Petrobras (PETR4): por que ação chegou a cair mesmo com nova disparada do petróleo?

Petroleiras no geral também não registram bons desempenhos nesta sessão

Lara Rizério

Ativos mencionados na matéria

Logo da Petrobras no Rio de Janeiro, Brasil 05/06/2025 REUTERS/Ricardo Moraes
Logo da Petrobras no Rio de Janeiro, Brasil 05/06/2025 REUTERS/Ricardo Moraes

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As ações da Petrobras (PETR3;PETR4) chegaram a operar em leve queda nesta terça-feira (3), mesmo em uma sessão de nova disparada dos preços do petróleo em meio à extensão do conflito no Irã, com a aversão a risco contaminando os mercados como um todo. Às 12h15 (horário de Brasília), os papéis PETR3 tinham leve alta de 0,34% (R$ 44,86), enquanto PETR4 caía 0,12% (R$ 41,08); cerca de uma hora depois, Petrobras mostrava certa recuperação, com PETR3 subindo cerca de 2% e PETR4 avançando mais de 1%.

No setor, Brava (BRAV3) tinha elevação de 0,9%, PRIO (PRIO3) avançava 0,86% e PetroReconcavo (RECV3) mostrava decréscimo de 0,63%.

Enquanto isso, o petróleo saltava mais de 7%, com o brent superando US$ 83 o barril. O conflito entre os EUA e Israel com o Irã se intensifica, interrompendo os embarques de combustível e aumentando os temores de novas interrupções no fornecimento de petróleo e gás do Oriente Médio.

João Daronco, analista da Suno Research, aponta que a performance relativa precisa ser analisada nesta sessão, uma vez que as ações das petroleiras têm demonstrado menor queda em comparação com a média do mercado acionário, em um cenário em que o Ibovespa cai cerca de 4% nesta tarde.

“Portanto, em relação ao desempenho geral da bolsa, essas empresas estão superando a média, impulsionadas pelo preço mais elevado do petróleo. Essa comparação é fundamental para uma análise precisa”, avalia Daronco.

Outro ponto a ser levado em consideração é que a escalada no Oriente Médio dispara prêmios do petróleo e pressiona paridades de combustíveis no Brasil, conforme ressaltou o Itaú BBA.

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As estimativas de paridade do BBA mostram que o preço de importação da gasolina (IPP) está 18% acima do preço doméstico praticado pela Petrobras, enquanto o do diesel está 23% acima, configurando a maior defasagem observada em meses. Nos valores de exportação (EPP), a gasolina opera 3% acima do preço interno e o diesel 3% abaixo, indicando comportamentos assimétricos entre os dois derivados.

Apesar das pressões crescentes, o banco ressalta que a Petrobras pode avaliar de forma distinta sua estratégia comercial e não necessariamente seguir as estimativas de paridade divulgadas por consultorias, ANP e ABICOM. Ainda assim, a magnitude das defasagens desta semana reacende o debate sobre competitividade do mercado de combustíveis e os potenciais impactos sobre margens de importadores.

Lucas Girão, economista, especialista em Investimentos e MBA em Finanças pela FBNF, ressalta que, em momentos de tensão geopolítica, investidores reduzem exposição a mercados emergentes e ativos mais voláteis, priorizando proteção em dólar e títulos americanos. “No caso específico da Petrobras, além do fluxo externo mais cauteloso, sempre há monitoramento sobre a política de preços e eventuais riscos de interferência na paridade internacional, o que limita movimentos mais fortes de alta mesmo com o Brent avançando”, avalia.

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.