Fato real

PMDB já tem plataforma para desembarcar do governo

Os peemedebistas já pressionam o vice Temer com mais vigor para deixar a articulação política e articulam o discurso de que falta um projeto de desenvolvimento a Dilma. A política resume-se ao ajuste fiscal

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É aquela história: muitos antes pelo contrário, por via das dúvidas…

Apesar das aparências, às vezes nem tão aparentes, e das juras de fidelidade, o PMDB já tem o discurso prontinho para começar o desembarque, mais ou menos organizado, do governo, caso o ambiente político se agrave para a presidente Dilma Rousseff e/ou a economia continuar patinando como está, sem um horizonte razoável para a luz aparecer no fim do túnel.

Recentemente, um peemedebista de escola – homem de copa e cozinha do presidente da sigla e vice-presidente da República, Michel Temer -, o ex-ministro da Aviação Civil e presidente da Fundação Teotônio Vilela, Wellington Moreira Franco, chegou a dizer que não conseguia ainda nem ver o túnel, que dirá a luz. O PMDB está com medo de entrar no túnel e dar de cara com um trem vindo em direção contrária.

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Assim, o prazo estabelecido para saltar do navio pelos peemedebistas começa em meados de agosto, com o desenlace até outubro no mais tardar. É para quando se espera, pelo andar da carruagem, o pacote inicial de ajuste fiscal do ministro Joaquim Levy, com as mudanças na desoneração da folha de pagamentos definitivamente aprovado. Moreira Franco disse anteontem que o compromisso do partido é com o ajuste fiscal. Depois…

Este prazo, porém, poderá ser abreviado. A pressão para que Michel Temer jogue no ringue político a toalha da articulação política cresceu consideravelmente nas últimas semanas. Quem mais pressiona ainda é o presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Ontem, em Cuiabá, o parlamentar carioca disse novamente que não quer o PMDB mais junto do PT. Mas a pressão já vem também de gente muito próxima do vice. O gesto de Temer de dar por encerrada sua missão depois da aprovação da “reoneraçao fiscal”, mesmo que cercado de todos os cuidados, seria o sinal para o início da debandada peemedebista.

Mesmo com todas as suas habilidades e cautelas, sutilmente Temer já procura marcar suas diferenças em relação à presidente – de estilo e modos. Veja-se o que ele disse, já sentado na cadeira presidencial por causa da viagem da presidente, sobre os “atritos” Dilma-oposição, com referência às declarações de Dilma à “Folha de S. Paulo”. É crítico e soa mais crítico ainda depois que a presidente insistiu no assunto, em entrevista na Rússia:

“Devemos pensar no Brasil. A oposição existe também para ajudar a governar, mesmo quando critica. Temos que fazer uma grande unidade nacional, mais do que nunca é necessário o pensamento conjugado dos vários setores da nacionalidade, portanto, dos vários partidos políticos, para que caminhemos juntos em beneficio do Brasil. Não vale a pena levar adiante essas discussões.”

O discurso para justificar a saída já está sendo ensaiado com capricho. O PMDB quer o governo apresente rapidamente uma proposta de desenvolvimento para o país que vá além do simples ajuste fiscal do ministro Joaquim Levy. Acham os peemedebistas, como disse sintomaticamente o mesmo Moreira Franco à jornalista Beth Cataldo, que falta ao governo um projeto de Brasil, falta apontar perspectivas para o futuro. E pelo que disse Moreira em duas entrevistas seguidas, é este o túnel que ele e os peemedebistas não estão vendo.

O PMDB poderá inaugurar sua independência votando a favor do projeto do senador tucano José Serra com alterações nas regras do pré-sal. Aliás, PMDB, Serra, Renan Calheiros e Michel Temer andam muito próximos, muito amiguinhos. PT e algumas pessoas do PSDB, por sinal, andam estranhando essa inusitada amizade. Os gestos de “independência” peemedebista tendem a se tornar cada vez mais freqüentes e explícitos.

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O PMDB, porém, não veria de todo mal uma co-presidência com Dilma nesta altura das dificuldades presidenciais. Aliás, também o sonho de Lula.