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Petrobras e Vale sobem e puxam Ibovespa após aprovação de austeridade na Grécia

Blue chips ligadas a commodities têm alta e puxam a Bolsa apesar de mais um fracasso no ajuste fiscal no Senado brasileiro; dólar vira para queda

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SÃO PAULO – O Ibovespa opera em alta nesta quinta-feira (16) refletindo a aprovação das medidas de austeridade pelo parlamento da Grécia. Por aqui, as notícias são negativas, com mais uma derrota do ajuste fiscal ontem, depois que o projeto sobre a repatriação de dinheiro remetido ao exterior deixou de ser votado no Senado por falta de quórum. Além disso, a agência de classificação de risco Moody’s vai para o seu segundo dia de visita ao Brasil para avaliar o rating soberano do Brasil. 

Às 12h55 (horário de Brasília) o benchmark da Bolsa brasileira subia 0,52%, a 53.178 pontos. Enquanto isso, o dólar comercial tinha leve queda de 0,07%, a R$ 3,1330 na compra e a R$ 3,1338 na venda, virando depois de um começo de pregão no azul. 

O mercado também repercute a manutenção das taxas de juros pelo BCE (Banco Central Europeu), com as expectativas para que o presidente do BCE, Mario Draghi, mantenha o programa de estímulos conhecido como Quantitative Easing. Em seu discurso, Draghi disse que o BCE decidiu aumentar os empréstimos de emergência para os bancos gregos. Ele ainda disse que a Grécia irá pagar sua dívida no dia 20 de junho. 

Segundo notícia da Reuters, citando como fonte o ministro do Interior, Nikos Voutsis, os gregos podem ter eleições antecipadas em setembro ou outubro. “É bem possível que eleições aconteçam em setembro ou outubro, dependendo dos acontecimentos. Isso será produto de uma análise abrangente, não apenas do governo, sobre os acontecimentos em geral”, disse Voutsis segundo texto divulgado pelo seu gabinete de uma entrevista com a rádio Sto Kokkino.

Ações em destaque
Junto com elas, os papéis da Vale (VALE3, R$ 17,49, +2,22%; VALE5, R$ 14,71, +1,45%), que chegaram a bater alta de 4% ontem, voltam a subir. No radar da mineradora, o minério de ferro spot no porto de Qingdao subiu 0,22%, a US$ 50,56. 

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 SBSP3 SABESP ON18,79+4,10
 JBSS3 JBS ON16,00+3,96
 PCAR4 P.ACUCAR-CBD PN75,27+3,11
 SMLE3 SMILES ON57,09+2,86
 GFSA3 GAFISA ON2,68+2,29

 

 

As ações da Petrobras (PETR3, R$ 13,38, +1,52%; PETR4, R$ 11,96, +1,36%) sobem. A estatal estuda se desfazer de 10% de sua participação no pré-sal da Bacia de Santos. Com isso, a fatia da estatal passaria de 40% para 30%, o mínimo exigido pela lei. De acordo com a publicação, a Petrobras tem pressa em tocar seu plano de desinvestimentos, que prevê arrecadação de US$ 15,1 bilhões só neste ano. Além de Libra, a estatal já abriu data room virtual (área com documentos dos ativos à venda) para a venda de participações acionárias em seis blocos exploratórios, dos quais um no pós-sal e cinco no pré-sal na Bacia de Santos.

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Enquanto isso, o jornal O Estado de S. Paulo diz que o Conselho da estatal pode analisar novas vendas de ativos já na próxima reunião do dia 24 e acelerar estudos para vendas programadas para 2017-2018 como forma de responder às desconfianças do mercado sobre a viabilidade do plano de vender até US$ 57 bi em ativos. 

