Destaques da Bolsa

Petrobras salta 2% entre petróleo e recomendação do HSBC; small cap dispara 20% com rumor de venda de ativos

Confira os principais destaques de ações da Bovespa desta quinta-feira

SÃO PAULO – O Ibovespa fechou praticamente estável nesta quinta-feira (8), entre alta da ação da Petrobras e queda da Vale. As ações da petroleira subiram na esteira de uma elevação de recomendação para compra pelo HSBC e alta dos preços do petróleo. Na contramão, a Vale foi penalizada pela queda do minério de ferro nesta sessão. 

Destaque hoje também para as ações da JBS, que tiveram dia de alívio após queda de até 17% em dois pregões em meio ao risco gerado pela Operação Greenfield, deflagrada na última segunda-feira pela Polícia Federal. 

Fora do Ibovespa, as ações da Brasil Pharma dispararam até 26% hoje após rumor de venda de ativos, enquanto a Lupatech saltou 24% depois de a empresa ter apresentado um novo plano de recuperação judicial. A Oi, por sua vez, seguiu derrocada do último pregão, em meio à notícia de que o comitê diretivo do grupo de detentores de bônus da companhia, composto por mais de 40% do volume de títulos de dívida externa da companhia, afirmar que o plano de recuperação judicial da empresa não atende aos interesses dos vários credores.

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Confira abaixo os principais destaques de ações da Bovespa nesta sessão:

Petrobras (PETR3, R$ 16,39, +2,44%PETR4, R$ 14,22, +1,72%) 
As ações da Petrobras subiram forte entre elevação de recomendação e alta dos preços do petróleo nesta sessão. O contrato futuro do Brent registrava neste momento alta de 3,75%, a US$ 49,78 o barril, enquanto o WTI avançava 4,24%, a US$ 47,43 o barril. 

Sobre a revisão das ações, o HSBC elevou hoje a recomendação dos papéis da Petrobras para compra. O preço-alvo das ações ONs passou de R$ 10,00 para R$ 18,00, enquanto o das PNs saltou de R$ 8,70 para R$ 17,00. Em relatório, os analistas Lilyanna Yang e Gordon Gray, do banco, ressaltaram que preferem exposição aos papéis preferenciais, que veem potencial de alta de 22%. 

Além disso, a estatal acertou a venda de parte de sua malha de gasodutos para o fundo canadense Brookfield. O negócio, estimado em cerca de R$ 19 bilhões (US$ 5,9 bilhões), envolve uma fatia de 90% na subsidiária Nova Transportadora do Sudeste (NTS). Os termos do acordo serão levados pela estatal, até o fim do mês, ao seu conselho de administração, que terá de aprová-lo. Se confirmada, será a maior venda de ativos realizada pela petroleira em seu plano de desinvestimentos.

A meta da Petrobras é arrecadar US$ 15,1 bilhões até o final deste ano com a venda de ativos, para reequilibrar suas contas. Desde o último ano, a petroleira já negociou cerca de US$ 4,6 bilhões com a venda de participações na Gaspetro, responsável pela gestão das distribuidoras regionais de gás; ativos na Argentina e no Chile; além de campos de petróleo como a área de Carcará, no pré-sal da Bacia de Santos.

O martelo sobre a NTS deve ser batido em reunião do conselho da estatal no próximo dia 28, segundo fontes que acompanham a negociação. Discutida desde o início do ano, a oferta pela malha de gasodutos previa venda de 80% das ações. Em maio, a Petrobrás iniciou negociação exclusiva com a Brookfield, que ampliou a oferta após visitar bases operacionais da empresa.

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BRF (BRFS3, R$ 56,15, +1,23%)
A BRF anunciou na quarta-feira, o início de uma oferta de recompra, pela subsidiária BFF Internacional, de todas as 7,25% senior notes de emissão da BRF com vencimento em 2020, e o de uma oferta, pela BRF, de recompra de todas as 5.875% senior notes de emissão com vencimento em 2022. Conforme conta a companhia em comunicado enviado ao mercado, as ofertas “estão sendo realizadas de acordo com os termos e condições previstos no memorando de oferta de recompra”, desta data.

Oi (OIBR3, R$ 3,79, -3,07%; OIBR4, R$ 2,75, -4,51%)
As ações da Oi estenderam as perdas do último pregão, após apresentação do seu plano de recuperação judicial. Nos dois pregões, as ações ordinárias registram perdas de 14,62%, enquanto as preferenciais caem 22,95%.

Segundo informou o Valor Econômico, o comitê diretivo do grupo de detentores de bônus da Oi, composto por mais de 40% do volume de títulos de dívida externa da companhia, afirmou que o plano de recuperação judicial da empresa não atende aos interesses dos vários credores e reflete uma incompreensão da gravidade da atual situação da companhia.

