Petrobras: ações desabam até 10% e estatal perde mais de R$ 52 bi de valor de mercado

Papéis tiveram forte queda durante toda a sessão, repercutindo os desdobramentos do anúncio sobre não pagamento de dividendos extraordinários

Lara Rizério

Fachada da sede da Petrobras, no Rio de Janeiro (FOTO ANDRÉ MOTTA DE SOUZA/AGÊNCIA PETROBRAS)
Fachada da sede da Petrobras, no Rio de Janeiro (FOTO ANDRÉ MOTTA DE SOUZA/AGÊNCIA PETROBRAS)

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A sessão desta sexta-feira (8) foi bastante negativa para a Petrobras (PETR3;PETR4) após a companhia anunciar apenas o pagamento de dividendos mínimos, sem a divulgação do tão esperado provento extraordinário. O papel PETR3 caiu 10,37% (R$ 36,98), enquanto PETR4 teve baixa de 9,14% (R$ 36,70), levando a uma perda de valor de mercado de R$ 52,3 bilhões, passando de R$ 533,1 bilhões de valor para R$ 480,8 bilhões, conforme dados ajustados pela B3.

A petroleira chegou a perder mais de R$ 70 bilhões de valor de mercado durante a sessão. No pior momento do dia, as PNs recuaram 13,1%, a R$ 35,10 , e as ONs caíram 14%, a R$ 35,47, representando uma perda de R$ 72,7 bilhões em valor.

O movimento de derrocada dos ativos já dava indicações que iria acontecer no início da manhã: às 7h15 (horário de Brasília) desta sexta, os ADRs (American Depositary Receipts, ou ações negociadas na Bolsa de Nova York) PBR (equivalentes ao PETR3) caíam 10,72%, a US$ 14,91, no pré-market da NYSE, enquanto os PBR-A (equivalentes ao PETR4) tinham baixa de 9,54%, a US$ 14,80. Na véspera, os papéis da Petrobras já haviam caído cerca de 9% no after-market da NYSE em meio aos rumores (depois confirmados) de não pagamento de dividendos extraordinários.

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A Petrobras informou que seu conselho de administração autorizou o encaminhamento à Assembleia Geral Ordinária (AGO), prevista para 25 de abril de 2024, da proposta de distribuição de dividendos equivalentes a R$ 14,2 bilhões, segundo fato relevante, sendo o valor estabelecido pela política de remuneração e sem pagamentos extraordinários.

Analistas destacaram que o anúncio do dividendo de R$ 14,2 bilhões decepcionou fortemente os investidores.

Conforme aponta o JPMorgan, a expectativa era de que houvesse pagamento de dividendos extraordinários de aproximadamente US$ 2,5-4,0 bilhões, além dos US$ 3,4 bilhões de dividendos mínimos, sendo que “alguns esperavam ainda mais”.

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Contudo, a Petrobras não anunciou os dividendos extraordinários e, em vez disso, o conselho optou por direcionar US$ 9,0 bilhões (cerca de R$ 43,9 bilhões) na criação de uma reserva de Remuneração de Capital.

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“Esta decisão é um grande golpe para o pilar da tese de retorno ao acionista na Petrobras. Por exemplo, em 2024, estimamos dividendos mínimos para entregar um rendimento de cerca de 8,1%, o que não é suficiente para fazer com que a história fique atraente em nossa opinião”, avaliou.

“Acreditamos que a surpresa negativa relacionada ao não pagamento de dividendos extraordinários torna o ‘carry’ da Petrobras menos atraente, aumentando a incerteza sobre pagamentos futuros e alocação de capital, devendo ofuscar os resultados operacionais em linha”, afirmaram analistas do Safra.

As ações chegaram a diminuírem as perdas para um dígito durante a teleconferência de resultados, após executivos da companhia afirmarem poderá distribuir aos acionistas montante destinado à reserva estatutária a qualquer momento, caso haja uma decisão futura neste sentido.

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Contudo, na última hora de pregão voltaram a cair com as notícias de que a decisão do conselho de administração partiu do próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e o governo quer que a empresa use para investimentos o dinheiro que seria destinado à remuneração extra aos acionistas, conforme disseram duas fontes governamentais à Reuters nesta sexta-feira. Para que a Petrobras possa usar os recursos da reserva estatutária, o governo vai tentar mudar regra relacionada ao tema, segundo as duas fontes.

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.