Destaques da Bolsa

Petrobras sobe 2%, Vale ameniza queda e Localiza dispara 5% após balanço

Confira os destaques da Bovespa nesta terça-feira (26)

SÃO PAULO – O Ibovespa ganha força na manhã desta terça-feira (26) puxado pelo movimento das bolsas americanas, que aceleram alta após indicador de confiança do consumidor dos Estados Unidos vir pior do que o esperado em abril (94,2 contra estimativa de 95,8). Em apenas 25 minutos, as ações da Petrobras subiram 1,5%. Já os bancos saltaram mais de 2%. 

Entre as maiores altas do Ibovespa, apareciam as ações da Localiza após balanço melhor do que o esperado no 1° trimestre, seguida pelos papéis da Lojas Americanas. Na ponta negativa, Bradespar e Vale figuravam como as maiores quedas. Com a recuperação da Bolsa, apenas 12 das 61 ações do Ibovespa caíam. Confira os destaques abaixo: 

Petrobras (PETR3, R$ 12,61, +2,02%; PETR4, R$ 9,55, +2,36%)
A Petrobras amplia alta, seguindo movimento do mercado e acompanhando o preço do petróleo lá fora, com o brent em alta de 1,35%, a US$ 45,05, antes de dados de estoques nos EUA.

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No noticiário da estatal, ela informou em comunicado divulgado ao mercado na noite anterior, que a decisão da Justiça Federal do Rio de Janeiro não suspende a venda de 49% das ações de sua subsidiária Gaspetro para a japonesa Mitsui. Segundo a estatal, o juiz determinou, sim, que a Mitsui não poderá dispor das ações adquiridas. Com isso, a Mitsui não poderá fazer quaisquer negócios com os papéis, como vendê-las.

Conforme o GLOBO publicou ontem, a Justiça Federal do Rio concedeu liminar atendendo à Federação Única dos Petroleiros (FUP), que pedia a suspensão da venda. A Petrobras foi procurada anteontem mas não respondeu sobre o tema até o encerramento da edição do jornal. Ontem, a empresa afirmou que a liminar não suspendeu a venda, como noticiado pelo jornal, mas, sim, impediu a Mitsui de “dispor das ações”.

Destaque ainda para a notícia de que o fundo de investimentos em participações (FIP) Sondas, que reúne a maioria dos sócios da Sete Brasil, reconheceu até o primeiro trimestre deste ano uma perda de R$ 5,16 bilhões no investimento feito na companhia criada para gerenciar as sondas do pré-sal. Isso representa uma desvalorização de 65% no fundo em 15 meses, segundo dados registrados na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O investimento total feito na Sete Brasil foi de R$ 8,3 bilhões, sendo 95% por meio do Sondas e 5% diretamente da Petrobras. Dentro do FIP Sondas estão os fundos de pensão Previ (Banco do Brasil), Funcef (Caixa), Petros (Petrobras) e Valia (Vale), os bancos BTG Pactual, Bradesco e Santander, o FI-FGTS e a própria Petrobras. Com o reconhecimento da perda, é provável que muitos desses investidores, que ainda não deram baixa no investimento, tenham de mudar de posição.

Até agora, o BTG, a Funcef e a Previ já anunciaram que fizeram provisões assumindo uma perda total do investimento. O FI FGTS também deve dar baixa total no investimento. Bradesco, Santander e Petros ainda não informaram como vão tratar as perdas do investimento em seus balanços. O Petros informou que vai divulgar sua posição junto com o balanço de 2015, que ainda não foi publicado. O balanço anterior, de 2014, registrava investimentos da ordem de R$ 1,3 bilhão no FIP Sondas, representando quase um terço do total de investimento em fundos estruturados que o Petros possui. Reconhecer a perda agora, pode acentuar o déficit a ser registrado pelo fundo e que terá que ser reequilibrado pelos beneficiários e o patrocinador.

Localiza (RENT3, R$ 32,13, +4,56%)
As ações da Localiza disparam após os bons resultados do primeiro trimestre. A companhia teve lucro líquido de R$ 103 milhões no primeiro trimestre, alta de 2,7% na comparação anual, informou a empresa de gestão de frotas e aluguel de veículos. A alta de 41% das despesas financeiras, para R$ 67,7 milhões, pressionou o resultado.