Na leitura dos analistas de mercado, os acionistas podem ser penalizados pelo plano de recuperação da empresa. Isso porque, para sobreviver, a empresa propõe que parte dos créditos sejam convertidos em ações, até o limite de R$ 32,3 bilhões (equivalentes a até 85% do capital social da Oi), ou sejam pagos a partir do 11° ano do processo de recuperação, em parcelas semestrais corrigidas. As opções valem para todos os credores com mais de R$ 1.000 a receber, excluindo dívidas trabalhistas, que serão pagas em cinco parcelas mensais a partir da homologação do plano.

Segundo o plano, se os R$ 32,33 bilhões forem convertidos em ações, esses títulos conversíveis terão valor de face de R$ 10 bilhões, o que significa que os credores que aderiram estarão aceitando um desconto de 70% no valor a receber. Há também uma opção – limitada para dívidas de até R$ 15,65 bilhões -, que seriam pagos em dinheiro, com a primeira parcela sendo quitada após dez anos, ao longo de sete anos (para ver a análise completa clique aqui). 

Embraer (EMBR3, R$ 16,14, +1,83%) 
As ações da Embraer tiveram seu nono pregão seguido de ganhos, período em que acumulam alta de 13%. Essa é a maior sequência de alta desde dezembro de 2005, quando os papéis subiram por 11 dias seguidos, acumulando alta de 18%. 

No radar da companhia, segundo a Folha de S. Paulo, as investigações abertas pelo governo dos Estados Unidos para apurar suspeitas de que a Embraer pagou propina para obter contratos no exterior atingiram negócios fechados pela empresa brasileira na Arábia Saudita e na Índia. As investigações ocorrem desde 2010. 

A Embraer colabora com as investigações e anunciou em julho que espera fechar em breve um acordo com as autoridades dos EUA. A empresa separou US$ 200 milhões (R$ 642 milhões) para pagar multas decorrentes do processo. A empresa afirmou que colabora com as investigações sobre seus negócios no exterior, mas não quis discutir detalhes. argumentando que o inquérito em curso nos Estados Unidos ainda não foi concluído e que não é parte do processo aberto pelo Ministério Público Federal no Rio.

Siderúrgicas
As ações das siderúrgicas tiveram forte alta nesta sessão. No radar, a Gerdau (GGBR4, R$ 9,77, +1,66%) foi elevada para compra pelo Santander e a Usiminas (USIM5, R$ 4,04, +3,59%) foi elevada para manutenção. Na última terça-feira, foi a vez do Bradesco BBI revisar os papéis do setor. O banco revisou para cima as ações da Gerdau e da Usiminas (veja mais clicando aqui). Hoje, as demais ações do setor também operam em alta, com Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 4,17, +4,25%) e CSN (CSNA3, R$ 9,25,  -2,32%). 

De acordo com o Santander, a Gerdau oferece a melhor relação risco/retorno entre os nomes brasileiros, enquanto eles seguem com visão cautelosa sobre a Vale, destacando ver os preços do minério de ferro atuais como insustentável. Já a CSN segue com recomendação underperform.

Sobre a Vale (VALE3;VALE5), o Santander estima que a alavancagem financeira atingirá um pico de 4 vezes a dívida líquida/EBITDA em 2017, com melhora gradual após o completo ramp-up de S11D. Neste sentido, não seria uma prioridade vender ativos no curto prazo, em nossa opinião”, destaca o relatório.

“No entanto, acreditamos que a Vale quer estar preparada para o pior, possivelmente esperando que os preços do minério de ferro estejam menores do que nossa estimativa de US$ 50 a tonelada para o final de 2017”. “Preferimos ver a Vale vendendo ativos ‘noncore’ (assumindo valor justo, é claro) antes de ter que vender uma participação minoritária na divisão de minério de ferro. O potencial venda de uma participação no ‘core’ antes de vender ativos ‘noncore’ pode ser um sinal de baixa liquidez, o que aumentaria a probabilidade de a Vale não cumprir seu guidance de redução da dívida líquida (US$ 15 bilhões até o final de 2018)”.

De acordo com os analistas, o “risco/retorno não é gratificante”, apesar de gostar da abordagem da administração de buscar ganhos de eficiência e vendas de ativos, continuamos céticos sobre a sustentabilidade dos preços do minério de ferro nos níveis atuais. “Notamos que a sazonalidade desfavorável no segundo semestre poderia levar a alguma realização de lucros”.

JBS (JBSS3, R$ 11,77, +6,90%)
As ações da JBS corrigiram após derrocada de até 17% nos últimos dois pregões, em meio à Operação Greenfield deflagrada na última segunda-feira (5) pela Polícia Federal. Hoje, o HSBC reiterou recomendação de compra para a ação, com preço-alvo de R$ 18,30, o que implica um potencial de valorização de 66% frente ao fechamento do último pregão.

