Petrobras (PETR4) deu sinal de alta iminente do preço da gasolina?

Presidente da Petrobras afirmou que, com medida de compensação, terá flexibilidade para subir preço do combustível vendido nas refinarias

Equipe InfoMoney

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Pistola de gasolina em posto de combustíveis, em Brasília
07/03/2022
(Foto: REUTERS/Adriano Machado)
Pistola de gasolina em posto de combustíveis, em Brasília 07/03/2022 (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

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Alta de preços de combustíveis vem aí? A CEO da Petrobras (PETR4), Magda Chambriard, afirmou na véspera que a empresa planeja aumentar os preços da gasolina nas refinarias caso o Congresso aprove um projeto de lei que permita o uso de receitas extraordinárias do petróleo para reduzir os impostos PIS/Cofins sobre combustíveis.

Segundo ela, o corte de impostos criaria espaço para a Petrobras e importadoras aumentarem os preços sem afetar os consumidores, similar ao que ocorreu com o diesel em março.

A visão é que a medida ajudaria a Petrobras a diminuir a diferença entre o preço da gasolina e a paridade de importação, que a Abicom estimou em R$ 1,70/litro abaixo da paridade, preservando o retorno para os acionistas e limitando o impacto da alta dos preços internacionais do petróleo sobre os consumidores finais.

“Se a Petrobras aumentar integralmente os R$ 0,68/litro em cortes de impostos, o impacto anual no Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) será de US$ 3 bilhões”, avalia o Bradesco BBI.

Na véspera, o Itaú BBA ressaltou que a disparada do petróleo nas últimas sessões acentuou o descolamento dos preços dos combustíveis da Petrobras em relação às referências internacionais, mas o quadro segue mais complexo no caso do diesel.

Desde a última quinta-feira, o preço do Brent avançou cerca de 13%, enquanto o câmbio permaneceu praticamente estável no período. Ao mesmo tempo, os spreads de refino tiveram comportamentos distintos: o crack spread da gasolina recuou 4%, enquanto o do diesel apresentou leve alta de 1%. Esse conjunto de fatores ampliou a defasagem dos preços praticados pela estatal.

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De acordo com o banco, os preços da gasolina nas refinarias da Petrobras estão hoje cerca de 33% abaixo do EPP (paridade de exportação), enquanto o diesel apresenta uma defasagem de aproximadamente 9% em relação à paridade de importação.

No caso do diesel, essa comparação reflete um preço de refinaria de R$ 3,65/litro contra uma paridade (incluindo subsídios) de R$ 4,02/litro.

“Contudo, quando considerados os subsídios que a Petrobras receberá, o preço efetivamente obtido pela empresa pelo diesel já está acima da paridade de importação. Dito isso, a Petrobras pode avaliar os parâmetros de sua estratégia comercial de forma diferente das nossas suposições”, avalia o BBA.