Petróleo saltou no 3º trimestre, mas nem todas as ações do setor aproveitaram alta: oportunidade no radar?

Analistas destacam os motivos para a possível diferença nos desempenhos e apontam que ainda há espaço para exposição no setor

Lara Rizério

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O petróleo brent subiu cerca de 30% no terceiro trimestre de 2023, fechando acima de US$ 95 o barril ao levar em conta o vencimento mais próximo (novembro). A commodity foi impulsionada por cortes voluntários na oferta por parte dos membros da Opep+ (Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados), redução de estoques e demanda mais forte.

Contudo, ao olhar para o mercado de ações aqui no Brasil, houve uma diferença significativa de desempenho entre as principais petroleiras negociadas na B3 no período.

A Enauta (ENAT3), com ganhos de 31% e a PRIO (PRIO3), com avanço de 27%, foram os grandes destaques entre julho e setembro, enquanto Petrobras (PETR3;PETR4) teve alta de 18% de seus ativos ON e de 21% dos papéis PN.

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Já entre as com desempenho mais fraco, estiveram PetroRecôncavo (RECV3), com alta de cerca de 9% no período, enquanto 3R Petroleum ([ativo=RRRPR3]) teve uma performance ainda mais modesta, com ganhos de 5%.

Na semana passada, o Bradesco BBI ressaltou que estas duas últimas ações tiveram um desempenho claramente inferior no trimestre. Os analistas recomendaram ainda que, se os preços do petróleo continuarem a  subir,  que estes nomes terão que ‘correr’ para alcançar o desempenho dos pares.

“Mas, se houver correção do preço da commodity, acreditamos que estas ações deverão ter um desempenho um pouco melhor do que os pares”,  ponderaram os analistas, destacando que veem sinais de maior fraqueza para o petróleo em outubro. Eles veem RECV3 e RRRP3 negociadas a um múltiplo de 4 vezes o preço sobre o lucro esperado para 2024 e possuem recomendação equivalente à compra (outperform, desempenho acima da média do mercado) para as duas ações.

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Já o BTG Pactual apontou em relatório acreditar que a tendênciapersistirá e a assimetria de preços permanecerá com viés de alta, mediante a expectativa de déficits de cerca de 1,7 milhão de barris por dia (b/d) no segundo semestre de 2023 (2S23) e cerca de 0,2 milhão de b/d em 2024.

Os analistas do banco também citaram que RECV3 e RRRP3 foram os principais destaques negativos e, embora reconheçam que as preocupações em torno dos desafios operacionais, potenciais reduções de participação por acionistas de referência, discussões de quebra de covenant (cláusulas contratuais junto às instituições financeiras credoras) e baixa liquidez das ações justifiquem o ceticismo do mercado em relação a esses nomes, acreditam que essas questões são exageradas.

Ao fazerem uma análise de sensibilidade baseada em diferentes preços do petróleo, produção e descontos de preços de combustíveis, os analistas apontam que, dado que a maior parte dos seus custos são denominados em reais e têm custos de produção mais elevados, todas as empresas “juniors” devem começar a gerar forte alavancagem operacional no curtíssimo prazo.

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Especificamente sobre Petrobras, apesar de acreditar que a redução da percepção de risco explique provavelmente a maior parte da alta, a e equipe de análise do banco aponta ser crucial reiterar sua visão de que a Petrobras deve ser cada vez mais percebida como uma tese de petróleo, justificando uma visão ainda mais otimista.

Cerca de 80% do lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) da Petrobras advém do segmento upstream (exploração e produção), apontam os analistas, o que significa mais dividendos à frente, desde que a dinâmica dos preços persista.

A preços à vista (US$ 93/bbl Brent), a Petrobras é negociada a dividend yield (dividendo sobre o preço da ação) de 15% e 21% para o 2S23 e 2024, respectivamente, um desconto enorme para seus pares globais e empresas emergentes (cerca de 11% de dividend yield /recompra).

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Para o BTG, valuations descontados e ventos favoráveis do lado macro são um bom ponto de entrada!

Os analistas citam que suas preferências no setor são Petrobras (top pick, principal escolha) e PRIO (empresa júnior mais bem posicionada).

Contudo, a avaliação do time de análise é de que o sente ainda os investidores pouco alocados no setor de petróleo e gás, sendo este um momento oportuno para aumentar a exposição.

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“O valuation médio do setor é muito baixo (cerca de 2,7 vezes o valor da empresa (EV) sobre o Ebitda e e cerca de 19% de yields de geração de caixa em 2024), a assimetria favorável dos preços das commodities permanece e uma maior exposição ao dólar em um momento de alta incerteza em relação aos riscos fiscais locais oferece proteção”, apontam.

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.