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Petróleo e minério em alta, investidores seguem atentos à inflação e mais assuntos que vão movimentar o mercado hoje

Bolsas da Europa e futuros dos EUA buscam recuperação após perdas da véspera, mas dados de preços e alta das commodities limitam reação

Por  Equipe InfoMoney -

Os mercados mundiais operam sem sentido definido na sessão desta quarta-feira (19) após a queda da véspera em meio ao aumento do rendimento dos títulos do Tesouro americano, com a perspectiva de aperto monetário do Federal Reserve para combater a alta da inflação. Europa opera entre leves perdas e ganhos, Ásia teve queda, enquanto os índices futuros dos EUA buscam recuperação. Na véspera, cabe ressaltar, o Nasdaq teve uma baixa de 2,60%.

A sessão é de ganhos novamente para o petróleo, com o brent chegando perto dos US$ 89 o barril. Os preços da commodity atingem máximas desde 2014 em meio a uma interrupção num duto do Iraque para a Turquia e a tensões políticas globais envolvendo Rússia e Emirados Árabes Unidos, provocando temores de que a inflação possa se tornar mais persistente e elevando o dólar, que rondava máximas de uma semana.

O minério de ferro também registrou ganhos, em meio a sinais da China de usar as ferramentas de política monetária possíveis para manter o crescimento em nível elevado e aumentar a expansão de crédito.

No radar econômico, a inflação de dezembro no Reino Unido veio acima das expectativas acumulando 5,4% em doze meses, maior nível desde 30 anos. O BoE, que já fez a primeira alta de juros em dezembro, de 0,10% para 0,25%, fica pressionado e o mercado precifica quase 100% de chance para mais uma alta em fevereiro.

Os investidores ainda esperam os balanços do Bank of America e do Morgan Stanley em Wall Street, após dados do Goldman Sachs não agradarem o mercado.

Confira os destaques:

1. Bolsas mundiais

Estados Unidos

Os índices futuros americanos oscilam entre leves ganhos e perdas nesta quarta-feira (19), após uma venda generalizada na véspera impulsionada pela alta do rendimento de títulos do Tesouro dos Estados Unidos.

Na terça-feira, o Dow perdeu mais de 540 pontos, prejudicado por uma queda de 7% nos papéis do banco Goldman Sachs, que divulgou lucro abaixo da expectativa de analistas, em meio a uma alta de 23% em despesas operacionais. O S&P recuou 1,8%; e o Nasdaq teve o pior resultado entre os três índices, com queda de 2,6%. O Nasdaq é marcado por ações de tecnologia em sua composição, o que o torna mais sensível à elevação da taxa referencial de juros, que vem sendo sinalizada pelo Federal Reserve.

Após iniciar o ano em cerca de 1,5%, o rendimento dos títulos com vencimento em dez anos continuou a avançar e chegou a 1,87% na terça-feira, o maior patamar em dois anos. O movimento pode indicar que investidores se preparam para uma possível elevação mais acelerada da taxa referencial de juros por parte do Federal Reserve.

Bank of America, Morgan Stanley, US Bancorp, Procter & Gamble e United Airlines estão entre as empresas que divulgam seus resultados trimestrais nesta quarta-feira.

Confira o desempenho dos principais indicadores às 7h25 (horário de Brasília):

Dow Jones Futuro (EUA), +0,07%
S&P 500 Futuro (EUA), +0,13%
Nasdaq Futuro (EUA), +0,22%

Ásia

As bolsas asiáticas fecharam em queda na quarta-feira após a venda generalizada nas negociações de overnight nos Estados Unidos. O índice Hang Seng, de Hong Kong, contrariou a tendência geral de queda e teve leve alta.

Os papéis do conglomerado japonês Sony recuaram 12,79% após a Microsoft anunciar a compra da empresa de videogames Activision Blizzard por quase US$ 69 bilhões, no que pode ser o maior negócio de tecnologia dos Estados Unidos da história. A negociação dos papéis da operadora de cruzeiros Genting Hong Kong foi suspensa após a companhia anunciar que seu caixa deve se esgotar até o final de janeiro.

Nikkei (Japão), -2,8% (fechado)
Shanghai SE (China), -0,33% (fechado)
Hang Seng Index (Hong Kong), +0,06% (fechado)
Kospi (Coreia do Sul), -0,77% (fechado)

Europa

Na Europa, o índice Stoxx 600, que reúne as ações de 600 empresas de todos os principais setores de 17 países europeus, registravam leve recuo, com destaque negativo do setor de alimentos e bebidas e positivo do varejo.

Dados divulgados nesta quarta-feira pelo Escritório para Estatísticas Nacionais indicam que a inflação no Reino Unido avançou em dezembro a 5,4% frente ao mesmo período do ano anterior, o maior patamar em 30 anos, em meio à alta do custo da energia, demanda mais forte e problemas que afetam a cadeia de suprimentos. A alta também representa uma aceleração frente ao patamar de 5,1% de novembro, e fica acima da expectativa de analistas ouvidos pela agência internacional de notícias Reuters, de 5,2%.

