MELHORES DA BOLSA 2020 AO VIVO Diretor financeiro da Camil: "O contexto de crise teve uma demanda muito forte no mercado doméstico"

Diretor financeiro da Camil: "O contexto de crise teve uma demanda muito forte no mercado doméstico"

Destaques da Bolsa

Petrobras PN avança pelo 6º dia, Vale sobe 4%, Gafisa salta 7% com IPO da Tenda e estatal salta até 30%

Confira os destaques da Bovespa na sessão desta quinta-feira (20)

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SÃO PAULO – O Ibovespa teve manhã volátil nesta quinta-feira (20), mas o fluxo comprador prevaleceu nesta tarde, sustentando o índice no campo positivo, apesar da surpresa com a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária). Apesar de soar inicialmente como uma boa notícia para o mercado, a redução da Selic em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano, trouxe pessimismo aos investidores, com diversas instituições esperando por um corte de 0,5 p.p. Além disso, o que quase ninguém esperava era um banco ainda bem preocupado com o segmento de serviços e pontuando muitos incertezas, comentou Alvaro Bandeira, economista-chefe do home broker Modalmais.

O benchmark foi puxado nesta sessão pelas ações da Vale e bancos. A mineradora disparou 4% hoje, com 4 notícias no radar: valorização dos preços do minério de ferro, relatório de produção do 3° trimestre, elevação de recomendação e anúncio da Rio Tinto sobre redução de guidance para embarques de minério de ferro em 2016. 

Do lado oposto, as ações da JBS, Kroton e Estácio figuraram entre as maiores quedas do Ibovespa. Os papéis do setor de papel e celulose Suzano, Fibria e Klabin também caíram nesta sessão, pressionados pela queda do dólar frente ao real. O dólar comercial fechou em baixa de 0,94%, a R$ 3,1375 na compra e R$ 3,1390 na venda. 

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Confira os principais destaques de ações da Bovespa nesta quinta-feira:

Petrobras (PETR3, R$ 18,96, -0,16%;PETR4, R$ 17,74, +0,68%)
As ações da Petrobras fecharam entre perdas e ganhos. Os papéis preferenciais seguiram para sua sexta sessão de ganhos, descolados do movimento de baixa do petróleo. O contrato do petróleo Brent caiu 2,5%, a US$ 51,32 o barril, enquanto o WTI recuou 2,3%, a US$ 50,43 o barril. 

No radar da estatal, a companhia contratou o Itaú BBA para vender fatia na Guarani, segundo fontes disseram para a Bloomberg. A estatal contratou o banco para intermediar sua participação de 45,9% na fabricante de açúcar e etanol Guarani. O comprador mais provável é Tereos Internacional, que já tem os 54,1% restantes da Guarani, disseram as pessoas. A Tereos contratou Banco do Brasil como assessor. O negócio pode ser concluído este ano. Petrobras, Tereos, Itaú BBA, e Banco do Brasil não quiseram comentar.

Ainda no radar da Petrobras, o jornal Valor Econômico destaca que as duas principais centrais sindicais dos petroleiros reagiram negativamente à nova proposta de reajuste salarial apresentada ontem pela estatal. A companhia propôs um aumento de 6%, dentro do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). As entidades pedem pelo menos a reposição da inflação no período (de 9,53% em 12 meses até agosto), embora praticamente nenhum segmento tem conseguido reajustes salariais robustos devido à crise econômica. 

Telebras (TELB4, R$ 16,00, +22,98%)
As ações da Telebras, operadora de infraestrutura de internet do governo federal, dispararam até 30,75%, a R$ 17,01, após o presidente da República em exercício, deputado Rodrigo Maia, autorizar por meio de decreto aumento de R$ 854,4 milhões no capital social da companhia. O capital social atual da empresa é de R$ 263,1 milhões. Com o aumento, passará para R$ 1,1 bilhão. O decreto está publicado no Diário Oficial da União (DOU).

O aumento ocorrerá mediante a incorporação de adiantamento para futuro aumento de capital, transferido pela União nos exercícios de 2011, 2012, 2013, 2014 e 2015, no valor de R$ 846,7 milhões; saldo residual de capitalizações anteriores no valor de R$ 7,7 milhões; e atualização desses dois montantes pela taxa Selic. O decreto também autoriza a União a subscrever ações, mediante a utilização de créditos relativos aos seus investimentos na Telebras , na proporção de sua participação no capital social da companhia, depois da aprovação do aumento de capital pela assembleia geral de acionistas. Além disso, a União poderá subscrever ações, na proporção da participação dos acionistas minoritários, caso eles não exerçam seu direito de preferência dentro do prazo legal, depois da aprovação do aumento de capital pela assembleia geral de acionistas.

