Petróleo segue em queda e brent vai a US$ 87 com proposta de acordo entre EUA e Irã

Minuta de acordo inclui uma possível reabertura do Estreito de Ormuz em 30 dias, sob acordos com o Irã, e o levantamento das sanções ao petróleo

Equipe InfoMoney

Bomba de petróleo no Novo México, nos EUA
6 de abril de 2023
REUTERS/Liz Hampton
Bomba de petróleo no Novo México, nos EUA 6 de abril de 2023 REUTERS/Liz Hampton

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Os preços do petróleo e do gás caem forte devido à esperança de que os EUA e o Irã estejam perto de um acordo de paz para pôr fim a uma guerra que tem abalado os mercados.

Os contratos futuros do Brent caíam até 5,1%, atingindo o menor nível desde os primeiros dias da guerra, em março, enquanto o gás europeu despencou até 8,4%. Essas quedas ocorreram depois que a agência de notícias semioficial iraniana Mehr publicou um rascunho de acordo de 14 pontos que, segundo ela, estava em discussão com os EUA.

Já às 8h (horário de Brasília) desta sexta, o WTI tinha baixa de 3,25% (US$ 84,86) e WTI registrava queda de 3,21% (US$ 87,46).

A minuta inclui uma possível reabertura do Estreito de Ormuz em 30 dias, sob acordos com o Irã, e o levantamento das sanções ao petróleo. O texto ainda precisa da aprovação das autoridades iranianas, segundo a reportagem. Na quinta-feira, o presidente Donald Trump afirmou que um acordo de paz com o Irã poderia ser assinado já no fim de semana, cancelando os ataques previamente anunciados contra o país.

Não é a primeira vez que os mercados reagem com otimismo à perspectiva de um fim para o conflito, apenas para verem as esperanças frustradas pela falta de um acordo. O presidente dos EUA já insistiu diversas vezes que um acordo com o Irã estava ao alcance, mas até agora nada se concretizou.

Ainda assim, os preços do petróleo caíram mais de 30% desde o auge do conflito. Além das esperanças de paz, o declínio foi acelerado pela busca de alternativas no mercado para contornar o Estreito de Ormuz, o ponto de estrangulamento energético mais importante do mundo. Nas últimas semanas, o aumento do tráfego marítimo através do estreito com os sinais de satélite desligados, enquanto a queda nas importações chinesas e o aumento das exportações americanas também contribuíram para o equilíbrio do mercado.

“A impressão que fica é que o mercado está apostando cada vez mais que, no fim das contas, ambos os lados têm mais a perder com o fracasso do que com um acordo”, disse Haris Khurshid, diretor de investimentos da Karobaar Capital LP, com sede em Chicago. “Isso não significa que um acordo esteja próximo. Significa apenas que o mercado não vê mais o fracasso como o resultado mais provável.”

Trump disse a repórteres no Salão Oval que a assinatura do acordo poderia ocorrer já neste fim de semana na Europa e que o vice-presidente JD Vance estaria presente caso se concretizasse. Ele também afirmou que o líder supremo do Irã havia concordado com o acordo, embora tenha ressaltado que o pacto ainda não estava finalizado.

Apesar disso, os riscos para a navegação ainda persistem no Estreito de Ormuz. A Fox News noticiou que as forças americanas abateram dois drones de ataque iranianos durante a noite, que aparentemente tinham como alvo embarcações comerciais. O Irã afirmou que a hidrovia seria fechada para todos os tipos de navios após as recentes hostilidades dos EUA, embora tenha havido um aumento no número de embarcações que deixam Ormuz nas últimas semanas.

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(com Bloomberg)