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Petrobras vê espaço para elevar investimentos; leniência da Hypera pode chegar a R$ 2 bi, recomendações e mais destaques

Confira os destaques do noticiário corporativo desta sexta-feira (18)

SÃO PAULO – O noticiário corporativo volta a ter como destaque a Petrobras. Além da notícia sobre indefinição sobre a cessão onerosa, atenção para a entrevista de Pedro Parente destacando que a estatal vê espaço para elevar investimentos pontualmente. Confira mais destaques do mercado nesta sexta-feira: 

Petrobras (PETR3;PETR4)

A Petrobras tem espaço para voltar a aumentar investimentos pontualmente em nova versão do plano de investimentos, a ser publicada até o final do ano, disse o presidente Pedro Parente ao Valor.

A decisão sobre aumento de investimentos depende do resultado dos próximos leilões e caso haja aumento, não será estrutural. A alta do preço do petróleo e do dólar também pode influenciar revisão de metas. De acordo com o CEO, a meta de desalavancagem para 2019 deve ser divulgada entre fim de julho e início de agosto. 

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Vale destacar ainda as notícias sobre a cessão onerosa. A comissão criada pelo governo federal para debater a revisão do contrato de cessão onerosa de reservas do pré-sal, assinado entre a União e a Petrobras em 2010, concluiu os trabalhos ontem (17), segundo informou o Ministério da Fazenda em comunicado à imprensa. O relatório da comissão, que permanecerá “restrito” até o fim das negociações, ainda será analisado por outras instâncias do próprio Ministério da Fazenda, além de ser enviado às pastas do Planejamento e de Minas e Energia. O documento também será submetido ao Tribunal de Contas da União (TCU), afirmou o governo.

“A Comissão teve êxito em trazer todas as informações técnicas e jurídicas necessárias para o acordo, com a construção de uma base única de informações a ser utilizada para calcular o valor final do contrato, envolvendo entre outros elementos, a curva de produção do volume contratado e datas de referência”, diz um trecho da nota enviada pelo Ministério da Fazenda. Ainda segundo a pasta, a União “optou por realizar consulta jurídica a outros órgãos de governo para orientar seus representantes”. Só depois dessa etapa é que União e Petrobras retomam as negociações que vão resultar “em minuta de aditivo contratual acordada entre as partes e que será enviada para deliberação do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE)”, acrescenta o comunicado.

Em 2010, quando foi firmado o contrato original, a União cedeu à Petrobras o direito de explorar 5 bilhões de barris de petróleo e gás natural, por meio do sistema de exploração cessão onerosa, modelo pelo qual a contratação entre as partes é direta, e não por meio de leilão ou licitação. Em troca, a empresa pagou ao Tesouro Nacional R$ 74,8 bilhões. O governo e a Petrobras discutem agora a revisão desse valor, já previsto no contrato, considerando, por exemplo, variações do dólar e do preço do barril do petróleo.

A Petrobras avalia que tem direito a receber recursos porque desde que fechou o contrato, os preços caíram. Como desembolsar esses recursos acarretaria em um impacto negativo nas contas públicas, uma das opções é que a Petrobras receba o pagamento em óleo excedente extraído dos campos da cessão onerosa. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) estima que a camada do pré-sal na qual a Petrobras tem direito à exploração contenha de 9,8 bilhões a 15,2 bilhões de barris extras. São os chamados excedentes da cessão onerosa.

Ontem, em entrevista a agências internacionais, o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, havia dito que qualquer definição dos termos do contrato só seria divulgada na semana que vem. Na última terça-feira (15), o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, também havia dito não haver decisão sobre o tema e adiantou que o trabalho da comissão, encerrado hoje, precisaria ser avaliado por todas as partes envolvidas. Guardia também manifestou preocupação de que a divulgação de informações sobre o caso poderia influenciar o mercado financeiro, já que a Petrobras tem ações na Bolsa de Valores.

A indefinição sobre a revisão da cessão onerosa, no entanto, ajudou a afetar os papéis da estatal petrolífera em 5,43% no pregão desta quinta-feira, contribuindo para o desempenho negativo do Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, que fechou em queda de 3,37%. 

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“A situação de incerteza pode continuar a impactar negativamente as ações da Petrobras no curto prazo, com o prazo para concluir as negociações e viabilizar o leilão do excedente da cessão onerosa no governo atual diminuindo cada vez mais”, destaca a equipe de análise da XP Investimentos. 