FTSE 100 (Reino Unido), +0,07%
DAX (Alemanha), +0,14%
CAC 40 (França), +0,54%
FTSE MIB (Itália), -0,26%

Commodities

Os preços do petróleo avançaram nas negociações de overnight depois de atingirem na véspera o maior patamar em sete anos e operam em alta após rebeldes Houthi reivindicarem um ataque mortífero a Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos, que prometem retaliar, aumentando a tensão na região.

Os preços do minério também registram fortes ganhos. Isso num cenário de perspectivas de que a China usará sua política monetária para estimular a economia local.

Petróleo WTI, +0,94%, a US$ 86,22 o barril
Petróleo Brent, +0,72%, a US$ 88,13 o barril
Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian teve alta de 4,26%, a 735 iuanes, o equivalente a US$ 115,8

Bitcoin
Os preços do Bitcoin recuam 0,24%, a US$ 41.559,59

2. Agenda

Estados Unidos

9h: Associação dos Banqueiros Hipotecários (MBA na sigla em inglês) divulga pedidos e juros de hipotecas
10h30: Dados de início de construções de dezembro
18h30: American Petroleum Institute (API) divulga estoques de petróleo bruto na semana

Zona do Euro

9h30: Discurso de Elizabeth McCaul, do Banco Central Europeu

Brasil

14h30: Fluxo cambial estrangeiro

Japão

20h50: Balança comercial

China

22h30: Taxa preferencial de empréstimo do Banco Popular da China

Verba extra no Orçamento

Reportagem publicada nesta quarta-feira pelo jornal Folha de S. Paulo afirma que a previsão de inflação adotada pelo Congresso na elaboração do Orçamento de 2022 garantirá ao governo de Jair Bolsonaro (PL) R$ 1,8 bilhão a mais para gastar no ano.

A legislação aprovada durante o governo de Michel Temer determina que os gastos não podem ultrapassar o valor do ano anterior corrigido pela inflação. Mas os congressistas aprovaram uma correção de 10,18% para calcular o teto de gastos relativo a 2022, acima da inflação que efetivamente ficou em 10,06%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o jornal, isso dá folga adicional de R$ 1,829 bilhão para todos os Poderes, sendo que o Executivo ficará com R$ 1,75 bilhão.

Pagamento de procuradores

Manchete de capa da edição desta quarta-feira do jornal O Estado de S. Paulo afirma que o Procurador-Geral da República, Augusto Aras, tomou decisões no final de 2021 que permitiram a procuradores receberem valores adicionais que em alguns casos ultrapassaram R$ 400 mil em dezembro. Segundo o jornal, o maior pagamento foi do procurador regional José Robalinho Cavalcanti. Ele tem salário base de R$ 35,4 mil, mas recebeu R$ 446 mil em rendimentos brutos, por meio de “penduricalhos”. A PGR afirmou ao jornal que os pagamentos foram feitos porque os gastos caíram em determinados meses da pandemia.

3. Recorde de novos casos de Covid e UTIs mais cheias

Na terça-feira (18) foram registrados 132.254 novos casos de Covid, um recorde. A média móvel em sete dias foi de 83.630, alta de 575% em relação ao patamar de 14 dias antes e também um recorde, segundo informações do consórcio de veículos de imprensa divulgadas às 20h.

Ceará, Goiás, Pernambuco e Espírito Santo têm ao menos 80% de ocupação de leitos de UTI. 

Em um dia o Brasil registrou 317 mortes por Covid. Assim, a média móvel de mortes em 7 dias ficou em 185, alta de 88% em comparação com o patamar de 14 dias antes.

O número de pessoas que tomaram ao menos a primeira dose de vacinas atingiu 162.210.686, ou 75,51% da população. A segunda dose ou vacina de dose única foi aplicada em 147.658.806, ou 68,73% da população. E a dose de reforço foi aplicada em 36.179.900, ou 16,84% da população.

Novas variantes devem surgir e pandemia está longe do fim, diz OMS

Manchete de capa da edição desta quarta-feira do jornal O Globo afirma que o estudo da curva de casos na África do Sul, Reino Unido, Canadá e Austrália, indica que o auge da contaminação pela variante Ômicron do coronavírus ocorre em quatro a seis semanas. Depois, começa a cair.

Ao jornal, o infectologista Julio Croda afirma que é provável que o padrão se repita no Brasil. “Se considerarmos a semana entre o Natal e o ano-novo como início da curva epidemiológica, teremos o pico no começo de fevereiro”, disse.

Mas, na terça-feira, a Organização Mundial de Saúde (OMS) alertou que a pandemia de Covid não irá acabar conforme o avanço da variante Ômicron desacelera em alguns países. Segundo a instituição, o alto nível de infecções pelo mundo deverá levar a novas mutações e a variantes do vírus.

