Destaques da Bolsa

Petrobras se descola do petróleo e cai 4%, Gerdau afunda 6% e Suzano sobe 4%

Confira os principais destaques de ações da Bovespa nesta sessão

SÃO PAULO – O Ibovespa encerrou em queda nesta segunda-feira (18), puxado por bancos e Petrobras, que passou a cair mais forte após exercício de opções sobre ações. O mercado reagiu também nesta sessão à aprovação do impeachment ontem na Câmara dos Deputados.

Além do vencimento de opções, a derrocada do petróleo mais cedo ajudou a trazer volatilidade para as ações da Petrobras neste pregão. A commodity, no entanto, zerou perdas nesta tarde, virando para leve alta. Já as ações da Vale foram influenciadas pela forte alta do preço do minério de ferro na China. 

Entre as maiores altas de hoje, as ações das exportadoras foram as grandes ganhadoras do dia, beneficiadas pela alta de 2% do dólar frente ao real, que voltou para o patamar dos R$ 3,60. As ações da Suzano, Fibria e Braskem lideraram os ganhos do índice, com alta superior a 3%. Do lado negativo, lideraram as ações da Lojas Americanas, com queda de 6,01%, a R$ 15,32, seguidas por Gerdau. 

Confira abaixo os principais destaques de ações da Bovespa: 

Petrobras (PETR3, R$ 11,77, -1,26%; PETR4, R$ 9,24, -4,64%)
As ações da Petrobras viveram turbulência em sessão pós-aprovação do impeachment na Câmara, volatilidade dos preços do petróleo e vencimento de opções sobre ações na Bovespa. Na mínima do dia, os papéis preferenciais da estatal chegaram a cair 8%, pressionados pela derrocada mais cedo do petróleo no mercado internacional. Nesta tarde, no entanto, o petróleo brent zerou queda e virou para leve alta de 0,02%, a US$ 43,11 o barril. A commodity refletia nesta manhã a reunião dos produtores de petróleo, que terminou sem acordo para congelar a produção. A proposta debatida era o congelamento da produção no nível de janeiro, com intuito de segurar as quedas dos preços ao limitar a oferta. O governo da Arábia Saudita sinalizou publicamente que não irá considerar um congelamento sem o Irã.

Por aqui, especialistas comentavam sobre os impactos na companhia sobre uma possibilidade de mudança política. “Uma nova gestão para Petrobras não deve mudar as operações da companhia tão rapidamente. O que importa principalmente para investidores agora é a viabilidade financeira da empresa, o que depende do petróleo”, disse Adeodato Volpi Netto, chefe de mercados financeiros da Eleven Financial Research. 

Em relatório, analistas do Bank of America Merrill Lynch disseram que a Petrobras poderá acelerar desalavancagem se real se fortalecer e preços domésticos de gasolina e diesel ficarem inalterados. A estatal vende atualmente gasolina/diesel com prêmio de 29%/53% em relação ao preço dos EUA. Se real se valorizar para R$ 3,00/dólar, prêmio subirá para 52% na gasolina e 80% no diesel, avaliam. O banco elevou o preço-alvo de PETR3 de R$ 12,40 para R$ 14,40. 

Vale (VALE3, R$ 19,05, +2,42%; VALE5, R$ 14,57, +1,96%)
As ações da Vale viraram para alta nesta sessão, após as preferenciais caírem 2,45% na mínima do dia. Os papéis acompanham o movimento do minério de ferro, que subiu 4,17% no mercado à vista na China, para US$ 59,90 por tonelada no porto de Tianjin, seguindo a alta do aço, que foi apoiado por uma demanda sazonal firme que elevou as margens de produtores e impulsionou o apetite pela matéria-prima. Uma série de dados recentes que mostram estabilização na economia da China também estimulou a alta dos preços.

Apesar da alta, analistas do Citi escreveram hoje que os ganhos podem ser revertidos em queda no segundo semestre deste ano. No primeiro trimestre, a commodity subiu 23% na China. 

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Exportadoras
As ações das exportadoras lideraram os ganhos do Ibovespa nesta sessão, puxadas pela alta do dólar frente ao real. As maiores altas foram dos papéis da Suzano (SUZB5, R$ 13,08, +4,47%), Fibria (FIBR3, R$ 32,16, +3,34%) e Braskem (BRKM5, R$ 25,42, +3,12%), após ver o dólar subir 2% para fechar próximo da máxima do dia, a R$ 3,60.