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Hypera (HYPE3)

O Ministério Público Federal quer multa de R$ 2 bilhões para continuar conversas sobre acordo de leniência da Hypera, antiga Hypermarcas, diz Valor Econômico, sem revelar como obteve a informação. 

A companhia está disposta a pagar R$ 850 milhões, poderia chegar a R$ 1 bilhão. Os acionistas e executivos da empresa também estariam negociando acordos de delação com a PGR. A PGR diz que não comenta eventuais negociações de colaboração, segundo o jornal. Já a “Hypera Pharma nega que tenha negociado qualquer acordo de leniência”, segundo nota por email.

Em abril, Hypera anunciou afastamento voluntário de João Alves de Queiroz Filho e Claudio Bergamo dos Santos pelo período necessário à conclusão da apuração interna e das investigações do MPF. A decisão foi anunciada dias após busca e apreensão da PF na sede da companhia.

Recomendações

Em destaque entre as recomendações, os ADRs (American Depositary Receipts) da Sabesp (SBSP3) tiveram a recomendação reduzida para neutra pelo Goldman Sachs. Já a Ultrapar (UGPA3) teve a recomendação elevada a ’compra’ pelo HSBC, com preço-alvo de R$ 65.

Concessionárias

Atenção para uma má notícia para as concessionárias de rodovias, como CCR (CCRO3), Ecorodovias (ECOR3) e Triunfo (TPIS3). Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, o governo Temer desistiu de editar uma nova medida provisória tratando da ampliação do prazo dos investimentos nas concessões realizadas no governo Dilma de 5 para 14 anos.

Segundo a publicação, a ampliação ainda pode acontecer, mas apenas se o Congresso tomar iniciativa e propuser um projeto de lei nesse sentido. 

Banco do Brasil (BBAS3)

Em entrevista ao Estadão, o CEO do BB, Paulo Caffarelli, afirmou que a redução de juros em linhas de crédito como cheque especial e capital de giro para empresas ocorrerá independentemente da recente decisão do Copom de manter a Selic em 6,50% ano. Segundo o executivo, a crescente demanda por crédito no país deve se intensificar ainda mais a medida que a atividade econômica acelerar.

“O ajuste nas taxas evidencia a confiança do banco de que a expansão da carteira de crédito nos próximos anos somada a queda na inadimplência serão mais do que suficientes para compensar juros menores”, destaca a XP.

Cemig (CMIG4)

A Cemig firmou o descruzamento de ativos entre Cemig GT e Energimp. 
O documento final foi celebrado para descruzar participações societárias atualmente detidas em conjunto pelas empresas nas centrais eólicas Parajuru, Volta do Rio e Morgado, segundo fato relevante divulgado pela estatal mineira.

O total das ações da Parajuru e de Volta do Rio passam a ser de titularidade exclusiva da Cemig GT, enquanto total das ações de Morgado passam a ser de titularidade da Energimp.

Siderúrgicas

Após a CSN (CSNA3) anunciar aumento de preço para aços planos ontem para a distribuição, o Valor reportou que ArcelorMittal, também anunciou reajuste para planos. O aumento totaliza 12% para laminados a quente e frio, e 8% para galvalume. Ao mesmo tempo, o jornal reportou que produtores de aços longos também estariam buscando reajustes, na ordem de 10-15%, o que também beneficiaria a Gerdau (GGBR4). Se implementados na totalidade, os reajustes devem trazer suporte para os resultados das siderúrgicas no segundo semestre.

Randon (RAPT4)

Na Randon, a receita líquida consolidada de abril foi de R$ 369,4 milhões, alta de 55,5% na base de comparação anual. Já a receita líquida consolidada somou R$ 1,3 bilhão no acumulado entre janeiro e abril de 2018, 58% acima ante mesmo período do ano anterior, disse a Randon em comunicado.

A receita bruta totalizou R$ 523,4 milhões em abril, alta de 59,3% na base anual e, no acumulado do ano, a receita bruta somou R$ 1,8 bilhão, alta de 55,8%. 

Já a Fras-le (FRAS3) registrou receita líquida consolidada de R$ 96,5 milhões em abril, 33,2% acima do mesmo período do ano passado. 

(Com Agência Brasil, Agência Estado e Bloomberg)