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A Pirelli e a Benetton, que recentemente anunciaram a aquisição do controle da Olivetii, podem estar renegociando os termos do acordo da operação. A Olivetti é a holding que controla a Telecom Itália, uma das empresas mais importantes do setor de telecomunicações com atuação global. O motivo seria a forte quedas dos papéis do setor de telecomunicações nas últimas semanas. A transação foi anunciada há pouco mais de um mês e poderia chegar a US$ 6,46 bilhões.
Pelo acordo, o consórcio liderado pela Pirelli ofereceu € 4,17 por ação da Olivetti para adquirir uma fatia de 28% da companhia. No entanto, a oferta não obteve a aprovação dos demais acionistas da Pirelli, que lidera o consórcio do qual fazem parte a família Benetton, o Banco Unicredito e o IntesaBCI. Segundo fontes de mercado, o acordo poderia ser refeito, já que estes investidores não teriam sido informados corretamente acerca da proposta de redução das pesadas dívidas que tanto a Olivetti como a Telecom Italia ostentam.
A Pirelli prometeu apresentar a estratégia de redução após a aprovação do negócio pela União Européia, e neste intervalo de tempo os investidores penalizaram severamente as ações da Olivetti. Os papéis caíram 60% em relação preço anterior ao anúncio da oferta da Pirelli, em 29 de junho. Desta forma, as ações da Olivetti estão negociando a menos de um quarto do preço da oferta e a Pirelli quer revisar os termos da operação, já que essa possibilidade existe, considerando que as partes ainda não finalizaram oficialmente o negócio. Entre outros motivos da intenção de rever a operação estaria ainda, o aumento de 10% na dívida da Telecom Italia no primeiro semestre, que está próxima a € 25 bilhões.
A Pirelli ainda não se manifestou sobre mudanças na oferta, mas analistas acreditam que pode haver a vinculação de ações ao pagamento ou ainda condicionar o pagamento ao desempenho das ações da Olivetti. Este negócio marca o fim da conturbada administração de Colaninno, que em 1999 elaborou uma complexa engenharia financeira que possibilitou à Olivetti fazer uma das ofertas mais hostis aos acionistas na história européia e assumir o controle da quarta maior empresa de telecomunicações do continente. A Telecom Itália é uma das telefônicas com maior presença no Brasil ao lado da Telefónica de Espanha.
A Telecom Itália possui participação acionária em várias empresas. Ela é uma das sócias da Brasil Telecom, que opera telefonia fixa no Sul e Centro-Oeste do Brasil além dos estados de Acre e Rondônia, e controla várias empresas de telefonia celular de banda A através de sua subsidiária TIM, a Telecom Italia Móbile, entre elas a Tele Celular Sul (Paraná e Santa Catarina) e a Tele Nordeste Celular (6 estados do Nordeste brasileiro). Além disto, a empresa possui participações na telefonia celular de banda B através da Maxitel nos estados de Minas Gerais, Bahia e Sergipe e recentemente adquiriu novas licenças do sistema SMP que proporcionarão à TIM se tornar a primeira companhia de telefonia celular com cobertura em todo o território nacional.
Este episódio mostra que a consolidação do setor de telecomunicações no mundo está sendo dificultada por conta das condições adversas que o mercado tem apresentado nos últimos meses. A questão passa sem dúvida pelo equacionamento das altas dívidas que as empresas do setor de um modo geral apresentam e da forte redução das expectativas de crescimento do mercado de telecomunicações no mundo. No Brasil, o mesmo aconteceu com as ofertas de recompra da Portugal Telecom na Telesp Celular e da Telefónica Móviles pela CRT Celular, que acabaram sendo canceladas há duas semanas atrás.