PL da indústria doméstica de fundos segue crescendo mais que saldo da poupança

Entre 1998 e abril de 2009, o PL deflacionado dos fundos do País praticamente triplicou, chegando a R$ 1,2 trilhão

Aprenda a investir na bolsa

SÃO PAULO – Em consonância com a captação positiva e com a rentabilidade acumulada nos primeiros meses de 2009, os números acumulados nos últimos anos também comprovam que a indústria brasileira de fundos de investimento vem crescendo de forma significativa.

Prova disto é que, entre 1998 e 2008, o patrimônio líquido total (PL) dos fundos de investimento do País quase triplicou, passando de R$ 403 bilhões para R$ 1,120 trilhão (em moeda constante, deflacionada pelo IGP). No mesmo período, o número total de fundos de investimento teve um expressivo salto de 2.641 para 8.273.

Paralelamente a estes números, a comparação do saldo da poupança do Brasil com o PL dos fundos nos últimos anos também chama a atenção para o vigor do mercado doméstico no período em questão.

Aprenda a investir na bolsa

Para uma melhor avaliação, a tabela abaixo mostra a evolução do patrimônio líquido total dos fundos de investimento existentes no País desde o final de 1998 até o acumulado em abril de 2009, além da relação deste resultado com o saldo da poupança doméstica. Confira:

PeríodoPL Fundos*
(R$ bilhões)
Saldo da Poupança /
PL total dos fundos (%)
1998403,73473,09
1999507,12950,12
2000618,16037,61
2001645,41534,46
2002541,10739,22
2003713,37127,73
2004756,06125,79
2005895,56522,83
20061.098,53920,01
20071.270,15720,32
20081.121,33523,79
2009**1.218,85522,59

*Em moeda constante do último mês, deflacionado pelo IGP
**Ao final de abril

Os números da Anbid (Associação Nacional dos Bancos de Investimento) mostram que a relação entre o saldo da poupança e o PL total dos fundos do País vem diminuindo ano a ano – com exceção de 2002 e 2008, quando a indústria foi penalizada pelas turbulências no mercado. Ou seja, pode-se concluir que o PL dos fundos brasileiros vem crescendo nos últimos anos mais do que a poupança.

Por outro lado, cabe lembrar que, diante da recente redução da taxa básica de juros e da consequente migração das aplicações em fundos de investimentos para a poupança, o governo Lula anunciou que as alocações na caderneta acima de R$ 50 mil serão tributadas com o Imposto de Renda sobre a rentabilidade a partir de 2010. A medida ainda deve passar por aprovação do Congresso.

Em adição, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, também anunciou que o governo irá reduzir a cobrança do IR dos fundos de investimento. “A redução [da alíquota] será graduada, de acordo com a queda da Selic”, afirmou o ministro. Como exemplo, ele afirmou que, se a taxa básica de juro cair de 10,25% ao ano para 9,25% ao ano, o IR sobre os fundos terá de cair 7,5 pontos percentuais, passando de uma alíquota de 22,5% para 15%.

Recuperação continua em 2009

Mudanças à parte, o quarto mês de 2009 foi favorável ao mercado de fundos: ao final de abril, o PL total doméstico acumulava crescimento de 8,69% frente ao registrado no final do mês anterior. No mesmo sentido, o número de fundos do país – 8.294 ao final do último mês – também cresceu na mesma base de comparação. Veja mais:

PeríodoPL Fundos*
(R$ bilhões)
Saldo da Poupança /
PL total dos fundos** (%)
Maio/20081.287,96219,87
Junho/20081.252,75020,29
Julho/20081.204,20421,03
Agosto/20081.179,04121,54
Setembro/20081.164,92622,15
Outubro/20081.110,16423,28
Novembro/20081.106,89023,48
Dezembro/20081.121,33523,79
Janeiro/20091.139,99023,61
Fevereiro/20091.152,60623,56
Março/20091.172,07023,25
Abril/20091.218,85522,59

PUBLICIDADE

*Em moeda constante do último mês, deflacionado pelo IGP
**Divisão do saldo da poupança com o PL dos fundos ao final de cada mês

A evolução negativa do patrimônio líquido ao longo de 2008 evidencia aquele que foi o pior ano da década para a indústria brasileira de fundos, principalmente em função dos impactos da crise internacional de crédito. No entanto, o desempenho da indústria nos quatro primeiros meses de 2009 sustenta uma perspectiva bem mais animadora para o restante do ano.