PIB de países emergentes deve ter expansão sólida, afirma Banco Mundial

Economias emergentes se mostram resistentes a turbulências mundiais e à alta das commodities

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SÃO PAULO – As conseqüências das turbulências financeiras ocorridas durante o ano passado e a atual escalada dos preços de matérias-primas estão começando a afetar o crescimento dos países emergentes.

Contudo, apesar de menos acelerada, a expansão destas regiões deve ser sólida, afirma relatório do Banco Mundial divulgado nesta quarta-feira (11).

O documento aponta que os fluxos de capital privado para os mercados emergentes devem diminuir em 2009 para US$ 800 milhões. No entanto, apesar da redução, esta seria a segunda maior cifra já alcançada pelo grupo – a maior foi atingida no ano passado, quando US$ 1 bilhão foi destinado às economias em ascensão.

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PIB de emergentes ainda vigoroso

No informe, intitulado “Fluxos mundiais de financiamento para o desenvolvimento 2008”, se prevê um encolhimento do PIB (Produto Interno Bruto) mundial, que passará de 3,7% em 2007 para 2,7% em 2008. Para 2009, espera-se uma recuperação modesta, com avanço de 3% na atividade econômica mundial.

Ao mesmo tempo, para os países emergentes o prognóstico é bem menos drástico. O PIB destas economias deve crescer 6,5% neste ano, contra um avanço de 7,8% averiguado em 2007, “nível extraordinário”, aponta o Banco Mundial.

“O forte crescimento no mundo em desenvolvimento está certamente ajudando a compensar a desaceleração aguda nos Estados Unidos”, avaliou Uri Dadush, diretor do Departamento de Comércio Internacional do Banco Mundial. “No entanto, a elevação das pressões inflacionárias em nível internacional – especialmente os preços mais altos dos alimentos e da energia – está prejudicando grandes segmentos de pessoas pobres no mundo”, completou.

Bancos estrangeiros

Nos últimos cinco anos, o crescimento das economias em desenvolvimento foi impulsionado pela chegada de bancos estrangeiros que se estabeleceram localmente e deram fôlego aos fluxos de capitais. Até o final de 2007, os ativos de residentes em países emergentes em poder dos principais bancos internacionais somavam US$ 3,1 bilhões, um crescimento de US$ 2 bilhões em comparação com 2002.

Segundo o autor do informe, Mansoor Dailami, um sistema financeiro que conte com instituições internacionais é importante, pois “melhora a competição e a eficiência do setor, aumenta o acesso ao crédito e provê mecanismos que suportem as transações de funding com o exterior, além de promover o desenvolvimento do mercado de capitais local”.

Financiamento externo

De acordo com o levantamento, os países de baixa renda com forte necessidade de financiamento externo são os mais vulneráveis às recentes contrações no ambiente internacional de crédito. Porém, este não é o caso do grupo BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), pois ele já acessa o mercado internacional de bônus.

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A captação líquida de investimento estrangeiro direto em todos os países emergentes somou aproximadamente US$ 471 milhões, o que foi um desempenho vigoroso segundo avalia o Banco Mundial e conseqüência dos “fortes incrementos” registrados no Brasil (US$ 16 milhões) e na Rússia (US$ 22 milhões).

O documento ainda aconselha os países emergentes que são mais ativos no mercado interbancário internacional, dentre os quais está o Brasil, a estarem atentos à possibilidade de que os bancos locais enfrentem dificuldades de financiamento internacional – mas somente no caso de a liquidez global permanecer pressionada.

Isto porque, as filiais poderiam transmitir a estes países os problemas das matrizes em caso de turbulência. No entanto, o autor do estudo ressalta que “nunca vimos isso acontecer em larga escala, mas é um risco potencial”.