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SÃO PAULO – O mercado tem se mostrado dividido entre o otimismo e a dúvida desde o anúncio do plano do Tesouro dos EUA para ajudar o setor bancário do país. Há quem aposte que essa seja a solução para os problemas dos bancos, há quem acredite que a estratégia não irá funcionar.
Considerando que “a proposta do Tesouro para aliviar os bancos de ativos tóxicos em um esforço combinado entre o setor público e privado é um passo na direção correta, mesmo que tenha demorado muito tempo para acontecer”, Tom Sowanick, CIO (Chief Investment Officer) se posiciona do lado dos otimistas.
Segundo ele, a intervenção do governo norte-americano irá criar um mercado para ativos ilíquidos, ao mesmo tempo em que irá restabelecer um programa de empréstimo para o setor privado. Um passo positivo que, de acordo com a avaliação de Sowanick, deverá levar a um forte rali no mercado de ações e promover uma redução nos spreads de crédito.
A falência de Wall Street
“Antes de nos perdermos nesta recém encontrada euforia, nós precisamos nos voltar à questão básica de que Wall Street permanece falida e talvez irá permanecer assim por muitos meses, se não por muitos anos, pela frente”, alerta o economista. “Ela está falida no sentido de que sem a abrangente intervenção da mão do governo, Wall Street como a conhecemos seria efetivamente fechada”.
Conforme relatório escrito por Sowanick, o cenário atual leva a ideia de liberdade de mercado a enfrentar a ideia de que a auto-regulação não é suficiente para impedir problemas como fraude e ganância. Para ele, os investidores estão frente a uma pergunta básica: quanto eles estão dispostos a sacrificar da liberdade de mercado para manter a proteção que o governo está fornecendo.
Os programas federais podem não agradar, mas por enquanto são soluções de curto prazo para um problema significativo do mercado financeiro. “O fato fundamental de que Wall Street é significativamente menor do que o tamanho coletivo dos investidores institucionais do buy-side deixa o sistema financeiro exposto ao risco sistêmico caso a regulação de agências de rating até hedgle funds não seja fortalecida”, conclui o economista.