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SÃO PAULO – Retração significativa, mas surpreendentemente positiva. É com este olhar que o mercado mensura o PIB (Produto Interno Bruto) final dos EUA, ao passo que a soma de todos os bens e serviços finais produzidos na economia norte-americana no último trimestre revelou contração de 6,3%, enquanto projeções dos analistas indicavam recuo na casa dos 6,6%.
“O declínio no PIB real durante o quarto trimestre do ano passado reflete as contribuições negativas das exportações, do consumo das famílias e do investimento fixo residencial, que foram parcialmente compensados por uma influência positiva dos dispêndios do governo federal”, explicou em comunicado o Departamento de Comércio, acerca da maior baixa do nível de produto desde 1982.
Estoques e consumo prejudicam
Dentre as variáveis do PIB, o consumo prepondera sobre as outras, por sua participação (cerca de dois terços) sobre o produto final. A baixa deste componente foi da ordem de 4,3% – maior desde 1980. No entanto, o fator que mais contribuiu para a revisão descendente foram os estoques, uma vez que as companhias cortaram US$ 25,8 bilhões deles, enquanto o dado anterior apontava recuo de US$ 19,9 bilhões.
Num viés pormenorizado, os dispêndios com bens duráveis amargaram intensa redução de 22,1% nos três meses finais do ano passado, o que se explica em parte pelo congelamento do crédito vigente. Outro pilar preocupante foi o componente dos investimentos, ao passo que a baixa de 23% deixa clara a pressão existente nos orçamentos das corporações, que agora se adaptam à nova realidade econômica.
Lucros corporativos desaparecem
Se o nível de produto revela contração, a culpa da esfera corporativa no processo é relevante. Nesse sentido, os rendimentos ajustados pelo valor dos estoques e depreciação dos gastos com capital amargaram recuo de US$ 250,3 bilhões, o que equivale a uma queda de 16,5% em relação ao trimestre antecedente – baixa mais acentuada desde 1953.
“O decréscimo do lucro em corporações que não são financeiras reflete baixas em todas indústrias agregadas, dado que o maior recuo foi na manufatura”, completou a nota divulgada em anexo aos dados, que ainda destaca negativamente os segmentos petrolíferos, de carvão e de produtos químicos como os que viram os declínios mais acentuados nos rendimentos.