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Vale (VALE3, R$ 19,10, +2,58%; VALE5, R$ 17,92, +4,43%)
As ações da Vale dispararam com quatro destaques positivas ofuscando uma notícia negativa nesta tarde. O Ministério Público Federal em Minas Gerais denunciou nesta quinta-feira (20) 26 pessoas físicas e jurídicas pelo rompimento da Barragem de Fundão, da Samarco, em Mariana, na Região Central do estado. 21 delas são acusadas de homicídio doloso – quando há intenção de matar, assim como a BHP Billiton e a Vale. As acusações são pelos crimes de inundação, desabamento e lesões corporais graves e crimes ambientais. O MPF também denunciou um engenheiro da consultoria VogBR e a companhia por apresentar laudo falso. A Vale, BHP Billiton e Samarco foram condenadas também por crime ambiental. Em resposta, a Vale disse que repudia denúncia do MPF à Justiça no caso Samarco.

Do lado positivo, o minério de ferro negociado em Qingdao fechou com ganhos de 0,82%, a US$ 58,85 a tonelada métrica. Além disso, no radar da empresa, destaque para o relatório de produção do terceiro trimestre. 

A Vale informou que sua produção de minério de ferro no terceiro trimestre subiu 1,5% sobre um ano antes, para 92,1 milhões de toneladas. Na comparação com o segundo trimestre, a produção de minério de ferro da empresa avançou 6,1%. De acordo com o BTG Pactual, o relatório veio sem grandes novidades, mas reforça que mercado de minério está muito sensível às notícias das principais produtoras e indicação de que os majors estão mais disciplinados do lado da oferta. Além disso, os dados macro de China continuam vindo bem e combinado com o resultado do terceiro trimestre, que promete ser forte, devem continuar suportando performance dos papéis no curto prazo. “Seguimos cautelosos com case no médio e longo prazo por acreditarmos que já em 2017, teremos um cenário de superoferta de minério”, apontam os analistas do banco. Já de acordo com o Bank of America Merrill Lynch, os números registrados pela empresa foram sólidos e mostraram foco em lucratividade e disciplina de capital. 

Cabe ressaltar que, antes da divulgação do relatório de produção, a Vale teve a recomendação elevada de market perform para outperform pelo Itaú BBA, com elevação do preço-alvo de US$ 5,00 para USS 7,00 por ADR (American Depositary Receipt). 

Por fim, destaque para a notícia de que a mineradora Rio Tinto reduziu nesta quinta-feira seu guidance para embarques de minério de ferro em 2016 em até 5 milhões de toneladas, após divulgar dados de produção menores do terceiro trimestre, citando interrupções nos embarques. A revisão para baixo, equivalente a até 290 milhões de dólares pelos atuais preços do minério de ferro, vem em um momento em que a matéria-prima do aço se recupera apoiada em uma surpreendente elevação na demanda da China.

Por outro lado, hoje é um dia de queda para as siderúrgicas: Usiminas (USIM5, R$ 3,59, -2,45%), Gerdau (GGBR4, R$ 9,94, -2,07%) e CSN (CSNA3, R$ 10,12, -1,94%) registram baixa de cerca de 2%. 

Impactadas pela Selic
Alguns ações registram queda na sessão de hoje após a decisão “hawkish” do Copom (Comitê de Política Monetária), ao cortar a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14%, mas sinalizando que novos cortes podem ser mais graduais do que o esperado anteriormente pelo mercado. 

Ações de empresas endividadas, como é o caso da Cemig (CMIG4, R$ 8,85, -1,01%), registraram baixa. As empresas que estão endividadas em moeda local (e não dólar) precisam pagar uma taxa de juros e, em geral, esta taxa que as companhias pagam é o CDI (Certificado de Depósito Interbancário), que por seguir de perto a Selic, cai sempre que o BC decide reduzir os juros.

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A CCR (CCRO3, R$ 17,50, -1,02%) também registrou perdas; as concessionárias possuem fluxos de caixa previsíveis por trabalharem com grandes projetos com valuations próprios. Então, sendo a TIR (Taxa Interna de Retorno) de um projeto conhecida, a atratividade desses papéis é muito determinada pela diferença entre a Selic e a TIR. Quanto menor a taxa de juros, portanto, maior a atratividade das ações dessas empresas. 