Após dois reajustes tarifários em seis meses, a conta de água e esgoto pode subir de novo para os consumidores da capital paulista. A Sabesp (SBSP3, R$ 18,79, +4,10%) quer repassar para a fatura dos clientes paulistanos o encargo de 7,5% da receita bruta obtida na cidade que é obrigada a depositar no Fundo Municipal de Saneamento Ambiental e Infraestrutura para execução de obras. O repasse para os consumidores foi autorizado em março de 2013 pela Arsesp (Agência Reguladora de Saneamento e Energia de São Paulo), que fiscaliza os serviços da Sabesp, mas foi suspenso no mês seguinte a pedido do governo Geraldo Alckmin(PSDB), com o argumento de que estudaria “métodos de redução nos impactos aos consumidores”.

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 BBAS3BRASIL ON23,28-2,72
 KROT3KROTON ON11,70-2,34
 TIMP3TIM PART S/A ON9,52-2,16
 GOLL4GOL PN ES N26,93-1,42
 OIBR4OI PN5,27-1,13

 

As ações de bancos zeram ganhos depois de abrir em alta. Operavam entre perdas e ganhos as ações de Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 31,38, +0,29%) e Bradesco (BBDC3, R$ 28,41, -0,21%; BBDC4, R$ 29,03, +0,24%). 

Do lado negativo, apesar das altas dos outros bancos. Banco do Brasil (BBAS3, R$ 23,27, -2,76%) era a ação que mais recuava na sessão. Fundo soberano começou a vender ações do BB no mês passado como parte da estratégia de se preparar para usar os recursos do fundo no ajuste fiscal, segundo uma pessoa com conhecimento direto da operação ouvida pela Bloomberg.

O BB estuda emissão de ADRs (American Depositary Receipts) no nível 2 da Bolsa de Valores de Nova York. Segundo o RI (Relações com Investidores) da empresa, o objetivo é aumentar a liquidez dos ativos. 

Grécia aprova austeridade
O dia é de alta para as principais bolsas mundiais após a aprovação de um programa de resgate rigoroso pelo Parlamento da Grécia, graças aos votos da oposição pró-europeia, em meio aos protestos mais violentos este ano. Na Europa, o índice alemão DAX registra alta de 1,49%, enquanto o FTSE tem ganhos de 0,42% e o CAC 40 tem ganhos de 1,42%.

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Na mesma toada, a maior parte das ações asiáticas teve alta nesta quinta-feira também refletindo a aprovação do plano na Grécia, enquanto o dólar permaneceu alto com a chairwoman do Federal Reserve (Fed) dos Estados Unidos, Janet Yellen, reforçando a expectativa de uma subida dos juros norte-americanos.

Em seu depoimento semestral ao Congresso norte-americano na quarta-feira, Yellen repetiu sua visão de que o Fed provavelmente aumentará as taxas este ano se a economia do país crescer o esperado, e citou a melhoria no mercado de trabalho.

A bolsa de Xangai teve leve alta de 0,49%, após acentuadas perdas mais cedo no pregão desta quinta-feira, com preocupação após a recente debandada que fez os índices da China continental caírem na quarta-feira, apesar dos dados positivos do Produto Interno Bruto.

Agenda
Entre os indicadores divulgados hoje, os pedidos de auxílio desemprego semanais nos Estados Unidos caíram pela primeira primeira vez em um mês. Da semana retrasada, quando eles foram 297 mil, os pedidos pelo benefício foram para 281 mil na semana passada, menos que o consenso do mercado, que era de 283 mil. Esta é mais uma mostra de que o mercado de trabalho da maior economia do mundo está mais aquecido, aumentando as chances de que o Federal Reserve eleve os juros dos EUA ainda este ano. As apostas do mercado são de que o aumento ocorra na reunião do Fomc (Federal Open Market Comittee) de setembro.  

Além disso, a zona do euro teve superávit comercial de 18,8 bilhões de euros em maio, maior que o saldo positivo de 14,7 bilhões de euros registrado em igual mês do ano passado, segundo dados divulgados hoje pela Eurostat, a agência de estatísticas da União Europeia.