Na última semana, o número de novas infecções avançou 20% no mundo, com quase 19 milhões de casos registrados. Mas alguns locais que foram primeiramente atingidos pela Ômicron, como África do Sul e Reino Unido, vêm registrando desaceleração de novos casos.  “Estamos ouvindo muitas pessoas sugerirem que a Ômicron é a última variante e que depois disso acabou. Mas este não é o caso, porque o vírus está circulando em um nível muito intenso pelo mundo”, alertou Maria Van Kerkhove, a chefe técnica da OMS para Covid, em Genebra, na Suíça. 

Também na terça-feira, o chefe da OMS Tedros Adhanom Ghebreyesus alertou que a pandemia “não está nem perto do fim”. Ele advertiu que, embora a variante possa ter impacto menos grave para muitos pacientes, “a Ômicron está causando hospitalizações e mortes, e mesmo os casos menos graves estão enchendo as unidades de saúde”. Ele também reforçou a probabilidade de que novas mutações surgirão com os altos níveis de circulação do vírus. 

Autotestes e vacinação de crianças e adolescentes

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) marcou para as 15h desta quarta-feira a reunião extraordinária para discutir a autorização para venda de autotestes de Covid, e para as 10h de quinta-feira o pedido de uso emergencial da vacina CoronaVac em crianças e adolescentes de 3 a 17 anos. As reuniões serão transmitidas no canal da Anvisa no YouTube.

4. Mobilização de servidores

Na terça-feira, representantes de mais de 40 categorias de servidores públicos paralisaram suas atividades em parte do dia em busca de reajustes salariais. Um grupo de cerca de mil servidores protestou na frente do Ministério da Economia e do Banco Central.

Após o encerramento dos atos, o presidente do Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas de Estado (Fonacate), Rudinei Marques, disse que a mobilização foi um recado inicial ao governo e ressaltou que uma greve por tempo indeterminado está no cardápio de ações caso não haja avanço nas negociações.

“O balanço é positivo, a nossa intenção era justamente dar o recado ao governo. A bola agora está com eles, conseguimos mostrar aos servidores o tamanho das perdas salariais sofridas e eles estão acompanhando e esperando a resposta do governo”, disse Rudinei à agência internacional de notícias Reuters.

Os servidores mobilizados integram em sua maioria a elite do funcionalismo público, e vêm intensificando a pressão por melhor remuneração desde que o presidente Jair Bolsonaro sinalizou que pretende conceder ajustes apenas a policiais da esfera federal e agentes comunitários de saúde em 2022.

Segundo reportagem do jornal Valor Econômico, nos bastidores integrantes da equipe econômica vêm reiterando que não há espaço para reajustes.

Pela manhã, o vice-presidente, general da reserva Hamilton Mourão, também reforçou que não vê espaço para ajustes. “Você sabe muito bem que não tem espaço no Orçamento para isso”, disse. Ele afirmou que nem ao menos o reajuste de trabalhadores da segurança pública da esfera federal e agentes de saúde está garantido.

“Não sei nem se o presidente vai conceder isso daí (segurança e saúde), vamos aguardar aí o presidente bater o martelo disso daí, espaço orçamentário é muito pequeno”, afirmou.

5. Radar corporativo

Bradesco (BBDC4)

O Bradesco (BBDC4) emitiu ontem (18) seu primeiro Sustainable Bond atrelado a critérios socioambientais, no valor de US$ 500 milhões. Trata-se de uma captação internacional sustentável de dívida sênior, com prazo de 60 meses e cupom de 4,375% a.a.

PetroRecôncavo (RECV3)

A PetroReconcavo (RECV3) informou seus dados de produção preliminares e não  auditados referentes ao mês de dezembro de 2021.

A produção atingiu 13,6 mil barris de óleo equivalente por dia (boepd) no quarto trimestre de 2021, aumento de 11,4% na comparação com igual trimestre de 2020.

Já produção de dezembro atingiu 17.138 boepd, alta de 39,6% na comparação com novembro

Equatorial (EQTL3)

A Equatorial (EQTL3) avalia realizar eventual oferta pública com esforços restritos de distribuição de ações ordinárias e que iniciou o processo de engajamentos de instituições financeiras.

O fato relevante foi divulgado nesta terça-feira (18) após o Valor Econômico noticiar a Equatorial prepara um follow-on de até R$ 3,5 bilhões para amortizar a Echoenergia.

Cury (CURY3

A Cury atingiu R$ 2,8 bilhões em lançamentos, R$ 2,6 bilhões em vendas líquidas, e velocidade de vendas (VSO) anual líquida de 72% em 2021.

No 4T21 foram lançados 7 empreendimentos, sendo 4 localizados em SP e 3 localizados no RJ, totalizando o VGV de R$ 788,1 milhões, um aumento de 16,8% comparado ao mesmo período do ano anterior.

Patrimar 

A Patrimar registrou no 4TRI21 um recorde de vendas líquidas contratadas em um trimestre, com R$ 472,1 milhões, 193,7% acima do mesmo período de 2020..

A Patrimar também reportou recorde histórico de lançamentos de R$ 623,7 milhões no 4T21, 18,2% superior ao 4T20.

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