Super Clássicos da Bolsa

Petrobras (PETR3;PETR4) e Vale (VALE3): cenário para commodities deve manter ânimo com ações, apontam gestores

Para gestores, Petrobras tem maior risco político, mas Vale ainda precisa endereçar questões ESG

Por  Equipe InfoMoney -

As duas empresas de maior peso da Bolsa surfaram na recente onda de valorização das commodities e nas últimas semanas têm acompanhado a volatilidade desse mercado. De maneira geral, analistas acreditam que os preços das matérias-primas devem continuar mais altos por mais tempo, dando suporte às ações de Vale (VALE3) e Petrobras (PETR3;PETR4), gigantes brasileiras que ainda seguem descontadas em relação a seus pares internacionais.

No entanto, não dá para dizer que se trata de um “super ciclo” de commodities  – pelo menos essa é a conclusão tirada da live Super Clássicos da Bolsa, realizada pela XP e que contou com a participação dos gestores Pedro Medeiros, da Atalaya Capital e Thomas Souza, da Atlas One. A conversa foi mediada por André Vidal, Head de Óleo, Gás e Materiais Básicos da XP, que tem visão positiva tanto para estatal de petróleo quanto a mineradora.

“A era do ‘super ciclo’ das commodities, entre 2002 e 2008, tinha o elemento de demanda do desenvolvimento chinês e de algumas outras economias, o Brasil incluso. Hoje não temos mais essa circunstancia de forma sustentável”, explicou Medeiros.

O gestor ressalta que, hoje, os preços do petróleo, por exemplo, são puxados por uma oferta que não consegue acompanhar a demanda pós-pandemia. “A gente pode ver preços altos por mais tempo, fruto de riscos geopolíticos, mas dificilmente um superciclo. Lá atrás, o mundo tinha poucas alternativas ao petróleo”, disse Medeiros.

Thomas Souza, da Atlas One, disse que o cenário também segue favorável para Vale.

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“A gente acredita que o preço do minério de ferro tende a ficar mais alto por mais tempo e a Vale vai conseguir ter excelentes resultados com geração de caixa fortíssima e pagamento de dividendos bastante saudável”, afirmou.

Porém, Sousa acredita que, em âmbito global, a retirada de estímulos e a alta de juros pode resultar em uma recessão – e se isso acontecer, ficará mais clara qual a real demanda das commodities.

“As empresas vão continuar entregando excelentes resultados, mas é importante estar com o dedo no gatilho, pois quando a coisa virar e as commodities começarem a cair, você não vai querer estar posicionado nesse setor”, disse o gestor.

Petrobras está mais segura?

Com sua quarta mudança de comando em andamento, a Petrobras também está no centro de discussões sobre uma possível privatização. Os dois assuntos foram abordados pelos gestores na live.

Para Medeiros, não há dúvidas de que o risco político aumentou. “Não é comum a gente ver trocas no comando na frequência e forma que estamos observando”, admitiu. Ele ressaltou que não há uma agenda clara por detrás dessa mudança constante de comando, mas acredita que os riscos de ingerência política são “razoavelmente limitados”.

Para André Vidal, da XP, a Petrobras de hoje está mais protegida das ingerências políticas da forma como ocorreram no passado, é uma companhia mais eficiente, com custos de extração baixos e previsão de crescimento relevante.

“A empresa tem seus riscos, mas a gente vê muita assimetria nos níveis de valuation atuais da empresa, que negocia pouco mais duas vezes o EV/ Ebitda [valor da firma sobre o Ebitda, ou lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações] enquanto as major globais negociam na casa de quatro vezes e pagam dividendos muito mais altos”, afirmou Vidal.

Medeiros, assim com a maioria dos participantes do mercado, acredita que a probabilidade de uma privatização da estatal no curto prazo é “muito baixa”. Segundo ele, o tema é sensível para ser trazido em ano de eleições e, após o pleito, as chances de uma privatização dependeriam muito de quem fosse eleito.

“Seria razoavelmente fácil ter um modelo que unifique as classes de ações e transforme a Petrobras em uma corporation. A petrolífera já atua como companhia privada, tem grandes sócios e passou por um processo de oito anos de reestruturação e modernização”, disse o gestor.

Pensando no futuro, como empresa privada, a Petrobras estaria melhor equipada para lidar com temas como a transição energética e um novo cenário de preços do petróleo, em função de eventos políticos, segundo Medeiros.

Investir em Vale é mais vantajoso?

Souza, da Atlas One, diz que a Vale praticamente não tem risco político, ainda que o governo possua uma golden share da mineradora. “O governo não consegue ter nenhuma ingerência na Vale no dia a dia”, disse o gestor. Ele explica que o risco político está em cobrança de impostos e riscos de licenças para exploração de minério.

Um dos motivos pelos quais Souza acredita que o minério deve continuar com preços altos por mais tempo é a demanda chinesa. Segundo ele, apesar da volatilidade de curto prazo com lockdowns no país em função do aumento nos casos de Covid-19, a reabertura da economia vai acontecer e o governo deve utilizar de estímulos fiscais para colocá-la nos trilhos.

“O setor de manufatura da China vai ganhar relevância nesse ambiente de estímulo fiscal. No longo prazo, acreditamos que a oferta de minério de ferro chinês não vai dar conta da demanda e o país vai ser dependente da matéria-prima australiana e brasileira. Nesse sentido, a Vale está bem posicionada para entregar bons resultados”, disse Souza.

Se por um lado a Vale é menos exposta a riscos de interferência do governo e geopolíticos, como a guerra na Ucrânia, que vem trazendo volatilidade aos preços do petróleo, a mineradora ainda se recupera das tragédias provocadas pelo rompimento das barragens de Mariana e Brumadinho.

“A Vale tomou medidas muito fortes para endereçar de uma vez por todas os riscos de novos rompimentos. Esse risco ainda não é zero, mas é muito menor do que no ano passado. Do ponto de vista de barragens, o trabalho está sendo feito. Também existem gaps de governança que precisam ser sanados e já estão sendo endereçados”, conclui Souza.

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