Commodities

Petróleo enfrenta risco de impacto do Irã com vitória de Biden

O democrata sinalizou que buscará trazer o Irã de volta ao acordo nuclear de 2015 que os EUA negociaram quando era vice-presidente de Barack Obama

Joe Biden
Joe Biden aceita a nomeação do partido democrata para concorrer às eleições presidenciais de 2020 (Crédito: Win McNamee/Getty Images))
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(Bloomberg) — Para o frágil mercado de petróleo, o resultado das eleições nos Estados Unidos na próxima semana representa outro risco: a perspectiva de que o Irã, um grande produtor, possa recuperar seu papel no comércio internacional.

O democrata Joe Biden, líder na maioria das pesquisas, sinalizou que buscará trazer o Irã de volta ao acordo nuclear de 2015 que os EUA negociaram quando era vice-presidente de Barack Obama. Isso significa que as sanções econômicas impostas pelo presidente Donald Trump – e que foram intensificadas nesta semana – poderiam eventualmente serem flexibilizadas, abrindo caminho para mais de 2 milhões de barris por dia de exportações de petróleo iraniano.

O momento para o mercado de petróleo é difícil. O cartel da Opep, que inclui o Irã, limita a oferta para sustentar os preços à medida que o coronavírus destrói a demanda. O petróleo Brent chegou a cair cerca de 3% na quinta-feira, para menos de US$ 38 o barril, estendendo a baixa no ano para mais de 40%.

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Se Biden vencer, bancos de Wall Street, como Goldman Sachs, JPMorgan Chase e RBC Capital Markets, estimam 1 milhão de barris por dia ou mais de petróleo iraniano entrando no mercado no próximo ano. Em Teerã, os líderes do país não dizem quanto ou quando podem aumentar a produção e as exportações, caso os EUA voltem a aderir ao pacto nuclear e comecem a levantar as sanções.

O Irã tem capacidade para bombear cerca de 3,8 milhões de barris por dia, segundo dados compilados pela Bloomberg. O país produz atualmente apenas cerca da metade desse volume e consome a maior parte do próprio petróleo.

“Dentro de alguns meses após a eleição de Biden, esperamos que algum petróleo iraniano chegue ao mercado”, disse Iman Nasseri, diretor-gerente para o Oriente Médio da consultoria FGE, com sede em Londres. “Vai ser uma verdadeira dor de cabeça para a Opep.”

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo e produtores aliados como a Rússia concordaram em abril em reduzir a produção em 9,7 milhões de barris por dia, ou cerca de 10% da oferta global. A coalizão desacelerou esses cortes em agosto, mas reavalia o plano de reduzi-los ainda mais em janeiro devido às novas paralisações causadas pela pandemia na Europa e em outros lugares, além do retorno da produção da Líbia em meio à trégua na nação devastada pela guerra.

Um aumento dos embarques do Irã pode minar o acordo de cortes da Opep+ e fazer com que os preços baixem ainda mais.

No entanto, o rápido retorno do Irã ao mercado, mesmo que Biden ganhe, não é certo. Um acordo para permitir que o país do Golfo Pérsico venda mais petróleo pode ter que esperar as próprias eleições presidenciais no Irã em junho do ano que vem. Se um governo mais conservador chegar ao poder, como muitos analistas esperam, Teerã pode endurecer as negociações com os EUA antes de concordar em retomar as conversas sobre o programa nuclear. Isso pode atrasar o prazo para a remoção das sanções.

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Quanto mais tempo demorar para um possível acordo, menor será o impacto do petróleo iraniano sobre os preços ou nas deliberações da Opep+, de acordo com Giovanni Staunovo, analista de commodities do UBS, e Ehsan Khoman, chefe de pesquisa para Oriente Médio do MUFJ Bank, com sede em Dubai. Ambos os analistas disseram que investidores ainda não precificaram o retorno do Irã aos mercados.

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