Em outro setor, destaque para as empresas que operam shoppings, caso da Multiplan (MULT3, R$ 64,93, -0,63%) e BR Malls (BRML3, R$ 13,55, -0,88%). Como elas têm um fluxo de recebíveis ligado à taxa pré de longo prazo, em um momento de queda da Selic, receber em taxa prefixada e pagar em posfixada é uma boa forma de lucrar. Com perspectiva de um ciclo de corte de juros menos forte do que o anteriormente esperado, as ações são impactadas. 

Por fim, destaque para imobiliárias como Rossi (RSID3, R$ 4,05, -6,25%) e MRV (MRVE3, R$ 12,52, -0,71%). A perspectiva de uma Selic mais alta durante mais tempo torna menos atrativo o financiamento imobiliário. 

Rodobens (RDNI3, R$ 5,40, -1,82%)
A ação da Rodobens fechou em queda, após divulgar prévia operacional do terceiro trimestre de 2016, apontando que os lançamentos totalizaram R$ 86 milhões. As vendas contratadas atingiram VGV (Valor Geral de Vendas) de R$ 222 milhões, ante R$ 138 milhões no mesmo período do ano passado. De acordo com a Votorantim Corretora, os números apresentados foram acima do esperado, com destaque para o aumento das vendas.  

Triunfo (TPIS3, R$ 3,20, +1,27%)
As ações da Triunfo sobem forte, após a revista Exame noticiar que a companhia quer vender 23% na concessionária do aeroporto de Viracopos. De acordo com a publicação, a companhia contratará um banco para cuidar do processo. A empresa preferiu não comentar o assunto, segundo Exame.

A Triunfo é a segunda sócia da concessionária a deixar negócio por condições financeiras. Há mais de um ano, a empreiteira UTC, citada na Lava-Jato, tenta vender sua fatia de 23%. Outros sócios da concessionária são Infraero, com 49%, e Egis, com 5%. Em junho, dívida da Triunfo somava R$ 3,4 bilhões e, no início de mês, conseguiu renegociar com debenturistas o adiamento do pagamento de um empréstimo-ponte de R$ 776 milhões com o BNDES por 60 dias.

Direcional (DIRR3, R$ 5,48, -1,44%) 
A ação da Direcional registrou queda nesta sessão. Na véspera, a companhia informou, em prévia operacional, que lançou três projetos no terceiro trimestre, mais que triplicando seu VGV (Valor Geral de Vendas) para R$ 151 milhões. Os lançamentos do segmento Minha Casa, Minha Vida 2 e 3 do governo federal registraram VGV de R$ 291 milhões, representando 64% do total e crescimento de 131% em relação ao mesmo período de 2015. As vendas líquidas contratadas no trimestre cresceram 43%, para R$ 94 milhões em VGV, enquanto a velocidade de vendas, medida pelo indicador VSO (vendas sobre ofertas) atingiu índice de 6,7%.  

O Itaú BBA destacou que, “apesar de estarmos esperando lançamentos e vendas contratadas mais fracos devido à greve dos bancários, os resultados foram mais suaves em termos absolutos, provavelmente implicando potencial negativo para os nossos números anuais”. Já o BTG Pactual destaca que os números foram decepcionantes, mas mantém recomendação de compra para os ativos DIRR3. 

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Gafisa  (GFSA3, R$ 2,93, +7,33%
A ação da Gafisa disparou mais um dia de alta; na véspera, os papéis GFSA3 subiram 6,23% após a prévia operacional. Já na noite de ontem, a companhia anunciou que seu conselho de administração aprovou pedir o registro na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para realizar uma oferta secundária de ações da unidade Tenda, com listagem no Novo Mercado da BM&FBovespa. A operação será coordenada pelo Itaú BBA, com participação de Bradesco BBI, Bank of America Merrill Lynch, BB Investimento e Banco Votorantim.

Banco do Brasil (BBAS3, R$ 28,10, +2,07%)
Após abrirem em queda, as ações dos bancos viraram para alta. Em destaque, estão os papéis BBAS3. O Santander elevou a recomendação para as ações da instituição estatal  de neutra para compra; o banco estatal é agora a top pick do setor bancário. O novo preço-alvo para os ativos BBAS3 é de R$ 36,00, ante preço-alvo de R$ 16,00 em 2016. “Nós adotamos uma visão mais construtiva sobre o BB uma vez que acreditamos que i) ele pode entregar um ROE (Retorno sobre o patrimônio) acima do custo sobre o capital e ii) não será preciso requerer à capital adicional para completar as condições de Basileia 3 até 2019. 

Já os papéis do Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 36,37, +0,30%) e do Bradesco (BBDC3, R$ 31,20, +0,55%; BBDC4, R$ 32,67, +1,46%) registraram ganhos.