Petrobras pode prever corte de US$ 8 bi em plano de negócios: positivo para as ações?

Possível plano para vender campos maduros está no radar; analistas ponderam sobre condições do plano, mas veem iniciativas como positivas

Lara Rizério Agências de notícias

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Navio-sonda a serviço da Petrobras, que pode ser enviada para perfuração na Bacia da Foz do Rio Amazonas, é visto na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, Brasil
20/05/2025
REUTERS/Pilar Olivares
Navio-sonda a serviço da Petrobras, que pode ser enviada para perfuração na Bacia da Foz do Rio Amazonas, é visto na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, Brasil 20/05/2025 REUTERS/Pilar Olivares

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A Petrobras (PETR3;PETR4) está se preparando para revelar seu plano de negócios para 2026 a 2030 em novembro, com meta de US$ 8 bilhões em reduções de custos ao longo de cinco anos para compensar a queda nos preços do petróleo, segundo informações do jornal Valor Econômico.

Os cortes devem se concentrar na revisão dos projetos de construção de plataformas, incluindo os campos de Barracuda, Caratinga e SEAP.

A Petrobras tem enfatizado a simplificação de processos e os ganhos de eficiência, refletindo medidas semelhantes de redução de custos de concorrentes globais como Shell e BP. No entanto, permanecem preocupações quanto à sustentabilidade da dívida e ao pagamento de dividendos, com a dívida bruta em US$ 68 bilhões, próxima ao seu teto de US$ 75 bilhões, avalia o Bradesco BBI.

Os analistas do BBI esperam que a maior parte desses cortes de investimentos ocorra em projetos de longo prazo. “Acreditamos que o mercado acolheria cortes para o programa de investimentos de 2026, mas consideramos isso improvável”, apontam.

“Em relação à política de dividendos da Petrobras, vemos a longevidade dessa política dependente principalmente dos preços do petróleo, da implementação eficiente de investimentos e da reorganização do portfólio”, avalia o banco.

A Genial Investimentos ressalta ainda que, além da meta de redução dos custos em US$ 8 bilhões, a companhia também planeja vender campos maduros.

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“Acreditamos que ambas as informações são positivas para tese da empresa – e em algum grau, surpreendentes. Corte de custos são sempre muito bem-vindos. Em relação ao plano de desinvestimento em campos maduros, também julgamos uma movimentação positiva tendo em vista os esforços da empresa não apenas no pré-sal como possivelmente na Margem Equatorial (em um futuro breve, esperamos)”, avalia.

Os analistas da casa ressaltam ser importante mencionar que a venda de ativos maduros deva ser menos interessante que no passado de recente tendo em vista os menores preços do petróleo e redesenvolvimento dos campos on-shore mais desafiadores que o esperado a quatro anos atrás.

As ações da Petrobras subiam cerca de 1% nesta terça, endossada pela alta do petróleo no exterior, ainda sob efeito de um aumento menor do que o esperado na produção da Opep+ e com receios sobre potenciais novas sanções para a Rússia.

(com informações da Reuters)

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.