmou que os governadores deveriam focar na implementação da PEC da Segurança, proposta do governo para a área de segurança pública.

A dívida de Eduardo Bolsonaro

O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) teve seu nome incluído no Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal (Cadin) pela Câmara dos Deputados após não pagar R$ 13,9 mil referentes a faltas não justificadas em março. As ausências ocorreram enquanto ele estava nos Estados Unidos, antes de protocolar licença oficial. Com 39 faltas, ele se aproxima do limite que pode levar à perda do mandato.

(Com Agência Brasil, Reuters e Estadão Conteúdo)