Petz (PETZ3): enquanto rumores sobre fusão com Cobasi crescem, analistas mantêm cautela e cortam projeções para ação

Fusão com Cobasi seria positiva, mas bancos mantêm recomendação neutra e cortam preços-alvo

Felipe Moreira

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O início da semana foi marcado por notícias de que a Petz (PETZ3) estava reiniciando conversas para fusão com a Cobasi. Porém, a possível criação de uma gigante do setor de pet shop não chegou a animar muito as ações PETZ3, que acumulam queda de 3% na semana e de 25% em agosto.

Cabe destacar que a Petz negou ter um acordo formal no momento, mas afirmou que avalia consistentemente alternativas estratégicas para sustentar o crescimento e gerar valor aos acionistas.

Com essas notícias no radar da companhia, analistas destacam como se daria uma eventual combinação de negócios. Mas, ao mesmo tempo, seguem cautelosos com as ações.

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O JPMorgan avaliou os potenciais benefícios de uma eventual combinação de negócios e ressaltou que a redução da concorrência seria provavelmente o principal benefício. Dadas as limitadas informações financeiras sobre a Cobasi, o banco americano focou sua análise na localização das lojas.

Sendo assim, analistas avaliaram que uma fusão poderia beneficiar a nova empresa com (1) um ambiente competitivo menos intenso devido à sobreposição física relativamente alta e modelo omnichannel similar, enquanto (2) possivelmente protegeria algumas regiões com maior densidade de lojas e (3) proporcionaria sinergias operacionais nas áreas logísticas e corporativas. “E, o mais importante, retiraria da equação um concorrente relevante que opera um modelo similar entre os mesmos consumidores-alvo, reduzindo as pressões competitivas no âmbito comercial e de expansão.”

O JPMorgan também atualizou estimativas para incorporar os resultados do 2T23. Com a visão de, ao menos por enquanto, um ambiente competitivo mais desafiador, reduziu as projeções de vendas, Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado e lucro por ação para 2024 em 3%, 9% e 19%, respectivamente. Agora, o banco espera uma margem de Ebitda (Ebitda sobre receita) ajustada cerca de 20 pontos-base menor em relação ao ano anterior, totalizando 8,6%.

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Assim, houve um corte do preço-alvo para dezembro de 2024 de R$ 8 para R$ 6,50, com a empresa sendo negociada a 22 vezes o múltiplo de P/L (Preço sobre Lucro) para 2024. O potencial de valorização das ações é visto como razoável, de 24% frente o fechamento da véspera, mas os gatilhos operacionais positivos são limitados no curto prazo.

O Citi também manteve recomendação neutra e reduziu o preço-alvo para ações da Petz de R$ 7,40 para R$ 6,00 (com potencial de alta de 14,5% frente o fechamento de terça), ao incorporar os resultados do segundo trimestre às suas estimativas.

Embora continue acreditando nas tendências de crescimento secular do setor, o banco ajustou as estimativas de vendas para refletir uma visão mais conservadora sobre a demanda por produtos pet discricionários e o crescimento inferior ao esperado das lojas físicas da Petz – agora modelando uma taxa de crescimento anual composta de 12% em cinco anos, em comparação com os 14% anteriores.

Segundo o Citi, a maior proporção de vendas online + itens alimentares também continua a impactar a margem bruta (queda de 120 pontos-base em relação ao ano anterior no 2T23).

Já os comentários da administração na teleconferência de 2023 também sugerem um foco maior em preservar a participação de mercado, o que reforça a visão conservadora do banco com a margem bruta da Petz. Essas mudanças reduzem as projeções de lucros para 2024 em 17%.

Com relação ao valuation, a ação da Petz continua sendo negociada a cerca de 20 vezes o P/L para 2024; embora as perspectivas de crescimento possam justificar o múltiplo premium, os analistas não enxergam muito potencial de alta nesse nível, mesmo com a queda de quase 20% dos papéis no acumulado do ano.

Para o Citi, uma potencial fusão entre Petz e Cobasi resultaria no maior player do setor, com vendas totais de R$ 5,0 bilhões e participação de mercado combinada de 15%.

Outro ponto importante, segundo analistas, seria que isso efetivamente encerraria uma das disputas mais críticas do setor e potencialmente impulsionaria alguma racionalização em um cenário competitivo agressivo. Com base nisso, o Citi avalia que qualquer tentativa de fusão possa atuar como um catalisador positivo para a Petz.