A receita líquida consolidada subiu 4%, a R$ 1,047 bilhão. A receita líquida de aluguel avançou 8,5%, enquanto a de seminovos ficou estável. Segundo a Localiza, a queda de 6,3% no volume de venda de carros foi compensada pelo aumento de 6,8% no preço dos veículos vendidos.

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O Itaú BBA destacou que a companhia apresentou resultados melhores do que o esperado; a surpresa positiva foi divisão RAC, que apresentou crescimento de 10% na comparação anual da receita e margem Ebitda estável, “confirmando que as iniciativas lançadas nos últimos 18 meses para estimular a demanda de lazer estão dando frutos”. O BTG Pactual também destacou que a companhia teve um resultado forte e revisou as estimativas para os números da companhia novamente para cima com a surpresa do RAC e a queda menor do que a esperada nas margens de seminovos, elevando o preço-alvo de R$ 33 para R$ 34 por ação. 

Lojas Renner (LREN3, R$ 19,02, -2,21%)
As ações da Lojas Renner são destaque de queda após a companhia divulgar os números do primeiro trimestre. 
A varejista teve lucro líquido de R$ 65,5 milhões entre janeiro e março, queda de 10,5% na comparação anual. Para o Credit Suisse, a desaceleração da economia começou a impactar a empresa, que reportou Ebitda abaixo do esperado, em função de uma receita líquida mais fraca e aumento das despesas gerais e administrativas. 

Os analistas do banco suíço ressaltaram que, com o LPS (Lucro Por Ação) estimado 8% abaixo do consenso para 2016, eles esperam cortes no mercado nas próximas semanas. Para eles, o desempenho recente das ações tem sido reflexo de uma redução do risco-País, no entanto, o balanço deve ser um catalizador para os investidores precificarem um novo cenário para a empresa. Eles ressaltaram que ainda veem a LREN3 como um bom ativo para o longo prazo, mas o potencial de alta no nível atual de preco está limitado.

Já o BTG Pactual ressaltou que os números foram mistos e as vendas nas mesmas lojas foram menores do que o esperado, enquanto o financiamento ao consumidor foi melhor do que o esperado. “O mercado pode reagir negativamente aos resultados, mas seguimos com a Renner como a nossa Top Pick e recomendamos manter o nome no radar dados os benefícios de médio a longo prazo dos seus projetos”, afirmam os analistas. O Itaú BBA destaca reação negativa a resultados “mais moderados do que nossas estimativas já conservadoras”.

Oi (OIBR4, R$ 1,16, +7,21%)
As ações da Oi voltam a disparar nesta sessão após a alta de 20,65% da véspera. O mercado repercute a notícia do  acordo de confidencialidade para que a Moelis & Company assessore um grupo de detentores de bônus emitidos pela companhia e algumas de suas afiliadas com vistas à reestruturação da dívida da companhia brasileira.

Conforme a Oi, o acordo de confidencialidade celebrado com a Moelis “configura passo inicial para discussões produtivas e ágeis” sobre uma potencial reestruturação financeira da operadora. Fontes familiarizadas com a situação disseram à Reuters que a Oi iniciará conversas para reestruturar US$ 14 bilhões em bônus.

Vale (VALE3, R$ 17,73, -1,83%; VALE5, R$ 13,84, -2,26%)
As ações da Vale amenizam queda após afundarem até 4% nesta manhã, seguidas pelos papéis da Bradespar (BRAP4, R$ 7,37, -2,90%) – holding que detém participação na mineradora – que chegaram a desabar 7%. Esse é o terceiro pregão negativo da Vale em 3 pregões, quando acumula queda de 17%.

Veja mais: Fique fora de Vale na semana, alerta analista; dólar buscar os R$ 3,30

O pessimismo mais cedo refletia a forte queda de 4,98% do minério de ferro no porto de Quingdao, na China, fechando cotado a US$ 62,78 a tonelada nesta terça-feira. Além do preço da commodity, investidores seguem preocupados com a produção da mineradora, após relatório de produção do 1° trimestre reportado na noite de quarta-feira passada. A mineradora reportará seu balanço do 1° trimestre na próxima sexta-feira. 

