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A Petrobras (PETR3;PETR4) divulgou seus dados de produção e vendas do terceiro trimestre de 2024 (3T24) na última segunda-feira (28), com números considerados levemente positivos, mas com os olhos do mercado voltados principalmente para os resultados financeiros a serem divulgados no dia 7 de novembro – e também para os dividendos.
Sobre os números divulgados na véspera, a XP ressalta que a principal conclusão foi a produção de petróleo sequencialmente ligeiramente menor, com queda de 1,3% ante o 2T24 e 8,2% na base anual, para 2,13 milhões de barris de petróleo por dia (bpd), embora isso tenha sido antecipado nos dados da ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis) até certo ponto.
A queda na produção é explicada, em grande parte, por paradas de manutenção e intervenções não planejadas nos ativos do pós-sal, nos quais a produção caiu mais (-10,1% trimestre a trimestre). A produção de produtos refinados (+4,2% ante o 2T24, -0,6% ante o 3T23) e as vendas (+4,2% na base trimestral, -2,8% anualmente) foram, em geral, maiores, algo esperado pela sazonalidade do 3T.
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As vendas, por sua vez, foram cerca de 190 mil barris por dia (kbpd) maiores do que a produção. A redução de estoques poderia proporcionar um aumento significativo nos resultados do 3T24 (até cerca de US$ 700 milhões não incluído nas estimativas da XP), embora alerte que essas vendas adicionais geralmente vêm com uma margem menor do que a produzida a partir da produção própria da Petrobras.
Na visão do Morgan Stanley, com os dados da ANP disponíveis até setembro, o declínio da produção de 1,3% trimestralmente não trouxe surpresa, enquanto novas plataformas entrando em operação devem gerar uma recuperação na produção em cerca de 10% no 4T24. O Itaú BBA, por sua vez, ressalta que o aumento da demanda impulsionou a utilização da refinaria e as importações de diesel, mas reduziu as exportações de petróleo e aumentou as exportações de óleo combustível.
De olho nos resultados e dividendos
Com a divulgação do relatório de produção e revisão das premissas para o petróleo, analistas de mercado revisaram suas projeções para as ações da companhia.
A XP elevou os preços-alvo de PETR3 e PETR4 de R$ 45,10 para R$ 46 por ação, enquanto reduziu para os ADRs (recibo de ações negociados na Bolsa de Nova York) PBR (equivalentes aos ONs) e PBR/A (equivalentes aos PNs) de US$ 19 para 17, assumindo o petróleo brent a US$ 70 o barril (bbl).
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“A Petrobras continua sendo uma de nossas principais opções, com dividendos ordinários atraentes e rendimentos de FCFE [Free Cash Flow to Equity, parâmetro que representa o fluxo de caixa disponível para os acionistas de uma empresa] de cerca de 10% e cerca de 12,5% em 2025.
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O Morgan Stanley também reduziu o preço-alvo dos ADRs, de US$ 20 para US$ 19 por ADR PBR, mas manteve recomendação equivalente à compra (overweight, exposição acima da média do mercado) para os ativos.
Para os resultados financeiros do 3T24, a XP espera que o lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado do 3T24 seja de US$ 11,1 bilhões, uma queda de 7% em relação ao trimestre anterior, devido a (i) menor preço médio do petróleo Brent de cerca de US$ 80/o barril (-6,1% em relação ao trimestre anterior); e (ii) produção de petróleo marginalmente menor (-1,3% em relação ao trimestre anterior), proveniente de uma base de comparação já fraca no 2T24. O menor Ebitda flui para o resultado final, mas a estimativa de lucro líquido de US$ 4,2 bilhões aumenta substancialmente de forma sequencial devido a uma grande provisão para liquidação de impostos e depreciação do real no 2T24.
O Itaú BBA antecipa resultados moderados principalmente devido aos preços mais fracos do petróleo, com foco na execução de capex e dividendos.
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A estimativa é de um Ebitda de US$ 11,6 bilhões e gastos de capex de US$ 3,4 bilhões para o trimestre, levando a um dividendo ordinário de US$ 2,5 bilhões (rendimento de 3,0%).
Para um potencial anúncio de dividendo extraordinário, o BBA leva em conta uma avaliação com o limite atual da dívida bruta e o nível de caixa ideal, com estimativa de caso base de US$ 2,6 bilhões (rendimento adicional de 3,1%), resultando em um possível rendimento total de dividendos de 6,1%.
“No entanto, levando em conta vários cenários de preços do petróleo para o próximo ano e diferentes níveis de caixa ideais, isso pode influenciar a avaliação prospectiva e expandir o intervalo para dividendos extraordinários”, avalia. A recomendação do BBA para as ações é equivalente à compra, com preço-alvo de R$ 48 para PETR4 e de US$ 17,50 para os ativos PBR/A.
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Com base na política de dividendos da Petrobras, a XP espera dividendos ordinários de cerca de US$ 2,6 bilhões (yield trimestral de 2,8%). No entanto, acredita que o yield de dividendos para o trimestre poderia ser substancialmente maior se a Petrobras anunciar dividendos extraordinários. “Embora a empresa não tenha obrigação de fazer tal distribuição, acreditamos que o estágio avançado de planejamento para o próximo plano de negócios permite que a Petrobras tenha maior visibilidade sobre as necessidades futuras de caixa. Em nossa opinião, a distribuição adicional poderia chegar a até US$ 4 bilhões (yield adicional de 4,6%), embora a empresa possa optar por ser mais conservadora e reter mais dinheiro em caixa”, avalia.
O Morgan Stanley tem a previsão de dividendos de R$ 1,06 por ação (US$ 0,38 por ADR), um rendimento de 2,7% e espera que dividendos extraordinários sejam anunciados com a atualização do plano de negócios no final de novembro.
O banco destaca que o case de investimento na estatal continua centrado na remuneração dos acionistas, que – para o bem ou para o mal – está diretamente ligada à alocação de capital. “Em nossa opinião, os fluxos de caixa da Petrobras são muito resilientes e nos dão confiança para acreditar em um potencial de distribuir US$ 7,0 bilhões em dividendos extraordinários, com pagamentos divididos igualmente no 4T24 e 4T25. Em nosso caso base, isso dá suporte a um rendimento de dividendos atraente de 20,1% e 15,6% para 2024 e 2025, respectivamente”, avalia.