Petróleo supera US$ 100: até onde brent pode ir, segundo Goldman Sachs e JPMorgan

Escalada do conflito no Oriente Médio leva o Brent de volta aos três dígitos e reforça temores sobre interrupções prolongadas da oferta global

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O preço do petróleo voltou a cruzar a marca dos US$ 100 por barril nesta quarta-feira (9), refletindo a piora das tensões no Oriente Médio e renovadas preocupações com o fluxo de petróleo da região para os mercados globais.

O movimento ocorre após semanas de deterioração do cenário geopolítico e de redução das expectativas por uma solução rápida para o conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e aliados na região.

O gatilho mais recente veio dos ataques promovidos por houthis apoiados pelo Irã contra instalações energéticas na Arábia Saudita. Além dos danos diretos, o episódio elevou os receios sobre a segurança dos embarques de petróleo pelo Mar Vermelho, rota que ganhou importância desde que os fluxos pelo Estreito de Ormuz passaram a sofrer severas restrições após o início da guerra, em fevereiro.

Segundo dados citados pela Reuters, o volume transportado por Ormuz chegou a se recuperar para entre 8 milhões e 9 milhões de barris por dia antes da retomada dos confrontos, mas voltou a cair para menos de 2 milhões de barris diários recentemente.

A deterioração do cenário levou bancos globais a revisar suas projeções para o petróleo.

Daan Struyven e equipe, do Goldman Sachs, elevaram suas previsões para o Brent e passaram a trabalhar com preços de US$ 85 por barril no fim de 2026 e US$ 80 em 2027, ambos US$ 5 acima das estimativas anteriores. A principal mudança foi a adoção do cenário de interrupções prolongadas no transporte marítimo do Oriente Médio ao longo de 2027.

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O banco destaca que o mercado passou a precificar um conflito mais duradouro. Segundo seus cálculos, a probabilidade implícita nas opções de o Brent superar US$ 100 por barril em março de 2027 saltou de cerca de 6% para 25% em apenas um mês.

Apesar da revisão, o Goldman adota uma postura relativamente cautelosa em relação à magnitude da alta dos preços. Os analistas argumentam que o mercado global vem encontrando formas de adaptação à crise, com rotas alternativas, aumento do uso de oleodutos e crescimento da produção fora do Golfo Pérsico.

Estoques e adaptação ajudam a conter alta maior

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De acordo com o Goldman Sachs, o déficit global de petróleo diminuiu significativamente desde o início da guerra. A estimativa do banco é que o desequilíbrio entre oferta e demanda tenha recuado de cerca de 7 milhões de barris por dia em março para aproximadamente 1 milhão de barris por dia no terceiro trimestre deste ano.

Além disso, os estoques comerciais da OCDE, considerados uma das referências mais importantes para os preços, apresentaram reduções menores do que o inicialmente esperado. O banco calcula que os estoques globais visíveis caíram mais de 500 milhões de barris desde o início do conflito, mas a maior parte dessa redução ocorreu em reservas estratégicas, petróleo em trânsito e estoques chineses, e não nos estoques comerciais tradicionais.

Outro fator apontado pela instituição é o avanço da produção fora do Oriente Médio. Estados Unidos, Canadá, Brasil, Guiana, Argentina e Venezuela vêm ampliando a oferta, compensando parte das perdas provenientes do Golfo. O Goldman estima que somente esses países adicionaram cerca de 2,3 milhões de barris por dia em produção em relação à média de 2025.

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JPMorgan vê mercado mais resiliente

O JPMorgan também avalia que o mercado vem absorvendo o choque melhor do que se imaginava no início do conflito.

Segundo a equipe liderada por Natasha Kaneva, o petróleo propriamente dito não foi o segmento mais pressionado pela guerra. O maior impacto ocorreu nos derivados, especialmente no diesel, cujas margens de refino atingiram níveis recordes em diversas regiões do mundo.

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O banco afirma que três fatores ajudaram a evitar uma crise de oferta ainda mais severa: o redirecionamento dos fluxos globais de petróleo, a utilização gradual de estoques e o forte crescimento da produção fora do Oriente Médio. Além disso, consumidores e empresas passaram a reduzir o consumo por causa dos preços mais altos, ajudando a equilibrar o mercado.

Na visão do JPMorgan, mesmo que o conflito persista por um período maior do que o atualmente previsto pela curva futura, os preços não necessariamente precisarão disparar muito além dos níveis atuais, justamente por causa da capacidade de adaptação da oferta e da demanda.

Riscos seguem voltados para novas interrupções

Embora os dois bancos reconheçam os mecanismos de adaptação que surgiram ao longo dos últimos meses, ambos destacam que os riscos continuam inclinados para preços mais altos.

Para o Goldman Sachs, um cenário de intensificação dos ataques no Estreito de Ormuz e no Mar Vermelho poderia reduzir a produção média do Golfo em cerca de 4 milhões de barris por dia abaixo dos níveis pré-guerra, hipótese em que o Brent poderia superar US$ 120 por barril.

O banco também ressalta que os ataques a navios, refinarias e instalações de exportação continuam sendo a principal variável para os preços do petróleo nos próximos meses.

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Lara Rizério
Mercados | Economia | Onde Investir

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.