As ações das siderúrgicas, que também caíam forte mais cedo, amenizam o movimento, com Gerdau (GGBR4, R$ 7,17, -1,01%) e CSN (CSNA3, R$ 12,04, -1,07%). A Usiminas (USIM5, R$ 2,34, +0,43%), por sua vez, ainda mostrava leve alta depois de ter o seu pior dia em seis semanas na véspera.

Cabe lembrar que a mineradora aprovou na segunda-feira em assembleia de acionistas uma nova política de dividendos, que permite que a companhia passe a encerrar o pagamento após o fechamento do exercício e não ao longo dele, como ocorria anteriormente, segundo ata enviada à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Pela nova regra, o montante da remuneração ao acionista ficará ainda a critério do Conselho de Administração.

A mudança ocorreu após a Vale registrar prejuízo líquido de 33,156 bilhões de reais no quarto trimestre de 2015, o pior resultado desde pelo menos a privatização da empresa, em 1997, com suas contas afetadas pelos baixos preços das commodities, que levaram a companhia a realizar uma expressiva baixa contábil.

Papel e celulose
O dia traz notícias negativas para as ações do setor de papel e celulose Fibria (FIBR3, R$ 32,41, -0,52%), Suzano (SUZB5, R$ 13,30, +1,95%) e Klabin (KLBN11, R$ 17,98, +0,39%) nesta sessão, embora elas reajam entre altas e perdas. Além da queda do dólar frente ao real, os papéis reagem à queda dos preços da celulose no mercado internacional. Segundo dados da consultoria Foex divulgados hoje, os preços da commodity tiveram uma ligeira queda de US$ 2 e US$ 3 a tonelada, respectivamente, na semana, indo para US$ 449 e US$ 705,8 a tonelada na China e Europa. Para o BTG Pactual, no entanto, apesar de ter mostrado queda, o movimento mais ameno pode indicar que os preços podem estar caminhando para um fundo.

Os analistas do BTG seguem acreditando que os preços podem estar perto de um fundo e que pode ter uma recuperação nas próximas semanas. “As próximas semanas vão ser essências para determinar se essa reversão de tendência se confirma”, disseram.

BTG Pactual (BBTG11, 19,94, +7,78%)
As ações do BTG Pactual sobem em meio à duas notícias para a companhia. O banco 
destacou em comunicado que a venda da Pan Seguros depende de aprovação da Caixa. O BTG informou que “está tempestivamente tomando as medidas necessárias para atender as condições precedentes, incluindo notificar formalmente a Caixa sobre as operações, em conformidade com o estipulado no acordo de acionistas vigente”.

Destaque ainda para a notícia de que uma decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Teori Zavascki permite que o banqueiro André Esteves volte a trabalhar no BTG Pactual, banco que controlava até ser preso no âmbito da Operação Lava Jato. Segundo o advogado do banqueiro, Antonio Carlos de Almeida Castro, Teori  também revogou o “recolhimento domiciliar integral” (na prática, prisão domiciliar), e dispensou Esteves de se apresentar quinzenalmente à Justiça. O banco confirmou a suspensão da prisão domiciliar do ex-presidente do banco André Esteves. Procurado, o BTG não comentou a possibilidade de André Esteves retornar ao banco, após o levantamento das medidas cautelares do recolhimento domiciliar. 

BR Properties (BRPR3, R$ 9,68, +7,92%)
A GP Investments elevou a oferta pela BR Properties para R$ 11 por ação, o que faz as ações da companhia subirem forte. O novo valor se compara a R$ 10 por ação divulgado inicialmente e representa prêmio de 33% sobre preço de fechamento da BR Properties na data em que foi divulgada a intenção de realizar a oferta, segundo comunicado. A GP confirma o leilão da oferta para 11 de maio. A GP quer comprar no mínimo 112,8 milhões de ações ON e no máximo 172,4 milhões, elevando sua participação de 12% na BR Properties para até 58%. O BTG detém 15% da BR Properties e o Petros, 10%, entre outros acionistas.

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