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Petrobras sobe 4%, mas Ibovespa cai com bancos; dólar sobe a R$ 3,03

Índice caminha para quarto pregão de queda com fraqueza de bancos e Vale amenizando ganhos

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SÃO PAULO – O Ibovespa até esboçou uma recuperação nesta quinta-feira (21), mas volta cair por conta do peso dos bancos da amenização das altas das ações da Vale (VALE3; VALE5). Às 15h38 (horário de Brasília), o principal índice de ações da Bovespa marcava queda de 0,37%, a 54.696 pontos, com os papéis PN de Bradesco (BBDC4) e Itaú Unibanco (ITUB4) recuando 2,14%, a R$ 35,72 e 2,68%, a R$ 29,44. Juntas, as ações compõem cerca de 18,8% da participação da carteira teórica do Ibovespa. 

Já o dólar comercial sobe 0,96%, a R$ 3,0305 na compra e a R$ 3,0323 na venda. 

Para o analista técnico da Guide Investimentos, Lauro Vilares, a perda dos 55.300 pontos, do fechamento do final de abril, deixou a situação mais indefinida para o Ibovespa. De acordo com ele, caso o índice volte a trabalhar acima deste patamar nos próximos dias, o quadro melhora, mas se ele se sustentar abaixo desta zona, a tendência de curto prazo passa a ser baixista. 

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Vale lembrar também que os dados econômicos divulgados hoje foram fracos. A PME (Pesquisa Mensal do Emprego) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostrou um aumento do desemprego de 6,2% em março para 6,4% em abril. A mediana das expectativas dos analistas eram de uma leve oscilação para 6,3%. Já o IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central), caiu 1,07% na comparação entre março e fevereiro e 0,54% de alta de 0,54% ante o mesmo mês do ano anterior.

Já nos Estados Unidos, os pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos subiram de 264 mil para 274 mil nos EUA na semana passada, mas ainda assim, na média de quatro semanas, os dados estão em seus valores mínimos desde abril do ano 2000. Isso é um bom sinal para a economia norte-americana que vem acumulando indicadores fracos nos últimos tempos. Para o mercado brasileiro, no entanto, não é motivo para otimismo, uma vez que melhoras no quadro por lá podem significar maior probabilidade de que o Federal Reserve decida elevar os juros antes do esperado. Ontem, a ata do Fomc (Federal Open Market Comittee) mostrou que pelo menos para junho, um aumento das taxas é extremamente improvável. 

Ambev e bancos continuam em queda
Do lado oposto, os bancos caíam, mantendo o movimento dos últimos pregões. Sofriam desvalorização Banco do Brasil (BBAS3), Bradesco (BBDC3; BBDC4) e Itaú Unibanco (ITUB4). Segundo matéria do Estadão, a alíquota de CSLL (Contribuição Social do Lucro Líquido) pode subir até 20% contra os atuais 15%. O mercado trabalhava anteriormente aumento da taxa para 17%. Em conversas de Joaquim Levy com deputados, o PSD se ofereceu para apresentar projeto aumentando a alíquita para 20%. 

Aliado a isso, o governo estudo por fim ao juros sobre capital próprio, que resultaria em um ganho de até R$ 15 bilhões. Também foi sinalizado pelo ministro Joaquim Levy a taxação da LCA e LCI para que esses títulos deixassem de ter vantagens tributária em relação aos demais instrumentos de renda fixa. A CSLL poderia ser cobrada já neste ano, enquanto as outras mudanças ficariam para 2016.

Por outro lado, a Ambev (ABEV3) zerava perdas depois de cair 2% ontem. Para Lauro Vilares, da Guide Investimentos, as ações da cervejaria caíram ontem também devido ao rumor de que o governo pretende acabar com os juros sobre capital próprio, o que teria um impacto de 14% no lucro da empresa de acordo com os dados compilados pelo BTG Pactual. 

As ações da Vale e siderúrgicas aparecem entre as maiores altas do Ibovespa hoje depois de seguidos dias de fortes quedas. Os papéis sobem junto com o minério de ferro. Os preços da commodity à vista negociado na China do porto de Qingdao avançam 1,37%, a US$ 57,91. 

