Petróleo: os preços do barril permanecerão acima dos US$ 50 até o final do ano?

Para BES, ação de especuladores deve continuar impulsionando preço do petróleo no curto prazo, mesmo com maior oferta

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SÃO PAULO – Se há dois meses a questão que “atormetava” analistas e investidores era se o preço do barril de petróleo chegaria a romper a barreira dos US$ 50 no mercado de Nova York, atualmente a grande dúvida é, posto que isto já ocorreu, se o barril da commodity continuará operando acima deste patamar até o final do ano.

Para se ter uma idéia, desde o começo do ano, o preço do barril de petróleo tipo Brent, negociado no mercado de Londres, acumula fortes ganhos de 64,7% e já é negociado acima dos US$ 50, fato que vem trazendo bastante cautela aos investidores. Somente nos últimos três meses, a alta acumulada chega a 31,6%.

No caso do petróleo negociado em Nova York, a alta desde janeiro é de 64,3%, com o preço da commodity operando acima do patamar dos US$ 53. Desde julho, o preço do petróleo negociado no mercado de Nova York registra expressivos ganhos de 32,54%, o que mostra uma certa sintonia em relação ao desempenho do Brent.

Crescimento da demanda mundial vem preocupando

Mas qual a razão para tamanha alta do preço do barril no mercado internacional? E mais que isso: este movimento ascendente do preço do barril deve persistir ou a commodity voltará a ser negociada abaixo dos US$ 50.

Investigando estas questões, o Banco Espírito Santo enviou na segunda-feira, dia 11 de outubro, um novo relatório comentando suas perspectivas para o setor petrolífero, com destaque para a evolução dos estoques norte-americanos da commodity e tendências de curto prazo para o preço do produto.

Estoques de petróleo dos EUA seguem tendência de baixa

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De acordo com o relatório, os estoques de petróleo e seus derivados dos Estados Unidos registraram sucessivas quedas no mês de setembro devido, principalmente, à passagem do furacão Iván pela região do Golfo do México (local que concentra grande parte da produção do país). Assim, os estoques de petróleo atualmente encontram-se 6,8% abaixo dos registrados no mesmo período do ano passado e 9,7% inferiores à média dos últimos dez anos.

No mesmo sentido, as reservas de gasolina apresentaram tendência de queda no período, com forte redução no nível de utilização da capacidade produtiva das refinarias, que passou de 95,7% para 88,9%. Porém, na comparação com o mesmo período de 2003, os estoques de gasolina registraram uma alta de 3,0% e uma leve redução de 0,3% se considerada a média dos últimos dez anos.

Banco acredita que petróleo continuará em alta

Em relação aos preços, os analistas do BES acreditam que estes se manterão em patamares elevados neste mês de outubro, devido principalmente às incertezas quanto à capacidade dos países produtores em aumentar a oferta do produto no curto prazo.

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Apesar de a Arábia Saudita ter reiterado seu discurso de que tem condições de elevar sua produção, o banco atenta para o fato de que as empresas do setor este mês não anunciaram nenhum investimento significativo no sentido de elevar a oferta de petróleo, de forma que a quantidade ofertada do produto dificilmente sofrerá mudanças significativas até o fim do ano.

O BES acredita que a única forma de fazer com que os preços da commodity baixem seria diminuindo as desconfianças do mercado em relação à capacidade dos países produtores em manter um nível constante e suficientemente alto de produção para atender a demanda mundial.

Na visão do banco, isso só seria possível com a redução nos conflitos geopolíticos no Oriente Médio, com uma definição mais coerente para a situação financeira da petrolífera russa Yukos ou ainda com uma mudança na política externa dos Estados Unidos.

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Para BES, especulação é a grande vilã

Para se ter uma idéia de como a especulação de investidores aliada ao temor de que parte significativa da oferta possa ser interrompida no curto prazo está impulsionando a cotação do petróleo, analisaremos os dados da Agência Internacional de Energia (AIE): de acordo com a agência, o saldo líquido entre a oferta e a demanda de petróleo no mundo está em 1,3 milhão de barris por dia, ou seja, atualmente a oferta é maior que a demanda.

Para confirmarmos essa afirmação basta analisarmos os fatos: mesmo descontando os 48 mil bpd que o Golfo do México deixou de produzir devido a problemas gerados pela passagem do furacão Iván, os efeitos que a rebelião ocorrida na Nigéria causou à oferta do produto (-30 mil bpd) e a diminuição de 100 mil barris por dia que o embargo das contas da Yukos estaria resultando no fluxo diário de óleo no mundo, ainda assim a oferta de petróleo superaria a atual demanda em 780 mil barris por dia.

Nos cálculos do BES, se descontarmos todos os efeitos dos eventos que prejudicaram o fluxo de óleo ao longo do mês de setembro, o saldo líquido entre a oferta e a demanda fica em 690 mil bpd, valor mais que suficiente para garantir o suprimento do mercado caso problemas pontuais de abastecimento ocorram.

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Com isso, os analistas do banco concluíram que o que está realmente contribuindo para a escalada nos preços do petróleo é o risco de termos um sério problema no fluxo do produto aliado à ação de grandes especuladores.

Opep pode elevar produção em mais 1,4 milhão de bpd

Em sua reunião realizada no dia 15 de setembro e pela quarta vez no ano, a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) decidiu elevar sua cota de produção em 1,0 milhão de barris por dia, para 27 milhões de bpd. Com isso, a produção do cartel atingiu o patamar de 28,1 milhões de barris/dia em agosto, valor 1,1 milhão de barris/dia acima do novo limite.

Dessa forma, a oficialização de que o cartel pode elevar ainda mais sua produção tende a contribuir para a redução da insegurança sobre o fluxo de petróleo necessário para atender ao aumento global da demanda. Porém, será importante observar em novembro se esse aumento nas cotas de produção apenas oficializará o atual excedente de produção ou representará um aumento efetivo no fluxo de produção.

De acordo com informações de mercado, juntos, os países integrantes da Opep teriam capacidade de elevar sua produção em mais 1,4 milhão de bpd já no curto prazo, considerando o nível alcançado no mês de agosto.