Em relatório, os analistas reiteraram recomendam de compra, citando que a listagem na Bolsa de Nova York e o fato de a empresa passar a ser domiciliada fora do Brasil podem cortar o risco-País e o risco de governança de suas ações. “Acreditamos também que o menor risco, o crescimento mais rápido e um veículo mais ‘amigo do investidor’ deve emergir de uma listagem da ação na Nyse”, comentaram.

Apesar da JBS não estar diretamente relacionada com a Operação, uma vez que ela investiga outra empresa do grupo J&F, a Eldorado Papel e Celulose, as consequências são diretas para ela, por conta do envolvimento dos principais nomes da empresa: Wesley (presidente da JBS) e Joesley Batista (presidente da J&F). Na terça-feira, o Itaú BBA e BTG Pactual rebaixaram recomendação da ação de compra para neutra. O BTG Pactual ressaltou três preocupações primeiras desencadeadas após a Operação da PF, optando pelo rebaixamento até que se tenha mais detalhes sobre o plano estratégico e de sucessão no rescaldo dos acontecimentos desta semana. Já o Itaú BBA destacou que o desenrolar das investigações da Greenfield não está focado na JBS, mas aumenta o custo de carregamento para a ação (confira a análise completa clicando aqui).  

Gafisa (GFSA3, R$ 2,44, +6,09%)
As ações da Gafisa dispararam após terem cobertura iniciada pelo Santander com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 3,70. Apesar da visão positiva, os analistas Bruno Mendonça e Renan Manda ressaltam que um catalisador de curto prazo para as ações depende da monetização da Tenda. A Direcional (DIRR3, R$ 6,20, +0,16%) segue como a top pick do setor. 

Lupatech (LUPA3, R$ 6,47, +9,33%)
As ações da Lupatech operaram entre leilões na Bovespa nesta sessão. Na máxima do dia, atingiram alta de 23,73%, a R$ 7,30. Após o fechamento do pregão de terça-feira (6), a companhia apresentou o seu novo plano de recuperação judicial. Em comunicado, a empresa afirma que o novo plano estabelece os termos e condições para a reestruturação das dívidas do grupo e atende aos critérios estabelecidos nos acórdãos da 2ª Câmara. 

Em junho, a 2ª Câmara Reservada de Direito Empresarial do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo anulou a decisão homologatória do plano. A Lupatech entrou em recuperação judicial em maio de 2015.

Brasil Pharma (BPHA3, R$ 12,37, +19,86%)
As ações da Brasil Pharma dispararam até 26,45% nesta sessão, a R$ 13,05, com forte volume financeiro de R$ 8,9 milhões, contra média diária de R$ 2,5 milhões dos últimos 21 pregões. Segundo informações da Reuters, a Brasil Pharma (BPHA3) está perto de vender duas unidades por cerca de R$ 1,2 bilhão, numa estratégia para reduzir dívida, disseram duas fontes com conhecimento direto das transações.

A Brasil Pharma vai vender primeiro a Drogaria Rosário Distrital para a Profarma Distribuidora de Produtos Farmacêuticos, afirmaram as fontes. A venda, que pode atingir cerca de R$ 200 milhões. Depois disso, a Brasil Pharma vai vender a Drogarias Big Ben por R$ 1 bilhão de reais, disseram as fontes. O comprador será o braço de drogarias do grupo industrial e de serviços Ultrapar Participações (UGPA3), afirmaram as fontes, sem darem detalhes sobre o prazo para o anúncio da operação. A Brasil Pharma, que é apoiada pelo grupo BTG Pactual, não comentou o assunto, assim como a Ultrapar e a Profarma, informou a agência.

Vale (VALE3, R$ 17,79, -2,63%; VALE5, R$ 15,21, -1,49%)
As ações da Vale e Bradespar (BRAP4, R$ 10,40, -2,44%) – holding que detém participação na mineradora – afundaram, seguindo o movimento negativo dos preços do minério de ferro. A commodity cotada no Porto de Qingdao, na China, recuou 0,54%, a US$ 58,14 a tonelada. 

IGB Eletrônica (IGBR3, R$ 1,90, -3,06%)
A IGB, dona da marca Gradiente, informou que, em virtude de decisão judicial proferida pelo juízo da 10ª Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal, o Diretor Presidente da companhia, Eugênio Emilio Staub, foi cautelar e temporariamente impedido de exercer suas funções, sendo afastado do cargo. Com isso, quem assume o comando da empresa é Moris Arditti, atual Diretor Vice-Presidente. A companhia ressaltou ainda que seu Conselho de Administração irá se reunir o mais rápido possível com o objetivo de recompor o quadro diretivo da companhia. Nos últimos 3 pregões, os papéis da empresa afundaram 10,3%.

“No que se refere às investigações da Operação Greenfield, necessário destacar que se trata de procedimento preliminar de carater investigatório em face da pessoa física do Sr. Eugênio Emílio Staub, de maneira que não recai, sobre a Companhia ou qualquer outra sociedade com o qual ela mantém qualquer vínculo, nenhuma investigação relacionada ao caso”, diz a nota da IGB.