PIB mundial cresce 1,5%. Só isso não dá samba, mas…

A economia mundial tem previsão de crescimento de 1,5% neste ano, refletindo as respostas do G7 ao quadro recessivo

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PARIS – Carnaval não é época para falar de economia ou, se formos obrigados, vamos com calma. Sem grandes sustos, nem pessimismos exagerados para não estragar a festa e a visão das mulatas rebolando no sambódromo do Rio. Mas, estes dias de folia, para uns, descanso, para outros – não sei bem onde se situa o meu leitor… – são também para a gente meditar um pouco no que nos espera, no Brasil e no mundo, neste ano que está aí se iniciando com uma carinha mais animada. Um pouco de realismo temperado com otimismo cauteloso não faz mal a ninguém – ao contrario, só ajuda a não sermos pegos de surpresa na curva da estrada que passa por caminhos ainda indefinidos, nos EUA e na Europa.
Safra de previsões

Começam a surgir nesta semana as primeiras previsões oficiais quanto ao desempenho das principais economias. Está tudo girando em torno de 1% e 1,5%. Nos EUA, Bush enviou mensagem ao Congresso prevendo um crescimento do PIB de 1%, em 2002. Político cauteloso prefere prever menos para poder glorificar-se se for mais. E sabe que até está certo? O secretário do Tesouro, Paul O’Neill, critica o Japão e o resto do mundo desenvolvido, afirmando que “os EUA estão fazendo a sua parte, já superaram o pior e esperam que cada um dos membros dos G7 faça o mesmo”. Só que até agora ninguém fez nada…
França, realista

Na França, o ministro das Finanças, Laurence Fabius, também enviou o seu orçamento ao Congresso revendo o PIB deste ano de 2,3% para 1,5%. Só? Sim, diz ele, acrescentando “que é preciso apresentar previsões confiáveis”, e não vagas estimativas. Evidentemente, neste ano há eleições presidenciais na França e ninguém quer criar expectativas frustrantes. Se nos próximos meses a situação melhorar, ele poderá sempre falar em 2%. Como Bush, ele prefere rever de novo para cima do que para baixo. Afinal, ele não acredita muito no sopro que vem de Washington e se baseia mais na reação do consumo interno, hoje estagnando, que representa 54% do PIB francês.

Ainda mais: o desemprego francês continua aumentando, com mais de 2 milhões de pessoas na folha de assistência do governo, pressionando o déficit amarrado pelo acordo de Maastrich em 3% do PIB.
União Européia não repete erro

Neste fim de semana, a comissão européia pôs a carinha de fora para bater. Ao contrário do ano passado, quando todos afirmavam que a comunidade era imune à retração americana e continuaria crescendo alimentada pelos 80% do comércio intra-regional, desta vez os eurocratas fecharam-se em copas. “A economia européia está entrando numa recuperação modesta e deve crescer entre 0,1% e 0,4% no primeiro trimestre.” E depois? Se houver recuperação maior será lá pelo último trimestre do ano… Isso depois de haver registrado em 2001 o menor crescimento em 5 anos, 1,6%, admitem, meio envergonhados, os eurocratas bem remunerados.

Alemanha, a esperança

As atenções continuam centralizadas na Alemanha, onde começam a surgir sinais mais positivos. A produção industrial cresceu 1,9% em novembro. Mais importante, foi puxada não pelas exportações ou construção civil, mas pelo consumo de bens, que registrou um aumento de 3,9%. As encomendas em janeiro também deram um salto e tudo indica que, a exemplo dos Estados Unidos, ali também o pior deve estar passando. “Já existe uma luz no fim do túnel, não está ainda muito clara, mas esperamos uma reativação da economia no segundo semestre”, afirma Manfred Fuchs, executivo-chefe da Fuchs Petrolub AG, que produz para o setor automobilístico. O grupo ThysenKrupp, maior fabricante de aço da Alemanha, confirma “que há indicações de mudança para melhor”.

O dado divulgado pelo Ministério das Finanças, na sexta-feira, “o terceiro, nas últimas duas semanas, indica que o pior passou. Os executivos estão mais otimistas do que há cinco meses e as ordens deram o maior salto dos últimos dois anos”, revela pesquisa feita pela agência Bloomberg entre os empresários alemães. A maioria admite que a recessão passou, que os 0,6% de crescimento do PIB ficou para trás, mas persiste a expectativa sobre o que o Banco Central Europeu irá decidir a respeito da redução das taxas de juros. Mas, certamente, o PIB irá crescer neste ano mais de 1%. Quanto mais melhor, pois, sem a Alemanha, que representa 33% do PIB da comunidade, não há recuperação européia.

Na Inglaterra, a previsão oficial é a de que o PIB recue de 2,3% para 1,8%, neste ano, atingido pela retração européia e americana. E isso graças ao consumo interno, 60% do PIB, sustentado pelo menor nível de desemprego dos G7, apenas 5,7% da força de trabalho.

E o Brasil?

Visto do início de fevereiro, a economia mundial, neste ano, deverá crescer no máximo 2%, se tanto, numa espécie de ressaca do carnaval terrorista e da indiferença das autoridades monetárias européias e asiáticas diante da forte desaceleração americana. Mesmo assim, poderia ser pior. Espero que isso não estrague seu carnaval, caro leitor que chegou até aqui, mesmo porque, se você notou, não falei nada sobre o Brasil… Afinal, festa, é festa e temos que respeitá-la… E vamos ao samba, ou apenas ver o povo sambar…Na quinta-feira, a gente conversa…

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