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SÃO PAULO – A instabilidade política na Líbia parece não ter solução próxima. De acordo com relatos, forças simpáticas a Muammar Khaddafi, que governa o país há pouco mais de 40 anos, estariam respondendo com violência aos protestos em cidades próximas a Trípoli, a capital. Do lado oposto, parte das forças militares teria deixado de apoiar o líder líbio e passado para o lado dos protestantes.
A disparada do petróleo, que atingiu a maior cotação desde outubro de 2008 na véspera, contribui para a instauração de clima de cautela nos principais mercados externos e as bolsas europeias e asiáticas voltam a recuar nesta quinta-feira (24). Para o economista Nouriel Roubini, um possível desdobramento da crise que assola o Oriente Médio e o norte da África seria a estagflação em termos globais, uma combinação perversa entre aumento dos preços e ausência de crescimento econômico.
Os futuros norte-americanos também apontam para queda. Para Paul Donovan, economista do UBS, os indicadores econômicos esperados para o pregão são de pouca relevância e o destaque fica com as encomendas de bens duráveis e os pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos. Ainda por lá, serão publicados os estoques de petróleo e as vendas de novos imóveis.
Estágio decisivo
Sem eventos relevantes o sufuciente para atrair atenção dos investidores, o foco continua voltado para a Líbia e para o preço do petróleo. De acordo com o The New York Times, além de relatos sobre forças aliadas ao governo que teriam tomado cidades próximas à capital, um exército de mercenários e brigadas especiais formadas por filhos de Khaddafi e militares leais ao seu governo estariam se amontadoando nas rodovias que levam à Trípoli.
Alguns residentes afirmam que os protestos podem estar chegar a um estágio decisivo. Khaddafi estaria fortificando seu controle sobre a cidade, enquanto os protestantes, que até agora fizeram manifestações espontâneas, preparam-se para a primeira demonstração organizada, esperada para sexta-feira, de acordo com uma testemunha.
Embora não espere grandes implicações para o mercado, Paul Donovan, do UBS, citou relatos de agências de notícias informando sobre a possibilidade de manifestações também na Árabia Saudita, embora nada tenha ainda sido confirmado. “A geopolítica está dominando as manchetes, se não necessariamente as decisões de investimento também”.
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Resposta global
Diante do agravamento da situação, líderes globais manifestam-se em relação aos eventos na Líbia. Após o presidente da França ter pedido sanções concretas contra a Líbia na véspera, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, declarou que a comunidade internacional poderá ter que tomar atitudes para impedir que Khaddafi esmague os protestos.
Na véspera, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, condenou os atos de violência, afirmando que são “inaceitáveis e ultrajantes” e diz estudar várias opções para pressionar Khaddafi a renunciar ao cargo.
A primeira medida tomada pelo presidente será enviar a Secretária de Estado, Hillary Clinton, até Genebra, na Suíça, para negociar com lideranças políticas mundiais a pacificação do país. Além disso, ele estuda criar barreiras comerciais entre Líbia, EUA e países aliados ao governo norte-americano.
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Alemanha não deixará o euro
Embora a crise da dívida soberana tenha deixado em parte o radar nos últimos dias, na véspera Angela Merkel, a chanceler alemã, disse que a Alemanha não poderia deixar o euro, pois as consequências seriam impensáveis tanto para o país quanto para a região. Ainda assim, Merkel voltou a fazer oposição a títulos de dívida conjuntos para a Zona do Euro.
Ainda no continente, a confiança do consumidor europeu na economia aumentou mais do que a expectativa e chegou, em fevereiro, ao maior patamar nos últimos três anos e meio, impulsionado por uma retomado do otimismo na Alemanha.
O índice, que também avalia a confiança do empresário, avançou para 107,8 pontos neste mês, após ter marcado 106,8 pontos em janeiro, de acordo com a Comissão Europeia.
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Vale e Petrobras em destaque, mas atenção para resultados
Por aqui, chama a atenção a agenda de resultados. A expectativa fica com a Vale (VALE3, VALE5), que deverá tornar públicos seus números para o quarto trimestre de 2010 após o fechamento deste pregão. Na véspera, a mineradora contribuiu para o descolamento do Ibovespa, que subiu 0,71% e encostou nos 71 mil pontos, na contramão da tendência global. O forte avanço da Petrobras (PETR3, PETR4), impulsionada pelo preço do barril de petróleo em alta, também influenciou.
Entre os balanços já divulgados, destaque para o Pão de Açúcar (PCAR5), que anunciou expansão de 81% do lucro líquido na comparação frente ao dados consolidados do quarto trimestre de 2009. Já a Vivo (VIVO4) obteve lucro líquido de R$ 1,893 bilhão em 2010, uma alta de 115,7% na comparação com os R$ 878,1 milhões registrados em 2009.
Na agenda, a confiança do consumidor aumentou em fevereiro deste ano, registrando 122,6 pontos, contra 121,6 apurados um mês antes. A alta foi de 0,8%. São esperados ainda o resultado do Governo Central e as Operações de Crédito, divulgadas pelo Banco Central. Ambos os dados terão como referência o mês de janeiro.