Petróleo supera US$ 112 em NY e atinge a maior cotação desde setembro de 2008

Ceticismo em relação à produção do óleo na Líbia domina e tensão cresce em demais regiões; queda do dólar também influencia

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SÃO PAULO – As cotações dos principais contratos futuros de petróleo encerraram esta sexta-feira (8) em forte alta no mercado internacional, com os investidores ainda de olho no conflito geopolítico que atinge a Líbia e já começa a dar sinais de preocupação em outras regiões. Além disso, a queda do dólar também impulsionou os preços da commodity.

A cotação do barril do petróleo Brent, negociado no mercado de Londres, fechou a US$ 126,65 no pregão desta sexta-feira, forte alta de 3,24% em relação ao último fechamento. O contrato com vencimento em maio, que apresenta maior liquidez no mercado de Nova York, fechou cotado a US$ 112,79 por barril, configurando uma alta de 2,26% frente ao fechamento anterior, chegando assim ao maior valor desde setembro de 2008.

Ceticismo com relação à Líbia
O clima de ceticismo está cada vez mais dominante em relação à promessa de retomada da produção do óleo na Líbia. De acordo com o Barclays, as ofensivas das tropas do ditador Gaddaffi devem colocar um fim a essa esperança, levando o barril do petróleo acima dos US$ 130,00.

A OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), reforçando seu discurso de proteção aos civis atacados pelas tropas leais a Gaddaffi, já atingiu 23 alvos nos últimos dois dias na Líbia, de acordo com o almirante Russell Harding, vice-comandante da missão da OTAN na região.

O impasse também atinge demais regiões. A Nigéria ganhou a atenção da mídia nos últimos dias, após ataques em virtude das eleições que ocorrerão no próximo sábado (9). Nesta sexta-feira, um oficial da comissão eleitoral do país foi atingido por uma explosão, aumentando o clima de tensão que invade a região. O mercado teme um contágio, o que poderia prejudicar a produção da commodity, sobretudo no Iêmen e na Síria.

Na Síria, ao menos 10 pessoas foram mortas em Deera, onde forças da segurança abriram fogo para afastar manifestantes. No Iêmen, o confronto entre protestantes e aliados do governo novamente tomou as ruas do país.

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Dólar cai e impulsiona óleo 
O dólar também contribuiu para a alta do óleo na sessão. A divisa norte-americana fechou em queda frente as principais moedas internacionais. O impasse do Congresso norte-americano em relação à aprovação do corte no orçamento pesou e estimulou a baixa.

Vale lembrar que uma desvalorização da moeda norte-americana geralmente se traduz em pressão de alta sobre os preços do petróleo, tanto pela compensação cambial, uma vez que os preços das matérias-primas são expressos na divisa, quanto pela movimentação dos investidores, que tendem a elevar sua exposição neste mercado.