Efeito juros

Pior maio do varejo em 14 anos derrubou 3 ações e fez outras 5 dispararem; entenda

As 4 maiores altas do Ibovespa nesta terça-feira "comemoraram" o fraco desempenho do varejo em maio

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SÃO PAULO – As maiores altas do Ibovespa nesta terça-feira (14) podem até ser uma surpresa para alguns investidores, mas um dado divulgado nesta manhã ajuda a entender como Eletrobras, Ecorodovias e Oi lideraram os ganhos neste pregão. Hoje o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostrou que as vendas do varejo tiveram queda de 0,9% em maio ante abril, no maior recuo para o mês desde 2001.

Já a queda de 4,5% nas vendas em relação ao mesmo período de 2014 foi a maior desde agosto de 2003, recuando 5,7%. Mas como isso pode ajudar estes papéis? A explicação fica para o entendimento do mercado de que, com essa piora no varejo, o ciclo de altas da taxa de juro básica, a Selic, pode realmente estar chegando ao final. Com uma queda do consumo, o reflexo na inflação deve ser menor, favorecendo o fim da alta dos juros.

Segundo o analista Celson Placido, da XP Investimentos, o raciocínio faz sentido. Segundo ele, começa a ganhar força a opinião de que na reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) que ocorre agora nos dias 28 e 29 de julho, deve ocorrer mais uma alta de 0,5 ponto percentual, para em setembro o Banco Central encerrar o ciclo e não elevar a Selic.

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Com isso, dois grupos de ações que são prejudicadas com os juros altos, acabam voltando a atrair a atenção do investidor: são estas as empresas com alto endividamento e as administradoras de shopping centers e concessionárias de rodovias. No primeiro grupo, destaque para a Eletrobras (ELET3, R$ 6,17, +3,87%; ELET6, R$ 9,04, +4,27%) e a Oi (OIBR4, R$ 5,56, +3,35%), que ficaram entre as três maiores altas do dia.

No segundo grupo ficam a Ecorodovias (ECOR3, R$ 7,55, +4,86%) e a CCR (CCRO3, R$ 15,57, +1,76%). Estas empresas tendem a conseguir uma TIR (Taxa Interna de Retorno) superior aos juros pagos da dívida. Porém, quando os juros sobem, a diferença entre o ganho da TIR em relação ao custo da dívida diminui. Ou seja, em um cenário onde os juros pelo menos não aumentarão mais, estes ativos voltam a ter mais atratividade, ainda mais considerando a recente queda destes papéis.

Há também o outro lado. Com um desempenho tão fraco do setor, as varejistas fecharam o dia em queda nesta terça, com destaque para a Via Varejo (VVAR11, R$ 9,71, -5,64%), Lojas Renner (LREN3, R$ 114,00, -1,47%) e Marisa (AMAR3, R$ 9,02, -3,32%)