Pimco afirma que rendimentos de dois dígitos são coisa do passado

Investidores deverão resignar-se com retornos bem menos robustos; "7 anos de fartura serão seguidos por 7 anos de pobreza"

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SÃO PAULO – “Um futuro de baixos retornos aos investimentos e um monte de problemas para aqueles que esperam mais, é isto que está por vir”. A frase resume as desanimadoras projeções da Pimco que, lançando mão de uma passagem bíblica afirma: “sete anos de fartura serão seguidos por sete anos de pobreza”.

Na visão de Bill Gross, diretor-gerente da gestora, o mercado entrou em um “novo normal”, fase na qual os investidores deverão dizer adeus aos retornos de dois dígitos, uma vez que alavancagem e desregulamentação estão gradualmente “sumindo no horizonte e seus opostos polares estão em ascensão”.

Um dígito apenas
Em suas perspectivas de investimento, Gross prevê que os retornos de investimento no futuro serão “muito menores” do que a média histórica e os investidores deverão resignar-se a “altas de apenas um dígito.”

Ele observa que os rendimento dos títulos de dívida estão “anêmicos” devido às baixas expectativas de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) e da inflação nas economias desenvolvidas.

PIB fraco, retorno fraco
“Mesmo para os mais selvagens investidores de Wall Street e nas bolsas do mundo inteiro, será extremamente duro alcançar taxas de retorno de 12%, face a uma taxa de crescimento do PIB nominal da ordem de 2% a 3%”, comentou.

Políticas
Gross sugere que o melhor fundamento na atual e futura conjuntura seria um “investimento à moda antiga, em produção”. No entanto, avalia que isto levaria muito tempo e requer uma maior dose de coragem política.

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O executivo da Pimco vê como pouco provável uma brusca alteração no quadro político, prevendo que deverão ser implementadas ainda mais medidas de estímulo quantitativo. Para ele, a esperança é que o setor privado utilize seu o capital na forma de investimentos e consumo.

Década perdida?
Ele observa que os mercados estão duvidando de que tal receita venha a ter êxito, com a economia global assemelhando-se à década perdida do Japão. “Os investidores deverão confrontar-se com 2,5% de rendimento em títulos e ações, olhando diretamente em normais as taxas de crescimento real de 2 por cento ou menos”.