Petrobras (PETR4): o que esperar dos resultados da petroleira no 4T25?

Queda no petróleo e produção de petróleo são temas a serem monitorados para a companhia

Lara Rizério Rodrigo Paz

Ativos mencionados na matéria

Navio-sonda a serviço da Petrobras, que pode ser enviada para perfuração na Bacia da Foz do Rio Amazonas, é visto na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, Brasil
20/05/2025
REUTERS/Pilar Olivares
Navio-sonda a serviço da Petrobras, que pode ser enviada para perfuração na Bacia da Foz do Rio Amazonas, é visto na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, Brasil 20/05/2025 REUTERS/Pilar Olivares

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Após o fechamento dos mercados, a Petrobras (PETR4) divulga os números do quarto trimestre (4T25) e de 2025 como um todo, em um momento importante para a commodity produzida pela companhia em meio aos conflitos no Irã deflagrados no último fim de semana.

A expectativa de analistas de mercado é de que a petroleira registre números mais positivos do que no mesmo período do ano anterior, com a alta das exportações, mas com queda do Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) ante o 3T25.

A projeção, segundo analistas consultados pela Reuters, é de um lucro líquido de US$ 3,96 bilhões no 4T25 e de um Ebitda de US$ 11,1 bilhões. Para 2025, a expectativa é de um lucro de US$ 18,24 bilhões e Ebitda de US$ 43,27 bilhões.

A XP Investimentos aponta que, no 4T25, a Petrobras manteve os altos níveis de produção do trimestre anterior, ainda que com leve queda de 0,6%. No entanto, a baixa do Brent para US$ 63/o barril (bbl) – uma baixa de 7,4% ante o 3T25, a US$ 68/bbl – deve ser um dos principais motivos para o desempenho no quarto trimestre. A queda no preço do petróleo foi parcialmente compensada pelos maiores spreads (diferenciais) médios no trimestre e pela valorização do real.

No geral, a XP projeta uma queda de 7,1% no Ebitda da Petrobras ante o 3T25, para US$ 11,1 bilhões.

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Na mesma linha, o Itaú BBA aponta que, apesar de sólido desempenho operacional e produção elevada, o recuo de 7% nos preços do petróleo no quarto trimestre pressiona o Ebitda na comparação trimestral, tendo projeção de um número de US$ 11,22 bilhões. Além disso, o capex (investimentos) mais alto, influenciado por desembolsos de caixa relacionados aos leilões do pré-sal, reduz a geração de caixa e limita o dividendo ordinário do período.

O BTG Pactual destaca que, apesar de spreads de refino mais fortes, a queda do Brent deve resultar em redução sequencial de aproximadamente 5% no Ebitda. A aceleração do capex no fim do ano, estimado em cerca de US$ 5,5 bilhões, somado a saídas de caixa pontuais de US$ 1,7 bilhão, pressiona a geração de caixa.

O Bradesco BBI também vê um Ebitda de US$ 11,1 bilhões, principalmente devido a: (1) preços mais baixos do Brent; (2) produção de petróleo estável em relação ao trimestre anterior; e (3) preços da gasolina ligeiramente mais baixos após o corte de R$ 0,14/litro implementado em outubro de 2025. Enquanto isso, projeta um lucro líquido de US$ 4,61 bilhões, queda de 12% ante os US$ 5,23 bilhões no 3T25. Já na comparação anual, os números devem apresentar melhora, com avanço de 10% no Ebitda, além de reversão do prejuízo.

Olhando para o ano de 2025 como um todo, o Ineep destaca que a produção total da Petrobras subiu 10,8%, chegando a 2,990 milhões de barris de óleo equivalente por dia (Mboe). O destaque ficou para a alta no pré-sal, com produção de 2,020 milhões de boe por dia, avanço de 11,4% no ano.

As exportações de petróleo bateram recorde, com 765 mil barris por dia, alta de 27,1% em relação ao ano anterior. A China respondeu por 53% das compras de petróleo brasileiro. A projeção dos resultados revela que a companhia, após prejuízo de R$ 17 bilhões no quarto trimestre de 2024, deve registrar o quarto trimestre consecutivo de lucro líquido no quarto trimestre de 2025.

Assim, depois de acumular lucro líquido de R$ 94,5 bilhões nos três primeiros trimestres do ano, a companhia tem lucro projetado de R$ 31,1 bilhões no quarto trimestre de 2025 e pode fechar o ano com resultado próximo de R$ 125,5 bilhões, disse o Ineep em relatório.

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Análise técnica para Petrobras

Curto prazo

No curto prazo, observo que a Petrobras (PETR4) mantém uma estrutura técnica altista após renovar recentemente a máxima histórica em R$ 42,00. Na última sessão, o papel registrou queda de 1,10%, encerrando cotado a R$ 40,54, movimento que até o momento se caracteriza mais como pullback após a forte sequência de altas. Pelo gráfico diário, o ativo segue negociando acima das médias móveis de 9 e 21 períodos, ambas inclinadas para cima, o que reforça o domínio comprador e a manutenção da estrutura de topos e fundos ascendentes. O IFR (14) em 72,24, já em região de sobrecompra, indica um movimento mais esticado no curto prazo, o que pode favorecer períodos de ajuste ou consolidação sem, por enquanto, sinalizar reversão da tendência.

Para que o ativo retome o movimento de alta e volte a trabalhar em renovação de máximas, será necessário superar novamente a região de R$ 42,00. Acima desse patamar, o gráfico abre espaço para projeções em R$ 42,45, R$ 43,75, R$ 45,00 e R$ 47,00.

Por outro lado, a continuidade do movimento corretivo pode ganhar força caso o papel perca a região de suporte em R$ 39,93 / R$ 38,58, o que pode levar o ativo a buscar R$ 36,45 e R$ 35,04. Em um cenário de correção mais ampla, os próximos suportes aparecem em R$ 32,53, na média de 200 períodos em R$ 31,30, e posteriormente em R$ 29,53. Enquanto permanecer acima da região das médias curtas, eventuais recuos tendem a ser interpretados como ajustes dentro de uma tendência principal de alta.

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Médio prazo

No gráfico semanal, a Petrobras (PETR4) segue com forte tendência de alta, acumulando valorização de 31,41% em 2026 e sendo negociada na região de R$ 40,50, após renovar a máxima histórica em R$ 42,00 ao longo da semana. O ativo permanece acima das médias móveis de 9 e 21 períodos, ambas inclinadas para cima, o que confirma o domínio do fluxo comprador no médio prazo e a continuidade da estrutura de topos e fundos ascendentes. Caso o papel encerre a semana no campo positivo, marcará a quarta semana consecutiva de alta, reforçando a consistência do movimento altista.

Apesar do cenário construtivo, o movimento já se mostra mais esticado, com afastamento relevante das médias e IFR (14) em 76,89, em região elevada de sobrecompra, o que aumenta a probabilidade de movimentos de realização ou consolidação antes de novas altas.

Para que a tendência tenha continuidade, o ativo precisa superar novamente a máxima histórica em R$ 42,00, o que pode abrir espaço para projeções em R$ 43,25, R$ 46,25, R$ 48,45, R$ 50,00 e R$ 53,60.

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Por outro lado, um movimento corretivo mais amplo passaria pela perda da região de suporte e das médias em R$ 39,93 / R$ 36,45, o que poderia levar o papel a buscar R$ 35,04, R$ 32,53 e R$ 29,53. Enquanto esses níveis forem preservados, a leitura técnica segue positiva, com o viés altista mantido no médio prazo.

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.