Petróleo cede no final e bolsas dos EUA terminam o dia sem tendência

S&P 500 e Dow Jones voltam a recuar, mas Nasdaq se recupera; sessão teve agenda econômica e noticiário corporativos carregados

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SÃO PAULO – Em meio ao cenário de instabilidade política na Líbia, os principais índices acionários das bolsas norte-americanas, que vinham de dois dias negativos, encerraram o pregão desta quinta-feira (24) com sinais opostos: enquanto o S&P 500 e o Dow Jones voltaram a recuar, o Nasdaq se recuperou.

Os índices novamente foram pressionados pelos efeitos que essa efervescência política pode causar no campo econômico, sobretudo no mercado de petróleo, que vem registrando fortes oscilações. O noticiário internacional dá conta do crescimento das manifestações populares, que se espalham pelas cidades da Líbia, e fala-se até que o líder Muammar Gaddafi, no poder há mais de 40 anos, teria levado um tiro, de acordo com a CNBC. Com isso, as cotações do petróleo cederam da forte disparada vista pela manhã – em Nova York, o barril da commodity fechou em queda de 0,84%, enquanto em Londres viu-se leve valorização de 0,10%.

O índice Dow Jones, que mede o desempenho das 30 principais blue chips norte-americanas, fechou em leve baixa de 0,31% a 12.069 pontos. O S&P 500, que engloba as 500 principais empresas dos EUA, encerrou o pregão em leve desvalorização de 0,10% atingindo 1.306 pontos. Por outro lado, revertendo tendência da véspera, o Nasdaq Composite, que concentra as ações de tecnologia, apresentou alta de 0,55% hoje, chegando a 2.738 pontos.

% Var Dia Pontos %Var 30D %Var Ano
 Nasdaq +0,55 2.738 +0,69 +3,21 
 S&P 500 -0,10 1.306 +1,16 +3,85 
 Dow Jones -0,31 12.068 +0,76 +4,24 

Para o economista Nouriel Roubini, um possível desdobramento da crise que assola o Oriente Médio e o norte da África seria a estagnação em termos globais, uma combinação perversa entre aumento dos preços e ausência de crescimento econômico. Em meio a esse cenário crítico, o presidente Barack Obama anunciou a ida da Secretária de Estado, Hillary Clinton, até Genebra, na Suíça, para negociar com lideranças políticas mundiais a pacificação do país; se necessário, com a criação de barreiras comerciais. Segundo o presidente dos EUA, os atos violentos na Líbia são “inaceitáveis e ultrajantes”.

Petróleo
Os estoques de petróleo dos Estados Unidos avançaram 0,2%, ou 800 mil barris, no período de 12 a 18 de fevereiro, atingindo o patamar de 346,7 milhões de barris. O aumento ficou abaixo das estimativas dos analistas, que eram de acréscimo aos estoques de 2,0 milhões de barris, de acordo com projeções compiladas pela Bloomberg. 

Ainda segundo o relatório, as refinarias norte-americanas operaram com 79,4% de sua capacidade operacional total, recuo em relação ao patamar registrado na semana anterior, de 81,2%.

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Apesar da alta no preço do barril de petróleo na maior parte do pregão, os papéis do setor fecharam com sinais opostos. A Chevron terminou o dia com baixa de 0,23%, ao passo que a ExxonMobil cai 1,26%. Os ativos da Conoco Philips recuam 1,64%, enquanto os ADRs (American Depositary Receipts) da Eni e Repsol, que anunciaram a suspensão de suas atividades na Líbia há dois dias, registraram altas de 1,79% e 1,64%.

Indicadores
Amenizando parcialmente os temores no pregão, o Initial Claims registrou um total de 391 mil novos pedidos por auxílio-desemprego nos EUA na semana até 19 de fevereiro, melhor do que o esperado pelos analistas, cujas projeções giravam em torno de 410 mil. Além disso, o indicador mostrou queda frente ao número registrado na semana anterior, quando ocorreram 413 mil solicitações, conforme os dados revisados.

Mantendo a maré de resultados positivos, os pedidos de bens duráveis cresceram 2,7% em janeiro sobre o mês anterior, configurando o primeiro avanço do indicador em quatro meses, tendo superado ligeiramente as expectativas de analistas.

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Por outro lado, o número de casas novas vendidas em janeiro ficou abaixo do esperado pelo mercado. No mês, o New Home Sales marcou vendas anualizadas de 284 mil casas, número inferior às expectativas de 310 mil do mercado, informou o Departamento de Comércio dos Estados Unidos. Cabe lembrar que em dezembro o resultado revelou vendas de 325 mil casas, segundo os dados revisados.

Destaques corporativos
As ações da Target avançaram 3,46%, após a companhia anunciar um avanço de 11% no lucro líquido do quarto trimestre do ano fiscal, superando as expectativas do mercado.

Por outro lado, a General Motors viu seus papéis encerrarem o dia em baixa de 4,54%. Pela primeira vez desde 2004, a empresa foi capaz de marcar um ano inteiro de lucros, mas embora a receita tenha surpreendido positivamente, o lucro por ação foi menor que o esperado pelos analistas.

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Já as ações da Sears Holdings despencaram 5,54% depois que os ganhos da companhia caíram 13% no trimestre findo em 29 de janeiro, com lucro líquido de US$ 374 milhões, decepcionando as projeções para a empresa.

As ações do Bank of America caíram 1,41%. O maior banco por ativos norte-americano foi processado por tentar forçar alguns bancos a recomprar os empréstimos subjacentes aos seus títulos. A denúncia foi apresentada na véspera, na Suprema Corte de Nova York, em Manhattan.