Petrobras: balanço forte e dividendos no topo das projeções; mais está por vir no 3T?

Analistas seguem construtivos com a tese, embora apontem riscos ligados ao petróleo e ao cenário político

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A Petrobras (PETR4) reportou um forte conjunto de resultados no segundo trimestre de 2026 (2T26) na noite da última quinta-feira (6), impulsionado pela combinação de aumento da produção, preços realizados acima do esperado e desempenho robusto do segmento de refino. A estatal também anunciou R$ 17,4 bilhões em dividendos ordinários, valor que ficou acima das projeções de parte relevante do mercado.

A companhia registrou lucro líquido de R$ 52,4 bilhões entre abril e junho, avanço de 61% em relação ao trimestre anterior e de 97% na comparação anual. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) ajustado recorrente somou R$ 95,8 bilhões, ou cerca de US$ 19 bilhões, desempenho que superou as estimativas de diversos bancos e refletiu a forte geração de caixa da companhia.

Com isso, as ações da Petrobras (PETR3;PETR4) chegaram a subir nesta sexta-feira (7) em meio à repercussão dos resultados e do pagamento de dividendos da companhia. Às 10h09 (horário de Brasília), PETR3 subia 1,25%, a R$ 47,90, enquanto PETR4 tinha ganhos de cerca de 1%, a R$ 42,55. Contudo, as ações zeraram os ganhos, com PETR3 em leve baixa de 0,02% e PETR4 em leve alta de 0,05%, por volta das 10h40.

Na avaliação da Genial Investimentos, o trimestre representou mais um “hat trick” da Petrobras, sustentado por três fatores principais: volume, preço e refino. Segundo a casa, a combinação de crescimento da produção, preços de realização mais favoráveis e margens resilientes no refino ajudou a explicar o resultado acima das expectativas.

A produção total de petróleo e gás alcançou 3,336 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed), alta de 15% na comparação anual e de 4% frente ao primeiro trimestre, beneficiada pela expansão dos campos do pré-sal e pelo avanço de novas plataformas.

O segmento de exploração e produção (E&P) foi novamente o principal motor dos números. O Ebitda da divisão atingiu cerca de US$ 15,9 bilhões, recorde histórico, apoiado tanto pelo aumento da produção quanto pelos baixos custos operacionais do pré-sal.

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O Itaú BBA destacou que a principal surpresa positiva veio das exportações de petróleo. Segundo o banco, a Petrobras registrou preços efetivamente realizados cerca de US$ 4 por barril acima de suas estimativas, o que ajudou a elevar as receitas e compensar efeitos negativos como o imposto sobre exportações de petróleo bruto.

Na mesma linha, o Morgan Stanley ressaltou que a companhia vendeu petróleo a preços de exportação próximos de US$ 114 por barril, o que permitiu à estatal capturar uma remuneração superior à prevista pelo mercado. O banco considera que a forte produção e os preços realizados explicam boa parte do salto de 86% do Ebitda em relação ao mesmo período do ano passado.

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O terceiro pilar destacado pela Genial foi o refino, com o segmento voltando a apresentar um desempenho sólido, beneficiado pela elevada utilização das refinarias e pela manutenção de spreads internacionais favoráveis.

O Ebitda da área de refino ficou em torno de US$ 3,6 bilhões, acima das estimativas do Itaú BBA e sustentado por altas taxas de utilização das refinarias, que chegaram a superar 100% em algumas unidades, segundo o Morgan Stanley.

O JPMorgan destacou que, embora os impostos sobre exportação tenham limitado parte dos ganhos da divisão, os resultados do segmento permaneceram robustos e ajudaram a sustentar o resultado consolidado da companhia.

“Apesar dos impostos sobre a exportação de petróleo e da pressão sobre o capital de giro, a Petrobras apresentou resultados sólidos e dividendos no topo das expectativas.
Vemos um impulso positivo para o 3º trimestre de 2026, à medida que ventos contrários se transformam em favoráveis, impulsionando um aumento significativo no fluxo de caixa livre (FCF) e nos dividendos”, avalia.

