Planner acredita que privatização da Cesp é só uma questão de tempo

Para analista, novo controlador poderá ter significativos ganhos com redução de despesas e benefícios fiscais

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SÃO PAULO – Os rumores sobre a privatização da Cesp (CESP6) têm se intensificado nas últimas semanas e há uma grande expectativa do mercado em relação ao processo. Para a Planner, o governo de São Paulo conseguirá negociar a Cesp e a concretização é “apenas uma questão de tempo”. Assim, a corretora recomenda compra para as ações da companhia, com preço-alvo de R$ 32,60, o que representa um potencial de valorização de 12% com base no último fechamento.

O analista da corretora, Rafael Andreata, acredita que o interesse privado nos ativos da estatal, a necessidade de caixa por parte do governo estadual e a renovação das concessões abrirão espaço para que as negociações sejam retomadas e, dessa vez, concluídas. “Enxergamos que um novo controlador da empresa poderá ter significativos ganhos através da redução de custos e despesas, ganhos fiscais, renegociação de seu endividamento, expansão de seu parque gerador e otimização de sua estrutura de capital “, indicou.

A necessidade de privatizar
O governo de São Paulo precisa fazer caixa, em virtude do foco na infraestrutura e no aumento dos investimentos. Do ponto de vista da rentabilidade, a Cesp não é a menina dos olhos do governo, porque apresenta um alto endividamento e tem custos elevados. Porém, seus ativos são bem avaliados por agentes privados, uma vez que possuem um grande potencial de valorização.

A grande dificuldade para a privatização da empresa, até agora, foram as concessões de duas usinas de seu parque gerador, em Ilha Solteira e Jupiá, que vencem em 2015. Na década de 90, o governo tentou negociar a Cesp com a iniciativa privada, dentro do Programa Estadual de Desestatização, mas as três tentativas falharam, a última delas em 2008. 

Novidades no noticiário em 2011
Na ocasião, sob os rumores de que o processo se concretizaria, as ações chegaram a disparar na bolsa. Porém, a informação de que o leilão de privatização não aconteceria, por falta de interessados, foi mal recebida pelo mercado e refletida no péssimo desempenho dos papéis da companhia. 

Porém, em 2011, a questão do vencimento das concessões envolve ativos de outras estatais, como usinas do grupo Eletrobras (ELET6), Copel (CPLE6) e Cemig (CMIG4). Portanto, ” há um grande interesse do governo federal em manter essas usinas do grupo Eletrobras sob seu controle”, afirmou o analista. Isso faz com que, possivelmente, o governo federal opte pela renovação dessas concessões.

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Condições
Certamente, algumas condições serão impostas para que haja a renovação. Segundo Andreata, a primeira delas deve ser uma limitação do volume negociado entre mercado regulado e mercado livre, numa proporção de 80/20, de acordo com as estimativas da Planner. 

A outra, possivelmente, será o estabelecimento de um preço máximo para o mercado regulado em torno de R$ 70,00/MWh, uma vez que os ativos necessitam de investimentos em manutenção e expansão. Valores superiores, segundo Andreata, indicariam sinal negativo no mercado.

Possibilidades de negociação
A corretora trabalha com duas possibilidades para a privatização. De acordo com o analista, o processo pode ser feito por meio de um leilão para a venda a grupos privados, organizado pelo governo estadual por meio de licitação pública, de modo que o preço chegaria a até R$ 50,00 por ação.  

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Outra possibilidade é que a negociação seja feita junto com a Eletrobras, nos moldes do ocorrido em 2008 entre Banco Nossa Caixa e Banco do Brasil. O analista acredita que, nesse caso, a falta de competitividade poderia derrubar o preço das ações para patamares abaixo da expectativa, entre R$ 45 e R$ 50 por ação.

De qualquer forma, segundo a análise da corretora, tudo leva a crer que a negociação ocorrerá, mais cedo ou mais tarde.