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SÃO PAULO – Os investidores terão que se adaptar às mudanças de conjuntura dos países desenvolvidos e dos emergentes se quiserem prosperar, em meio à forte dinâmica de crescimento global. É o que aponta os gestores da Pimco, David Fisher e Julie Salsbery.
Para eles, será preciso não só uma abordagem mais abrangente para a análise da dívida soberana entre os países, mas também o pensamento estratégico para a busca de retornos financeiros.
Para eles, as relações e condições entre os países estão cada vez mais alinhadas. Com isso, deve-se pensar nas qualidades e características de crédito de cada país do que nas tradicionais suposições ou definições. “Em outras palavras, aqueles atributos que melhor posicionavam um país para ser capaz de atender as suas dívidas – balanços fortes, baixa alavancagem e potencial de crescimento robusto – deve ser buscada independentemente do fato de ser uma nação emergente ou desenvolvida”, afirmam.
A Pimco avalia que a crise financeira tem se tornado mais ampla e profunda do que o previsto. Mas ao mesmo tempo, trouxe a percepção de que os emergentes estão sentindo um impacto bem menor sobre as suas economias do que as economias mais avançadas do mundo.
Para os gestores, esta experiência está em contraste gritante com as crises anteriores, além de ser constatada uma redução da vulnerabilidade destes países com relação à crise. Com isso, as definições de qualidade de crédito soberano não podem mais ser identificadas, ofuscando as diferenças entre os dois grupos.
Mudança de conjuntura
Atualmente, a situação parece ter mudado, com os mercados desenvolvidos enfrentando problemas para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto), enquanto os emergentes conseguem maior estabilidade de suas finanças. Assim, a sustentabilidade não se define por essa classificação emergentes-desenvolvidos, sendo a zona do euro o exemplo mais claro desta mudança.
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Fisher e Julia também apontam os benefícios da emissão de dívida em moeda nacional, caso dos EUA e de muitos outros países desenvolvidos. Entretanto, os países da zona do euro têm dificuldade em emitir dívida sustentável. Por outro lado, Brasil e México também precisam atrair moeda estrangeira para pagamento da dívida, o que torna mais difícil separar as diferenças entre emergentes e desenvolvidos.
A demografia também torna difícil separar as nações desenvolvidas das emergentes. O envelhecimento da população em muitos países desenvolvidos representa um vento contrário para o crescimento sustentado e, de fato, é uma das razões para uma menor taxa.
Fisher e Julia ressaltam que o Japão tem a população mais velha do mundo e enfrenta uma população em idade de trabalho em constante declínio. Enquanto isso, em contraste, o Brasil tem uma baixa idade média combinada com uma população em idade de grande e crescente de trabalho.
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Entretanto, a comparação Brasil-Japão não significa necessariamente que as nações emergentes têm uma base demográfica melhor em comparação com as nações desenvolvidas. Os gestores citam o caso da China, cuja política de um só filho tem entravado as taxas de natalidade ao longo dos últimas décadas e que enfrenta um desafio não muito diferente do Japão.
Já os EUA enfrentam uma maior taxa de crescimento demográfico, devido à alta taxa de natalidade esperada e a forte imigração no país, aumentando a população em idade ativa nos próximos anos.
Diferenças cada vez menores entre países
Além das taxas demográficas e do crescimento econômico, as reservas de moeda estrangeira também mostram um cenário mais indefinido, avaliam os gestores da Pimco, devido ao forte aumento das reservas dos países subdesenvolvidos na última década.
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Esta mudança pode beneficiar os países desenvolvidos, uma vez que funcionam como uma proteção em caso de interrupção dos fluxos internacionais de moeda, apontam os festores.
Por fim, eles citam os riscos políticos, que sempre foram associados aos emergentes que enfrentavam bruscas mudanças de regime e até golpes violentos. Apesar de alguns riscos ainda existirem – caso do Oriente Médio – as distinções não estão mais tão claras.
Primeiramente, a democracia ganha uma maior posição global, sendo que o risco político diminuiu para muitas nações emergentes. Eles citam o exemplo do México, em que o resultado da eleição não inviabiliza as perspectivas fiscais ou econômicas do país.
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Por outro lado, as eleições na França e Alemanha mudam, ainda que gradualmente, as projeções para o futuro das nações. Já na Grécia, o impasse eleitoral teve o potencial de influenciar os mercados da zona do euro inteira, avaliam.
Enquanto isso, nos EUA, a atividade econômica produziu uma profunda polarização entre os partidos democrata e republicano, representando um risco político que levou a rebaixar a nota de crédito do país em agosto.
“Como resultado, o potencial para mudanças políticas de impacto substancial sobre a dívida soberana já não pode ser simplesmente definido somente entre países desenvolvidos e emergentes”, concluem os gestores.