Destaques da Bolsa

Petrobras, Vale e siderúrgicas saltam até 5%; BTG Pactual dispara 7% após “block trade”

Confira os principais destaques de ações da Bovespa nesta segunda-feira

Mineração da Vale
Mineração da Vale

SÃO PAULO – O Ibovespa virou para alta nesta segunda-feira (12), após discurso da diretora do Federal Reserve, Lael Brainard, tranquilizar investidores sobre uma possibilidade de elevação de taxa de juros já em setembro. Na semana passada, discursos sinalizando alta de juros, como o do presidente do Fed de Boston, Eric Resengren, deixaram o mercado preocupado. O benchmark encerrou a sessão em alta de 0,94%, a 58.542 pontos. 

No índice, as maiores altas foram de ações ligadas a commodities, como as siderúrgicas, Vale e Petrobras. Do outro lado, as exportadoras caíram com a virada para queda do dólar, que perdeu força após a fala de Brainard

Fora do índice, chamou atenção as ações do small cap Contax, que dispararam até 23% após ter concluído na sexta-feira a venda da divisão Allus para o grupo espanhol Konectanet, em numa transação de US$ 140,4 milhões. Também foi destaque a alta expressiva das units do BTG Pactual, depois de um “block trade” envolvendo os papéis do banco movimentar R$ 25,7 milhões na Bovespa nesta tarde. 

Confira abaixo os principais destaques de ações da Bovespa nesta segunda-feira:

Papel e Celulose
As ações do setor de papel e celulose têm pregão de ganhos, acompanhando o movimento do dólar frente ao real. Neste momento, o contrato futuro do dólar registrava alta de 0,68%, a R$ 3,312. No Ibovespa, Fibria e Suzano lideravam a alta, enquanto Klabin aparecia um pouco mais distante, mas ainda no campo positivo. Apenas 10 das 58 ações do índice operavam em alta hoje. 

Vale e siderúrgicas
As ações da Vale (VALE3, R$ 17,49, +3,74%; VALE5, R$ 14,85, +2,48%) e Bradespar (BRAP4, R$ 10,15, +2,63%) – holding que detém participação na mineradora – tiveram uma forte virada nesta sessão, deixando para trás queda de até 2% no início desta sessão. O movimento ocorreu após a recomendação para o ADR (American Depositary Receipt) ter sido elevado de neutro para overweight pelo JPMorgan, com preço-alvo de US$ 7,00. A revisão ofuscou o movimento do minério de ferro neste pregão. O preço futuro da commodity caiu 2,9% nesta segunda-feira (para o menor nível desde 27 de junho), em meio a uma perspectiva nada animadora para o aço, comentaram os analistas do BTG Pactual.

Segundo eles, preocupações em torno de controle de propriedades na China têm pressionado o mercado. Eles reforçaram que seguem cautelosos com minério, preferindo aço nesse momento. Os analistas reiteraram recomendação de compra em GGBR, vendo CSN como uma boa opção para ficar “short”. 

Apesar do temer do mercado, os papéis das siderúrgicas também viraram para alta nesta tarde, com Gerdau (GGBR4, R$ 9,48, +2,27%), Gerdau Metalúrgica (GOAU4, R$ 4,15, +5,06%), Usiminas (USIM5, R$ 3,89, +1,04%) e CSN (CSNA3, R$ 8,79, +1,62%).

Sobre a Usiminas, a siderúrgica disse que quer cortar custos para seguir gerando Ebitda (Lucro antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização), após encerrar sequência de prejuízos nos último trimestre, segundo Sergio Leite, presidente da empresa, em entrevista à Bloomberg. O volume de vendas do 2° semestre de 2016 deve exceder volume do 1° semestre deste ano, comentou.

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Contax (CTAX3, R$ 13,00, +15,56%)
As ações da Contax dispararam após a companhia ter 
concluído na sexta-feira a venda da divisão Allus para o grupo espanhol Konectanet numa transação de US$ 140,4 milhões. Os recursos serão usados para recomposição de caixa e amortização antecipada de parte da dívida da companhia. Na máxima do dia, as ações subiram 23%, a R$ 13,85. 

Embraer (EMBR3, R$ 15,68, -0,44%)
A Índia está em busca de informações da Embraer depois que reportagem revelou investigação dos EUA sobre negociações da fabricante de aeronaves em todo o mundo, possivelmente incluindo a compra de 3 aviões de vigilância do país asiático de 2008.  

O Ministério da Defesa indiano vai pedir explicação e detalhes e pode tomar medidas adicionais, uma vez que recebe uma resposta, disse o porta-voz Nitin Wakankar, pelo twitter neste sábado. 

