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SÃO PAULO – Algo a mais chamou atenção nas medidas de socorro anunciadas pelo governo britânico na segunda-feira (24). Além de tradicionais cifras de estímulo à economia, a equipe de Gordon Brown revelou também a repercussão através de alguns custos futuros.
Segundo o ministro das Finanças, Alistair Darling, a disciplina com as contas públicas precisa voltar depois de confirmada a recuperação. Por exemplo, através do aumento de 40% para 45% na taxa cobrada dos que ganham mais de £ 150.000. Além de arrecadação extra com seguridade social e corte nos gastos públicos.
Embora a honestidade no trato com os custos seja elogiável, ela traz um efeito colateral. Conforme previsto pela Equivalência de Barro-Ricardo, incentivos fiscais no presente acompanhados de exigências fiscais no futuro podem implicar políticas econômicas ineficazes por parte do setor público.
Cientes de que o dinheiro a mais agora será exigido amanhã, a sociedade não enxerga socorro algum e poupa em vez de gastar, aguardando as restrições anunciadas.
Visão acadêmica
Proposta por David Ricardo no início do século XIX e complementada por Robert Barro em 1974, a Equivalência representa um marco da teoria neoclássica fundamentada em expectativas racionais. Sob essa ótica, os agentes econômicos usam as informações disponíveis, calculam conseqüências e trazem-nas a valor presente.
Não à toa, os argumentos de Ricardo e Barro representam polêmica frente a estratégias keynesianas de intervenção pública. Críticos lembram que a ineficácia destacada depende de premissas sem lastro empírico.
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Hipóteses por trás incluem eficiência do mercado de capitais, preocupação com gerações futuras e despesas do governo fixadas. Talvez por isso Darling tenha enfatizado o compromisso com menores gastos à frente como fator de maior interesse.