Siderúrgicas
Rumores da notícia sobre aumento dos preços de aço no Brasil continuam e devem continuar trazendo “momentum” favorável ao setor, comentaram analistas do BTG Pactual. Nesta sessão, no entanto, esses papéis caíram forte, com Gerdau (GGBR4, R$ 7,40, -5,73%), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 2,75, -3,16%) e Usiminas (USIM5, R$ 2,07, -1,43%). A CSN (CSNA3, R$ 12,10, +1,51%) foi exceção no setor e subia. Ontem, a SBB reportou que os produtores de aço estão pedindo aumento de 10% a 12%, a partir de 1° de maio para o setor industrial. Vale lembrar que nos últimos dias, anunciaram aumento de preço na cadeia de distribuição. Os preços domésticos continuam negociando a um desconto da paridade de importação de cerca de 15%.

Segundo analistas do BTG, esses aumentos de preço não estão contemplados nos seus números para as empresas e podem gerar upside (potencial de alta) se implementado. Eles reiteraram a Gerdau como sua top pick.

No radar do setor, a Usiminas informou nesta manhã que foi aprovado pela AGE (Assembleia Geral Extraordinária) o aumento de capital social da companhia de R$ 1 bilhão. A companhia vai emitir 200 mil ações a R$ 5,00. A Nippon Steel vai subscrever até R$ 1 bilhão, de acordo com o comunicado. A capitalização é a principal exigência do credores da Usiminas para fazer uma rolagem da sua dívida – quase R$ 6 bilhões até o fim de 2018.

A CSN entrou na Justiça com processo contra Usiminas para obrigá-la a obter dinheiro de subsidiária e revisar os termos do aumento de capital aprovado hoje, diz Reuters, citando fontes não identificadas. Na semana passada, a siderúrgica entrou na justiça com pedido de liminar para obrigar a Usiminas a transferir cerca de R$ 900 milhões da subsidiária Mineração Usiminas ao caixa da companhia. A ação também busca anular termos do plano de capital aprovado pelo conselho da Usiminas, alegando que poderia ser diluidor e prejudicial aos minoritários. 

Nova carteira do Ibovespa
A BM&FBovespa divulgou nesta manhã sua segunda prévia da nova carteira do Ibovespa, que vai vigorar a partir de maio. A nova composição segue sem as ações da Oi (OIBR4, R$ 0,95, -4,04%) e Cia Hering (HGTX3, R$ 15,15, -0,85%), perfazendo um total de 59 ativos no benchmark frente 61 atualmente. A última prévia e definitiva será divulgada no último pregão do mês.  

JBS (JBSS3, R$ 9,45, -2,07%)
As ações da JBS retomaram baixa nesta sessão. O Santander removeu as ações da JBS da sua carteira recomendada, enquanto adicionou Banco do Brasil (BBAS3) e Copel (CPLE6). O banco elevou estimativa para Ibovespa no fim de 2016 para 61.000 pontos. 

Bancos 
As ações dos bancos acompanharam a queda do mercado e caíram hoje, lideradas pelo Banco do Brasil (BBAS3, R$ 22,08, -2,73%). Os papéis do Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 32,70, -0,73%)  e Bradesco (BBDC4, R$ 26,06, -0,57%) também encerraram em queda.

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Cetip (CTIP3, R$ 41,15, -0,48%) e BM&FBovespa (BVMF3, R$ 16,47, -3,68%)
Os conselhos de administração da BM&FBovespa e da Cetip aprovaram na sexta-feira, dia 15, em reuniões extraordinárias, a fusão entre as companhias, por meio da incorporação de ações da Cetip pela Companhia São José Holding, seguida da incorporação São José pela BM&FBovespa. Além disso, os colegiados das empresas deram aval à convocação de assembleia geral extraordinária (AGE) para que os acionistas de ambas as companhias deliberem sobre o assunto. 

O encontro foi agendado para o dia 20 de maio, a partir das 15 horas, na sede da BM&FBovespa, no centro de São Paulo. 

Na assembleia, os acionistas discutirão o investimento de R$ 9.257.820.000,00 da BM&FBovespa na subscrição e incorporação das ações da Cetip na São José Holding; o protocolo e justificação da fusão; a ratificação da nomeação da consultoria Apsis como responsável pela elaboração do laudo de avaliação a valor contábil do patrimônio líquido da São José. Além disso, eles vão avaliar o documento formulado pela consultoria e aprovar todos os processos para a efetivação da conclusão do negócio e reorganização societária.

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