Na semana passada, a Folha de S.Paulo disse que Embraer tem sido alvo de investigação por autoridades norte-americanas sobre transações comerciais com a República Dominicana; investigação foi ampliada para incluir o envolvimento da companhia brasileira com mais países, entre eles a Índia

Em 2008, Embraer anunciou venda de 3 jatos EMB-145, aeronaves de alerta e controle aerotransportado, ao governo indiano. “Desde 2011, Embraer tem informado publicamente que vem realizando uma extensa investigação interna e tem cooperado com as autoridades nas investigações envolvendo supostas violações da FCPA”, disse a companhia em comunicado por e-mail. A Embraer “voluntariamente ampliou o âmbito da investigação, sistematicamente informando o andamento do caso ao mercado”. “A empresa não é parte de processos judiciais no Brasil; portanto, não tem acesso às informações neles contidas”

Lojas Americanas e Lojas Renner
A Lojas Americanas (LAME4, R$ 19,48, -0,71%)  e a Lojas Renner (LREN3, R$ 25,20, +0,80%) tiveram a recomendação rebaixada de compra para manutenção pelo Santander. O rebaixamento de Lojas Americanas se deve aos “múltiplos esticados” da ação; papéis ON são negociados com desconto excessivo em relação às PN 

A companhia “tem amplas oportunidades de crescimento, incluindo o seu plano de abertura de lojas (800 novas lojas em 2015-2019), a penetração dos produtos de marca própria e a maturação de sua divisão de financiamento ao consumidor”. “Além disso, esperamos que a B2W mostre melhorias operacionais significativas nos próximos 18 meses devido à evolução mais rápida de sua plataforma marketplace”, afirmaram os analistas do banco. 

Já a Lojas Renner foi rebaixada devido ao “limitado potencial de ganho em relação ao nosso novo preço-alvo para o fim de 2017 de R$ 32 por ação”. “A estratégia de longo prazo da LREN permanece sólida, e esperamos que continue a adotar novas medidas para se tornar uma verdadeira varejista ‘fast-fashion’ com o seu modelo ‘push & pull’ – que deverá permitir uma melhor produtividade, ganhos de margem bruta, e ganhos de capital de giro”. “No entanto, acreditamos que LREN3 não tem catalisadores para estimular o crescimento no curto prazo”, destacam os analistas. 

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O banco vê recuperação econômica no Brasil ainda “indefinida, com um melhor ambiente de consumo esperado apenas para 2017”; “no entanto, vemos sinais de que o pior pode ter ficado para trás”

Já a Hypermarcas (HYPE3) permanece como “top pick”: “embora acreditemos que algumas ações com beta mais elevado possam superar o IBOV dada nossa previsão de uma melhor perspectiva para o consumidor, continuamos cautelosos e recomendamos aos investidores que sejam seletivos ao escolher mais nomes discricionários”. “Gostamos de B2W e Arezzo”, ressaltam ainda. 

Petrobras (PETR3, R$ 16,03, +3,42%; PETR4, R$ 13,95, +3,26%)
Após abrir em queda, as ações da Petrobras viraram para fortes ganhos, seguindo a virada dos preços do petróleo no mercado internacional. Neste momento, o contrato do Brent registrava alta de 0,46%, a US$ 48,23 o barril, enquanto o WTI avançava 0,70%, a US$ 46,20 o barril.

Além disso, a estatal reage às novidades sobre o plano estratégico e produção no pré-sal. A companhia informou que a produção do pré-sal em agosto somou 1,36 milhão de barris de óleo equivalente, alta de 4% na comparação mensal. A produção total de óleo e gás somou 2,84 milhões de boed. A Petrobras informou também que a produção do pré-sal em agosto somou 1,36 milhão de barris de óleo equivalente, alta de 4% na comparação mensal. A produção total de óleo e gás somou 2,84 milhões de boed

Destaque ainda para a entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo do presidente da Petrobras (PETR3;PETR4) Pedro Parente, que afirmou que a Petrobras deverá divulgar seu novo plano estratégico na semana do dia 19 de setembro, incluindo uma meta financeira e uma meta de segurança operacional, as duas com o mesmo grau de prioridade, disse o presidente da estatal. “Não atingimos o nível médio de segurança dos principais players globais, e queremos chegar a isso no menor prazo possível”, disse o executivo. Sobre as finanças da companhia, o plano é antecipar meta de redução da alavancagem (a relação entre dívida e geração de caixa) para antes de 2020, afirmou ele.

Por fim, a Ventura Petróleo e a Commodore Marine, subsidiárias da Petroserv Marine, obtiveram liminar que garante a continuidade de um contrato firmado com a Petrobras para a operação do navio-sonda NS-29-Carolina. A juíza do caso disse que caso o processo prosseguisse com o contrato rescindido poderia haver “configuração de dano irreparável, ao navio objeto da operação, as partes envolvidas, não sendo possível voltar-se ao status anterior, o que não ocorre caso mantido o contrato no período de trâmite processual e discussão quanto a validade ou não da rescisão”.

A Petrobras havia rescindido o contrato com as empresas, que operavam a embarcação. Caso haja descumprimento da decisão, a Petrobras terá de pagar multa equivalente ao aluguel diário da sonda.