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Dividendos acima das expectativas

A Petrobras anunciou dividendos ordinários de R$ 17,4 bilhões, equivalentes a cerca de US$ 3,4 bilhões, em linha com sua política de remuneração baseada na distribuição de 45% do fluxo de caixa livre. As ações serão negociadas na condição de ex-dividendos a partir de 24 de agosto, enquanto os pagamentos ocorrerão em duas parcelas, previstas para novembro e dezembro.

O valor ficou acima das estimativas do Itaú BBA, que projetava US$ 3,1 bilhões, e do Bradesco BBI, que previa US$ 2,9 bilhões. O JPMorgan classificou o anúncio como positivo, ressaltando que o pagamento ficou acima das expectativas do mercado e foi sustentado pela forte geração de caixa operacional da companhia.

De acordo com o Itaú BBA, os dividendos poderiam ter sido ainda maiores, uma vez que cerca de US$ 1,9 bilhão relacionado ao programa de subsídios aos combustíveis não ingressou no caixa da companhia durante o trimestre e deve ser recebido apenas no terceiro trimestre.

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Essa visão é compartilhada pelo Morgan Stanley, com a reversão desses efeitos de capital de giro e a continuidade do crescimento da produção devem impulsionar significativamente o fluxo de caixa livre nos próximos meses, abrindo espaço para dividendos potencialmente maiores no terceiro trimestre.

BancoProjeção (US$)Realizado (US$)Diferença
JPMorgan3,0 bilhões3,4 bilhões+11,9%
Itaú BBA3,1 bilhões3,4 bilhões+9,7%
Goldman Sachs3,4 bilhões3,4 bilhõesEm linha
Bradesco BBI2,9 bilhões3,4 bilhões+17,2%
Morgan Stanley3,1 bilhões3,4 bilhões+9%

Mercado segue construtivo, mas riscos permanecem

Após os resultados, Goldman Sachs, Itaú BBA, JPMorgan e Morgan Stanley mantiveram uma visão positiva para a tese de investimento da Petrobras. O Goldman reiterou recomendação de compra para os papéis e destacou a combinação de crescimento da produção, valuation considerado descontado e potencial de distribuição de dividendos elevados nos próximos anos. O preço-alvo para PETR4 é de R$ 57.

O Morgan Stanley manteve recomendação overweight (exposição acima da média, equivalente à compra) para os ADRs (recibo de ações negociados na Bolsa de Nova York) e afirmou continuar comprador das ações após o balanço, citando o potencial de crescimento da produção e da geração de caixa.

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Já o Bradesco BBI seguiu mais cauteloso e reiterou recomendação neutra. Apesar de reconhecer o forte resultado operacional e o dividendo acima do esperado, o banco aponta riscos ligados a uma eventual queda do petróleo, às incertezas eleitorais e à possibilidade de expansão dos investimentos da estatal em projetos considerados menos previsíveis, como Venezuela, fertilizantes, minerais raros e infraestrutura de exportação de gás. Ainda assim, estima um dividend yield médio próximo de 10% ao ano nos próximos três anos.

A Genial também conta com recomendação equivalente à neutra – de manutenção -, com preço-alvo de R$ 50 para PETR4. Os analistas apontam que 2T26 foi um trimestre excepcional para a Petrobras e que a companhia entregou crescimento expressivo de receita, EBITDA, lucro e fluxo de caixa, combinando Brent mais alto com melhora operacional em E&P e refino.

A tese segue amparada por ativos de alta produtividade, principalmente no pré-sal, e por uma carteira de projetos capaz de sustentar a produção nos próximos anos.

“Nossa leitura é positiva, mas com ressalvas. A principal dúvida não está na capacidade operacional da Petrobras, que segue muito forte, mas na qualidade da alocação de capital. Com Brent acima de US$ 100/bbl, alavancagem em queda e fluxo de caixa livre robusto (rendimento de 26% anualizando o resultado do trimestre), a companhia tem espaço para remunerar mais o acionista sem comprometer o CAPEX – famoso dividendo extraordinário”, avalia.

Portanto, segue vendo PETR4 como uma tese operacionalmente sólida, mas cuja reprecificação dependerá da continuidade da execução e, sobretudo, de uma política de retorno de capital compatível com a magnitude da geração de caixa. “Ainda não é o momento para se preocupar com esse ponto, afinal de contas ainda estamos na metade do ano”, conclui.

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Lara Rizério
Mercados | Economia | Investimentos

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.