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Na Bolsa, as ações da Vale (VALE3VALE5) avançam levemente após cair por seis pregões seguidos, assim como as siderúrgicas Usiminas (USIM5) e CSN (CSNA3). Acompanham o movimento as ações da Bradespar (BRAP4), holding que detém participação na Vale. 

A Petrobras (PETR3; PETR4) sobe após cair por três dias seguidos. A companhia informou ontem que assinou um contrato de financiamento de US$ 1,5 bilhão com o Banco de Desenvolvimento da China, como parte do acordo de cooperação. Segundo a Planner Corretora, esse financiamento, mais a possível emissão de debêntures, são notícias positivas para a empresa, mostrando a sua reinserção no mercado de crédito, depois de todas as turbulências passadas nos últimos meses com a dificuldade na divulgação do balanço e o rebaixamento de sua nota de crédito. 

Além disso, a Petrobras, para reforçar a credibilidade junto aos investidores, assumirá formalmente o compromisso de praticar preços de mercado na venda de combustíveis em seu novo plano de negócios. O plano deve ser divulgado na primeira quinzena de junho, de acordo com informações da Folha de S. Paulo.

Ainda no radar, a Petrobras pode ser obrigada a republicar o balanço do primeiro trimestre de 2015, se ficar comprovado que a companhia lançou no resultado valores de operações que aconteceram depois de março, indicou nesta quarta-feira o presidente da CVM (Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Leonardo Pereira.  

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 CMIG4 CEMIG PN14,66-3,99
 BRKM5 BRASKEM PNA13,73-3,58
 ENBR3 ENERGIAS BR ON10,87-2,77
 BBDC4 BRADESCO PN29,43-2,71
 JBSS3 JBS ON16,49-2,43

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 ESTC3 ESTACIO PART ON19,24+6,89
 KROT3 KROTON ON ED12,53+5,83
 PETR3 PETROBRAS ON14,27+4,16
 HGTX3 CIA HERING ON13,85+2,97
 ECOR3 ECORODOVIAS ON ED8,14+2,91
* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)

 

Indefinição nas bolsas mundiais
Os ganhos nas bolsas de valores na maior parte da Ásia foram limitados nesta quinta-feira por indicadores econômicos fracos sobre a atividade industrial da China, mas a bolsa em Xangai se concentrou nos potenciais aspectos positivos dos números e saltou.

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O índice japonês Nikkei chegou a bater a máxima em 15 anos, mas encerrou no vermelho reagindo a realização de lucros. Já o índice de Xangai subiu com força e teve ganhos de 1,89% depois que o PMI preliminar do HSBC para indústria da China mostrou que a atividade industrial no país contraiu pelo terceiro mês em maio.

Leituras fracas da China alimentaram preocupações sobre um resfriamento da demanda na potência global, mas ao mesmo tempo deram força às ações chinesas alimentando expectativas de que autoridades implementem estímulos monetários adicionais.

Enquanto isso, na Europa, o dia é de leves quedas para as principais bolsas do continente, com o mercado repercutindo os dados econômicos da zona do euro. O crescimento empresarial da zona do euro foi mais fraco do que o esperado neste mês, mas as empresas aumentaram o nível de empregados no ritmo mais rápido em quatro anos, sugerindo que estão cada vez mais otimistas, mostrou nesta quinta-feira o PMI.

“Haverá muitas pessoas decepcionadas com o fato de termos uma diminuição no crescimento pelo segundo mês, mas isso precisa ser colocado em contexto, é um número razoável”, disse o economista-chefe do Markit, Chris Williamson, que compila a pesquisa. O PMI Composto preliminar do Markit, formulado com base em pesquisas junto a milhares de empresas e considerado um bom indicador de crescimento, caiu para 53,4 em maio ante 53,9 em abril, ante expectativa em pesquisa da Reuters de 53,8.

Enquanto isso, as mineradoras registram ganhos em meio à alta do preço do minério de ferro, com expectativa de mais estímulos na China com os dados fracos no país.

(Com Reuters)