Cemig (CMIG4, R$ 8,89, +0,23%)
As ações da Cemig conseguiram fechar em alta após perdas de até 6,31%, a R$ 8,31, nesta tarde, seguindo o movimento da última sexta-feira, quando os papéis despencaram 7,41%, após acordo com a Renova. Na sexta-feira, a Cemig concordou em antecipar R$ 118 milhões referente a entrega de energia futura contratada junta a sua controlada Renova Energia, sendo que a quitação do valor se dará com a entrega de energia a partir de maio de 2021 ou por meio da uma opção de compra em que a Cemig pode adquirir até 49,9% da participação no projeto Alta Sertão III, que vem sendo implementada pela Renova. 

CCR (CCRO3, R$ 17,79, +2,07%)  
Com R$ 62 bilhões em oportunidades de investimentos podendo ser destravados esta semana, o Credit Suisse já tem sua ganhadora na Bolsa: a ação da CCR. Para os analistas do banco, ela é a que está mais bem posicionada para capturar as potenciais oportunidades advindas do pacote de concessões do governo de Michel Temer, previsto para ser anunciado no dia 13 de setembro (próxima terça-feira). Na semana passada, os analistas do banco elevaram o preço-alvo da ação de R$ 13,00 para R$ 19,00 para o fim de 2017. A recomendação foi mantida em neutra (para ver a análise completa clique aqui). Vale menção que em junho os papéis da CCR foram incluídos na Carteira InfoMoney, em meio a um cenário mais favorável para corte de juros no País, e, de lá para cá, a ação já subiu 15%. 

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Mills (MILS3, R$ 4,60, -6,69%)
As ações da Mills desabaram até 10,75% nesta segunda-feira, indo a R$ 4,40, e atingindo o menor patamar desde julho deste ano. Essa foi a quinta queda consecutiva do papel, que acumula no período desvalorização de 18%. O volume financeiro movimentado com a ação foi de R$ 12,054 milhões, contra média diária de R$ 4,117 milhões nos últimos 21 pregões. 

Em reportagem da Isto É Dinheiro da última sexta-feira, o argentino Cristian Nacht, presidente do conselho de administração da empresa desde 1998, conta o que tem feito para tentar salvar a própria empresa, que foi ao fundo do poço e quase faliu após ver a derrocada de suas principais clientes nas investigações da Operação Lava Jato. A investigação, que colocou na cadeia os presidente das maiores empreiteiras do País – quase todas clientes da Mills –, paralisou grandes obras de infraestrutura. O faturamento da companhia que chegou a R$ 832 milhões, em 2013, caiu para R$ 576 milhões, no ano passado. O preço das ações, que havia batido nos R$ 35,78, mergulhou para R$ 2,20, em dezembro de 2015. 

Segundo Adeodato Volpi Netto, head de mercados de capitais da Eleven Financial, a companhia segue com as finanças frágeis e, em um mercado sob tensão, a Mills é um papel mais exposto a especulações. “Atualmente, não há nenhuma notícia que possa animar o investidor sobre a empresa”, comentou, em entrevista ao InfoMoney. 

Porto Seguro (PSSA3, R$ 30,17, +0,87%)
Os analistas do BTG Pactual comentaram, em relatório, que estiveram com a Porto Seguro na sexta-feira passada e a mensagem foi bastante positiva. A companhia indicou que está aumentando os preços nos últimos meses e que a sinistralidade em julho e agosto para o segmento auto já apresentou melhora importante, disseram. Eles acreditam que a performance positiva do papel desde o começo do mês possa ter a ver com isso. Do dia 23 de agosto para cá, as ações da companhia dispararam 15% na Bolsa, alcançando hoje o maior patamar intradiário desde abril deste ano. 

Par Corretora (PARC3, R$ 14,65, +4,20%)
Segundo notícias que saíram na sexta-feira passada, a Caixa Econômica teria contratado o Credit Suisse para intermediar as negociações com a CNP para renovação antecipada do contrato de exclusividade do balcão de seguros. Os analistas do BTG Pactual comentaram hoje que a notícia é boa para a Par Corretora, já que significa que o processo está andando. Neste mês, a ação sobe 14%. 

BTG Pactual (BBTG11, R$ 16,19, +4,72%)
As units do BTG Pactual dispararam até 7,12%, a R$ 16,56, após “block trade” ter movimentado R$ 252,7 milhões na Bovespa com os papéis do banco. Foram vendidas 16,3 milhões de units ao valor unitário de R$ 15,50 cada. Na segunda-feira, comunicado da Bovespa falava na venda de 10 milhões de units. A revista Exame informou nesta manhã que o fundo canadense Ontario TeachersPension Plan (OTTP) – um dos maiores fundos do mundo, com patrimônio líquido de R$ 171,4 bilhões no fim do ano passado – seria o vendedor do leilão do BTG Pactual. O OTTP fez parte do consórcio de fundos que comprou uma participação minoritária do BTG em 2010. Ainda de acordo com a publicação, o próprio banco recomprou parte das ações vendidas pelos canadenses (confira mais clicando aqui).